000primeira
010especial
020opiniao
030local
050desporto
070actual
081jete
090cambios
091tempo
092ultima


 



 
  N°4149 (Nova Série), Sexta-Feira, 9 de Novembro de 2012
CHINA
Hu Jintao sublinha perigo da corrupção
e defende reformas económicas

A corrupção poderá “provocar o colapso” do Estado, advertiu ontem o Presidente chinês. Na abertura do 18º Congresso do Partido Comunista Chinês, que vai escolher a nova liderança do país, Hu Jintao frisou também que o aprofundamento das reformas económicas é crucial e defendeu que o partido deve adoptar “um pensamento inovador”

Apesar da China ter alcançado “históricos sucessos” na última década, tornando-se a segunda maior economia do mundo, o fenómeno da corrupção poderá “provocar o colapso” do Partido Comunista e do Estado, avisou o Presidente chinês.
“A corrupção é uma questão de grande preocupação para o povo (...) Se não conseguirmos controlar bem essa questão, poderá ser fatal para o Partido e até causar o colapso do Partido e a queda do Estado”, disse Hu Jintao no relatório apresentado ao 18º Congresso do Partido Comunista Chinês (PCC), que decorre no Grande Palácio do Povo, em Pequim, e durante o qual será escolhida a liderança do país para a próxima década.
O Presidente chinês, que é também secretário-geral do PCC, alertou igualmente que o país está confrontado com “muitas dificuldades”, afirmando que “o desenvolvimento desequilibrado, descoordenado e insustentável continua a ser um grande problema”.
“A questão quanto ao caminho que devemos prosseguir é de vital importância para a sobrevivência do Partido, o futuro da China, o destino da nação chinesa e o bem-estar do povo”, disse.
Hu Jintao defendeu o “socialismo com características chinesas” como a única via para “concluir a edificação de uma sociedade moderadamente próspera em todos os aspectos” e “acelerar a modernização e a grande renovação do país”.
A expressão “socialismo com características chinesas” é evocada mais de 50 vezes ao longo das 46 páginas do relatório apresentado por Hu Jintao, ultrapassando largamente as referências ao marxismo-leninismo e ao Pensamento Mao Zedong.
A democracia é um dos “aspectos” da sociedade que o PCC pretende implantar, mas o Presidente chinês reafirmou que a China “nunca copiará um sistema político ocidental”.
REFORMAS ECONÓMICAS. Por outro lado, Hu Jintao considerou crucial aprofundar as reformas económicas na China para o país poder “acelerar o mudança do seu modelo de crescimento” e exortou o partido comunista a assumir “um pensamento inovador”.
“Temos de ter firme confiança que podemos vencer a dura batalha para aprofundar a estrutura económica e acelerar a mudança do modelo de crescimento para aumentar a vitalidade e a competitividade da economia da China”, disse Hu Jintao.
Nesse sentido, defendeu o “equilíbrio entre o papel do governo e o do mercado”, ampliando “a vitalidade do sector estatal”, mas encorajando igualmente “o desenvolvimento do sector não-público”.
“Temos de assegurar que as entidades económicas sob todas as formas de propriedade têm igual acesso a factores de produção de acordo com a lei e compitam ao mesmo nível, como iguais”, afirmou.
Na última década, liderada por Hu Jintao, a China tornou-se a segunda maior economia do mundo, logo a seguir aos Estados Unidos, e o maior exportador do planeta, à frente da Alemanha.
Desde há dois anos, porém, o crescimento tem abrandado e o modelo que sustentou o milagre económico chinês, assente nas exportações, parece esgotado. Este ano a economia chinesa deverá crescer abaixo dos 8%, pela primeira vez na última década.
Hu Jintao está a completar o segundo e ultimo mandato de cinco anos à frente do partido. No final do 18º Congresso, que decorre até quarta-feira, Hu Jintao deverá ser substituído pelo actual Vice-Presidente, Xi Jinping, assinalando o início da ascensão ao poder de uma nova geração de lideres. Xi Jinping tem 59 anos, menos onze que Hu Jintao e menos 27 do que Jiang Zemin.
CONGRESSO DA DÉCADA. Descrito na imprensa local como “o acontecimento mais importante da vida política chinesa”, o 18º Congresso do PCC reúne 2.270 delegados na capital chinesa.
Todos os edifícios em torno da Praça Tiananmen e as principais artérias da cidade estão engalanadas com bandeiras vermelhas e faixas de pano da mesma cor com slogans saudando o “Shi Ba Da” (18.º congresso).
“Sem o Partido Comunista a Nova China não existiria”, diz um dos slogans, recordando o refrão de uma famosa canção revolucionária.
Outro slogan deseja ao PCC “longa vida”, expressão que em chinês significa, literalmente, dez mil anos.
Na capital chinesa vêem-se também mais agentes da polícia a patrulhar as ruas e milhares de pessoas sem uniforme e com braçadeiras vermelhas, descritas como voluntários para ajudar a “manter a segurança e garantir o sucesso do congresso”.
A sessão de abertura começou às 09:00, com o hino nacional da China e um minuto de silêncio pelos líderes já falecidos, de Mao Zedong (1893-1976), o fundador da República Popular, há 63 anos, a Deng Xiaoping (1904-97), o impulsionador da política de “Reforma e Abertura”.
A seguir, Hu Jintao iniciou a leitura de uma síntese do relatório ao congresso, que se prolongou por cerca de hora e meia.
O documento integral, com 46 páginas, intitula-se “Marchar firmemente no caminho do socialismo com características chinesas e lutar para completar a construção de uma sociedade moderadamente próspera em todos os aspectos”.
Na primeira fila da tribuna, reservada aos 23 membros do Politburo do PCC, sentaram-se também o antigo Presidente Jiang Zemin, os ex-primeiros-ministros Li Peng e Zhu Rongji e outros “delegados especiais”.
Embora reformados e sem cargos oficiais, 55 “veteranos camaradas” ainda participam na eleição da futura direcção do partido, o maior do mundo, com cerca de 82,6 milhões de filiados.

