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  N°4221 (Nova Série), Sexta-Feira, 1 de Mar¬o de 2013
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RESPONSÁVEL FALA DE MONUMENTOS EM CRISE E DA RESPONSABILIDADE DA COMUNIDADE
UNESCO apela à “gestão” do património

O território enfrenta uma grande “pressão”, admite Tim Curtis, observando o difícil balanço entre interesses privados e públicos. O director do Departamento de Cultura da UNESCO, em Banguecoque, salienta que Macau não está assinalada como uma região em risco, no entanto há monumentos que precisam de estratégias de gestão. Conservar património, segundo lembra, também pode ser rentável

raquel carvalho

Avisa que as leis sobre património e planeamento urbanístico não vão resolver todos os problemas da cidade. A “pressão” é visível, no entanto Macau ainda não é considerada uma cidade em crise do ponto de vista da preservação do património, afirma o director do Departamento de Cultura da UNESCO, em Banguecoque. Tim Curtis aconselha formas de gestão, que podem passar pela limitação do número de turistas. Mas o caminho, defende, está nas mãos da comunidade.
“Sem dúvida que há pressão em Macau, daquilo que podemos observar. Macau ainda não foi sinalizada por nós como em crise e esperemos que não chegue a esse ponto. Mas há monumentos que estão em crise e têm de ser geridos, nomeadamente através do controlo do número de turistas...”, analisa Tim Curtis. O representante da UNESCO lembra que outras cidades do mundo, como Paris, também enfrentam um excesso de visitantes. “Mas há maneiras de gerir a questão”, assegura.
No caso de Macau, o responsável admite que existem “enormes pressões de desenvolvimento”. Porém, a cidade não está numa situação limite. “Existem sítios nesta zona do mundo que estão mais destruídos do que Macau. Há esforços a serem feitos e que também devem ser reconhecidos”.
No que toca à quantidade de visitantes, Tim Curtis defende que “cabe aos cidadãos decidirem quantas pessoas querem na sua cidade”, embora a questão salte à vista. “Pude verificar, quando vim de barco, que há imensa gente a chegar a Macau... Há imensa pressão de turistas, alguns monumentos sofrem muita pressão, outros menos. É uma questão de gestão. E isso depende das pessoas e envolve diferentes aspectos como a qualidade de vida ou a atmosfera da cidade. Estão envolvidas muitas questões, nomeadamente de planeamento urbanístico e transportes”.
Outro dos problemas mais evidentes prende-se com a ofensa “à integridade visual da paisagem histórica”. Embora não seja possível corrigir erros do passado, Tim Curtis acredita que a sensibilidade está mais apurada. “O que está feito está feito, mas acredito que as coisas estão mais controladas agora. É o que ouço. Há directivas mais restritas e regulações sobre o que pode ser construído”.
Face aos conflitos entre sectores público e privado, Tim Curtis sublinha que preservar património nem sempre corresponde a perder dinheiro. “Também existem vantagens económicas na conservação do património. Pode ser feito dinheiro de diferentes maneiras, mas é uma decisão que a comunidade tem de tomar”. O responsável da UNESCO fundamenta a ideia com os resultados de uma investigação realizada nos Estados Unidos. “O estudo mostra que novos edifícios geram mais dinheiro, mas a conservação gera mais trabalhos. É possível transformar um edifício num hotel, ou até mesmo ter um casino num edifico histórico, não tão grande, é claro...”. Contudo, acrescenta, “às vezes é preciso abrir mão de algum dinheiro para preservar algo em particular. Há diferentes opções”.
Confessando não estar a par dos diplomas em discussão, nomeadamente a Lei de Terras, a lei de planeamento urbanístico e a Lei de Salvaguarda do Património Cultural, Tim Curtis realça que os enquadramentos legais não são antídotos para todos os males. “Em qualquer sítio há sempre mais desafios. (...) As leis nunca resolvem todos os problemas. Ajudam em relação a alguns”.

 


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