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  N°4149 (Nova Série), Sexta-Feira, 9 de Novembro de 2012
ENTREVISTA COM PEDRO CARDOSO
BNU vai estar na expansão do COTAI
“de uma forma muito significativa”

Por ocasião dos 110 anos que o Banco Nacional Ultramarino comemora em Macau, o presidente da Comissão Executiva traça um retrato de um banco sólido, que procura competir num mercado cheio de oportunidades mas com vários desafios. Pedro Cardoso, embora sem adiantar números, afirma que os resultados deste ano estão em linha com os de 2011, mas os lucros podem ser superiores. Já o volume de negócios cresceu 20%. Quanto ao COTAI, refere que o BNU vai ter uma presença “muito significativa” no financiamento dos novos projectos de casinos que deverão arrancar em breve

helder almeida

Foi noticiado que a Caixa Geral de Depósitos (CGD) teve prejuízos de 130 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano mas que os resultados em Macau foram positivos. Pode adiantar alguns valores quanto aos resultados financeiros destes primeiros meses do ano?
- O Banco Nacional Ultramarino (BNU) só costuma divulgar os seus resultados no final do ano, não é prática das entidades do grupo CGD divulgarem os resultados de forma intercalar, mas posso adiantar que os resultados este ano estão em linha com os apresentados no ano anterior.
- E previsão de lucros?
- Penso que será um ano bom, em linha com o ano anterior ou, eventualmente, ainda superior.
- O ano passado, a nível global, houve uma descida de 13% no lucro líquido. Este ano esta descida pode ser anulada?
- Espero que os resultados deste ano sejam tão bons ou melhores que o ano anterior...
- Qual o contributo financeiro neste momento do BNU para a CGD?
- No ano de 2011 apresentámos um resultado líquido de 325 milhões de patacas, um contributo muito relevante para os resultados do Grupo CGD.
- Actualmente, o BNU tem cerca de 180.000 clientes...
- Praticamente 200.000 clientes, actualmente.
- Portanto, já houve uma subida. Destes, quantos são individuais e empresas?
- Temos mais de 190 mil clientes individuais e aproximadamente sete mil clientes são empresas.
- A maior parte clientes chineses?
- 99%.
- Já tinha avançado anteriormente numa entrevista que o BNU está a passar por uma reestruturação, tanto da estrutura organizacional, como da própria rede, para o banco ser mais forte em termos de marketing e em termos comerciais. Já há resultados palpáveis?
- Actualmente, o nosso projecto de transformação conta com iniciativas agrupadas em 11 áreas. Essas iniciativas de acordo com a nossa avaliação mais recente estão concluídas a um nível aproximadamente de 60%. Portanto, o projecto de transformação está a avançar, mas ainda subsiste, para ficar concluído, cerca de 40% daquilo que inicialmente foi o nosso objectivo.
- Em relação a esses 60%, já há resultados que tenham daí surgido? Alguma melhoria nas operações a esse nível?
- Existe uma melhoria claríssima em termos da dinâmica comercial do banco, em termos da captação de negócio. Para o banco, deveremos terminar o ano com um crescimento do volume de negócio muito próximo de 20% em 2012, portanto, os resultados são claros e evidentes.
- Também identificou o sector da Pequenas e Médias Empresas (PME’s) como uma área a crescer, juntamente com o negócio a retalho. Está a ser conseguido?
- É nesses dois segmentos que os resultados são mais visíveis.
- Ou seja, esse crescimento de 20% em relação a 2011 é...
- ... sobretudo no segmento da banca de retalho como no segmento de PME’s. Este ano destacaria em termos de segmento de banca de retalho o lançamento do novo serviços para clientes, o BNU Advantage, destinado a clientes que procuram ter um atendimento personalizado, e que tem sido um projecto extremamente bem sucedido. Arrancou inicialmente na agência central do BNU em Macau e até ao final deste mês estenderemos até mais outras três agências.
- Este é um processo para estar finalizado até 2014, segundo tinha dito anteriormente, mas o que é que se pode esperar que o BNU tenha alcançado nessa altura?
- Penso que, fundamentalmente, uma melhor preparação para poder beneficiar de todas as oportunidades que o mercado de Macau apresenta, que são muitas, e, ao mesmo tempo, um fortalecimento da sua estrutura e capacidade interna para ter um processo de expansão mas com níveis de eficiência, entenda-se custos, bastante controlado.
- Que outros projectos estão em carteira?
- Temos projectos em 11 áreas, como referi. Fundamentalmente estes projectos estão interligados entre si, tratam-se de projectos não apenas nas principais áreas de negócio mas também nos serviços centrais do BNU. A nossa intenção é de expandir a rede comercial, não só através do número de agências, mas do número de pessoal afecto à actividade comercial, mas optimizando e reduzindo a estrutura de serviços centrais.
- Tinha dito que o número de funcionários ia subir, quantos há neste momento?
- 440.
- Qual é o maior desafio do BNU no território?