Na via do “desenvolvimento pacífico”

Hu Jintao reafirmou ontem a “inabalável disposição” da China de prosseguir “a via do desenvolvimento pacífico” e uma “política externa independente de paz”. “A China opõe-se ao hegemonismo em todas as suas formas e nunca procurará ser hegemónica ou expansionista”, disse na abertura do 18º Congresso do Partido Comunista. O Presidente chinês defendeu “o estabelecimento de um novo tipo de parcerias globais, mais justo e equilibrado” e condenou o uso da força ou ameaça do seu uso nas relações internacionais. Numa aparente referência ao conflito na Síria, em que a China e a Rússia divergem dos EUA e da União Europeia, Hu Jintao frisou que Pequim “opõe-se a qualquer tentativa externa para subverter o Governo legítimo de outros países”. Hu Jintao apelou por outro lado à transformação da China numa potência marítima, numa referência que motivou um reparo de Tóquio. “Todos os países, incluindo a China, têm o direito e a responsabilidade de proteger os seus territórios e as suas águas, mas essas acções deverão ser desenvolvidas de forma pacífica e em linha com o direito internacional”, disse um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros japonê, Naoko Saiki.

“Firme apoio” aos Governos das RAE’s

Pequim vai “apoiar firmemente” os Chefes dos Executivos e os Governos de Hong Kong e Macau, por forma a promover o crescimento económico, a implementação de “medidas eficazes” para melhorar o bem-estar dos residentes e o desenvolvimento “gradual” e “ordenado” da democracia nas duas regiões administrativas especiais, reiterou ontem o Presidente chinês. No relatório apresentado ao Congresso do Partido Comunista, Hu Jintao voltou ainda a prometer o apoio de Pequim à “manutenção da prosperidade e estabilidade a longo prazo” em Hong Kong e Macau e defendeu a “total e plena implementação” do princípio “um país, dois sistemas”. “Devemos aderir ao princípio de uma só China e respeitar as diferenças dos dois sistemas, manter o poder do Governo Central e assegurar um elevado grau de autonomia das Regiões Administrativas Especiais”, disse o Chefe de Estado, citado pela agência oficial chinesa Xinhua, garantindo ainda que serão reforçados os laços económicos e comerciais entre o Continente chinês, Hong Kong e Macau.

 


 [Alto] [Anterior] [Voltar]




HOME  .  E-MAIL  .  FICHA TÉCNICA  .  EDIÇÕES ANTERIORES  .  PUBLICIDADE  .  PRIMEIRA

Copyright (c) Jornal Tribuna de Macau, All rights reserved
Design and maintainence by Directel Macau Ltd