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  N°4221 (Nova Série), Sexta-Feira, 1 de Mar¬o de 2013
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LISBOA ALTERA A ESTRATÉGIA
Mais presunto e vinhos portugueses para Macau

Terminou ontem em Lisboa a 18ª SISAB, convenção anual de compradores internacionais do sector alimentar e bebidas, que reuniu mais de 600 expositores portugueses e empresários de todo o mundo. Presente esteve uma delegação do IPIM com importadores de Macau e de Cantão que fizeram negócios e contactos. É que Lisboa recuperou a estratégia e agora dá força às exportações dos produtos alimentares...

JOSÉ ROCHA DINIS
Em Lisboa

Em Macau todos se recordam da polémica criada pelo ex-presidente da AICEP, Basílio Horta, quando há alguns anos, por ocasião da MIF, declarou que era necessário acabar com a predominância de “vinhos, presuntos e chouriços” nas exportações portuguesas.
Em especial para Macau e China, onde a alta tecnologia tem competição de países europeus mais desenvolvidos e o peso comercial do agro-alimentar português está longe de um bom aproveitamento, a estratégia pareceu destinada ao insucesso.
Agora, com a necessidade de aumentar as exportações, um dos caminhos para ajudar a mitigar os problemas da crise, Lisboa inverteu a estratégia. Neste momento, a palavra de ordem é vender os produtos agro-alimentares fora de portas. Lá estamos outra vez a falar de vinhos, presuntos, chouriços, peixe, azeite, azeitonas, tremoços, etc.
Por isso, a 18ª SISAB, que decorreu esta semana no Pavilhão Atlântico, foi uma grande aposta dos políticos portugueses. O ministro dos Negócios Estrangeiros Paulo Portas abriu a Feira, que teve a presença do Primeiro-Ministro e secretários de Estado, e mesmo o secretário-geral do PS, demorou-se longo tempo a falar com os expositores e os importadores estrangeiros. Paulo Portas teve oportunidade de se orgulhar com o facto de neste momento, os produtos agro-alimentares já serem 20 por cento das exportações portuguesas.
Em especial, Angola e o Brasil foram os que assinaram contratos mais vultosos, mas Japão, Rússia e países de Leste Europeu também foram notados nas aquisições do produtos alimentares portugueses.
O IPIM- Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau trouxe a Lisboa uma delegação de 33 empresários de Macau e 15 da província de Cantão que não perderam tempo em fechar negócios. Os empresários de Macau já de há muito que mantêm os contactos, mas a nova dinâmica dos produtos portugueses possibilita agora o estabelecimento de novos nichos de mercado. Há agora, nos produtores portugueses uma aposta no marketing que nunca tinha sido tão explorada e permite atingir mercados que exigem qualidade e apresentação mais sofisticada.
No final do certame, em conversa com o JTM, os importadores mostravam-se satisfeitos com os resultados, sentimento também partilhado pela chefe da delegação, a administradora do IPIM, Irene Lau.

Problemas
com presuntos

Nem tudo, porém, corre bem. Os presuntos portugueses “Pata Negra” não podem entrar na China, ao contrário do que acontece com os espanhóis. Trata-se de um daqueles velhos problemas que não parece ter solução e em que Macau pouco pode fazer.
Por questões de sanidade, a China requer certificação dos matadouros de carne de porco. A Espanha tem 15 certificados e Portugal nenhum. O assunto remonta já ao tempo em que Santana Carlos era embaixador de Portugal em Pequim, mas continua sem solução embora, segundo os exportadores disseram ao JTM, os matadouros portugueses estejam hoje equipados com o mais moderno equipamento.
Não há problema técnico, salientam. O poder político é que ainda não conseguiu “dar a volta” às autoridades chinesas, embora o assunto esteja na ordem do dia.
Para Macau não há problema. O Pata Negra já é importado, mas talvez depois da SISAB possa ter mais expressão, pois os preços começam a ser atractivos. Por alguma razão, um dos novos supermercados da Praia Grande já tem à porta uma caixa de Pata Negra, a tentar atrair mais compradores chineses...

 


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