- O maior desafio do BNU é aproveitar plenamente todas as oportunidades que decorrem da sua presença em Macau e de, nesse sentido, se preparar e estar totalmente habilitado para concorrer dentro de um mercado que, sendo pleno de oportunidades, também tem, obviamente, algumas importantes ameaças.
- Tais como?
- Sobretudo a presença de grandes bancos chineses com uma dimensão, uma quota de mercado e, hoje em dia, até com uma própria agressividade comercial bastante assinaláveis.
- E é possível o BNU conseguir competir com esse esses gigantes do sector bancário?
- É possível e penso que o BNU também tem as suas vantagens competitivas em relação a esses bancos. Tem obviamente uma desvantagem competitiva que decorre de ter um efeito de escala inferior a essas entidades, mas tem outras vantagens competitivas como fazer parte de um grupo bancário internacional que tem experiência e “know-how” assinaladas em determinadas actividades do sector financeiro.
- Com nome na praça há 110 anos. Isso também conta?
- Essa é umas das nossas principais vantagens, o facto de o BNU estar perfeitamente enraizado e alicerçado na sociedade de Macau, conhecer este mercado melhor do que ninguém e o facto de, em simultâneo, ser um banco emissor é obviamente uma grande vantagem competitiva do ponto de vista de aceitação pela comunidade.
- Nas últimas semanas foram avançadas novidades quanto aos casinos que vão arrancar no COTAI (das operadoras SJM, Melco Crown, Wynn e MGM). Já há perspectivas de entendimento entre essas empresas e o BNU para futuros empréstimos em consórcio?
- O BNU tem desde há muitos anos, e em particular desde o processo de liberalização do sector do jogo, um forte enraizamento no próprio sector. E obviamente que esta nova fase de expansão no COTAI é uma fase em que o BNU estará seguramente presente e de uma forma muito significativa.
- Já há negociações?
- Como é prática no sector bancário, os bancos não divulgam as relações comerciais com os seus clientes, mas dentro do que se pode dizer o BNU está e estará presente de forma muito assinalável e empenhada neste sector.
- Este é uma área, de resto, que o BNU não pode descurar, onde tem muito a ganhar...
- É uma área que nós consideramos como “core” do negócio do banco, não só pelos resultados directos de participação nessa área mas também pelos resultados indirectos que estão associados, nomeadamente com todo o negócio que podemos obter com os colaboradores dessas entidades e com os fornecedores dessas empresas.
- Há planos para crescer na China?
- Neste momento estamos plenamente concentrados na nossa actividade aqui em Macau e na alavancagem comercial da nossa presença, via CGD, em Zhuhai, e BNU em Xangai.
- Para os empresários portugueses que queiram investir em Macau e no Continente é, de facto, uma mais valia a presença do BNU?
- Como é sabido, Macau, até pela própria intenção manifestada desde há algum tempo pelo Governo Central da China, pretende-se que seja seja um importante ponto de contacto entre a República Popular da China e os países de expressão portuguesa. Pelo facto de pertencermos a um grupo bancário que está presente em todos, excepto um, países de expressão portuguesa, estamos melhor habilitados do que ninguém para promover e ajudar a desenvolver essas relações.
- Mas tem havido, à parte do discurso político e de intenção, efectivamente essa relação?
- Não sendo o nosso principal “core business”, é uma área à qual dedicamos a maior atenção e empenhamento e temos tido resultados muito encorajadores ao longo dos últimos meses.
- Quando termina aqui a sua comissão de serviço?
- O mandato da Comissão Executiva do BNU termina em final de 2013.
- E após essa data, pondera continuar em Macau?
- O meu projecto é concluir este mandato sendo que o projecto do próprio BNU é ficar em Macau de forma muito empenhada e com muito gosto nos próximos 110 anos.
- E para si?
- Não faço para mim planos a longo prazo.
- É possível após 2020 o BNU continuar a ser co-emissor de moeda?
- É possível e do ponto de vista do BNU desejável e esperamos também que do ponto de vista das autoridades de Macau também se entenda nesse sentido. Mas ainda é demasiado cedo para fazer comentários sobre essa questão.
- Mas é bom para o banco, obviamente, ser emissor.
- É uma das nossas vantagens competitivas.

Perfil

Pedro Manuel de Oliveira Cardoso tem 47 anos e está na presidência da Comissão Executiva do BNU desde Agosto de 2011, substituindo Artur Santos. Antes, era vogal do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos (desde 2008) e já era vice-presidente do Conselho de Administração do BNU (desde Julho de 2010). Esteve em vários bancos: Banco BEST, Banco Pinto & Sotto Mayor, Banco Comercial Português). De 1999 a 1999 esteve em Nova Iorque, onde foi director-geral-ajunto na Sucursal do Banco Português do Atlântico e como presidente da CISF Securities, uma correctora do Grupo BCP. Foi ainda vogal do Conselho de Administração do Banco Caixa Geral em Espanha. É licenciado em Economia pela Universidade Católica Portuguesa e tirou um MBA em Finanças na mesma universidade.

 


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