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  N°4116 (Nova Série), Quinta-Feira, 20 de Setembro de 2012

NOVO ESPAÇO DE JOGO DA SANDS TEVE PIOR ARRANQUE ENTRE OS GRANDES CASINOS
Cotai Central volta à carga após “falsa partida”

A inauguração do maior hotel Sheraton do mundo vai assinalar hoje o lançamento da segunda fase do Sands Cotai Central, um projecto no qual o grupo Las Vegas Sands deposita grandes esperanças mas do qual retirou dividendos inferiores ao esperado nos primeiros cinco meses de funcionamento. Quase 500 mesas, grande parte delas transferidas de outros empreendimentos da Sands, compõem a área de jogo de um complexo à procura de novo fôlego depois de ter protagonizado o pior arranque entre os grandes casinos que abriram portas na nova era do sector

sérgio terra

A Las Vegas Sands não o admite, pelo menos explicitamente, mas os números não enganam: o casino Sands Cotai Central tem registado resultados aquém das expectativas da empresa e muito distantes da facturação dos principais espaços de jogo explorados pelas operadoras rivais. Dados compilados pelo JTM revelam mesmo que o novo casino instalado no COTAI pela empresa liderada por Sheldon Adelson teve o desempenho mais fraco entre os grandes complexos do jogo que abriram portas nos últimos anos, período marcado por um verdadeiro “boom” de receitas.
Inaugurado a 11 de Abril, o Sands Cotai Central gerou receitas brutas de 2,57 mil milhões de patacas nos primeiros 81 dias de funcionamento, o equivale a uma média diária de 31,78 milhões de patacas. Embora não se trate de um número desprezível, esta média diária coloca o Sands Cotai Central apenas na 11ª posição do “ranking” dos casinos, bem distante dos valores do Wynn (99,89 milhões), Galaxy (86,36 milhões) ou do próprio Venetian (65,23 milhões), e não muito à frente de outros que hoje têm menor expressão no mercado, como o L’Arc (27,80 milhões) ou o Lisboa (25,77 milhões).
Incapaz de aproveitar o factor novidade, o Sands Cotai Central apenas conseguiu absorver cerca de 3,8% do total do mercado, não tendo assim o mesmo impacto do Galaxy, que contabilizou uma média diária de 51,02 milhões de patacas nos primeiros 45 dias de operações, o suficiente para assegurar uma quota de quase 6,48% durante esse período. Acresce ainda que o Galaxy Macau entrou em funcionamento a 15 de Maio de 2011, mês em que o “bolo” total do jogo atingiu 24,3 mil milhões de patacas, contra os 26,07 mil milhões apurados em igual período deste ano.
Recuando ainda mais no tempo, a comparação com o também vizinho City of Dreams volta a não ser benéfica para o novo casino da Sands China. Tendo em conta que o principal projecto da Melco Crown – aberto a 1 de Junho de 2009 - gerou receitas brutas de 1,2 mil milhões nos primeiros dois meses, a uma média diária de 20,1 milhões, a balança parece pender à primeira vista para o lado do Sands Cotai Central, mas importa recordar que desde então as receitas do sector quase triplicaram. Se em Maio de 2012 os casinos facturaram 25 mil milhões, em Junho de 2009 o total cifrou-se em “apenas” 9,65 mil milhões, traduzindo dessa forma uma quota de mercado de 6,45% para o City of Dreams, na fase inicial.
De resto, as próprias contas do grupo Las Vegas Sands espelham grandes diferenças de desempenho entre o Sands Cotai Central e o maior “resort” da operadora, o Venetian Macau. De acordo com o relatório do exercício financeiro do segundo trimestre, as receitas líquidas do casino Venetian ascenderam a 561,6 milhões de dólares (quase 4,5 mil milhões de patacas), a uma média diária de 49,2 milhões de patacas que representa o dobro do contributo do Sands Cotai Central (14,5 milhões em cada um dos 81 dias de operações).
As discrepâncias entre os dois empreendimentos são ainda maiores na análise de todas as vertentes operacionais, com o Venetian a gerar um EBITDA (resultados antes de ganhos e perdas financeiras, impostos, amortizações e subsídios) de 229,2 milhões de dólares americanos, mais do quádruplo do montante contabilizado no Sands Cotai Central (51,8 milhões de dólares).
NOVO FÔLEGO PARA ATINGIR META DOS 25%. O Sands Cotai Central foi projectado como uma das grandes apostas de Sheldon Adelson para concretizar uma ambiciosa meta: controlar um quarto do mercado do jogo em Macau. “A nossa quota de receitas brutas do jogo em Macau cresceu de 15 para 19% entre Janeiro do ano passado e de 2012. Não é que estejamos a gerir o nosso negócio pela quota de mercado, mas a reaproximação aos promotores de jogo mais importantes de Macau poderá ajudar a elevar a nossa quota até cerca de 25% ou mais”, disse o magnata em Fevereiro, mas a verdade é que, sete meses depois, tal objectivo continua por cumprir.
Depois de ter oscilado entre os 17 e 18% entre Fevereiro e Junho, a quota da Sands China ainda cresceu para 22% em Julho, mas no mês seguinte voltou a recuar para 18,5%, transmitindo novo sinal de que o Sands Cotai Central ainda não conseguiu assumir uma posição de relevo no mercado.
Mas, ainda que o impacto inicial tenha sido reduzido, a Sands China parece determinada em dar um novo impulso ao seu mais recente projecto em Macau. E para isso vai instalar mais mesas do que as 400 inicialmente previstas para um casino que passará a contar com duas áreas de jogo: o “Himalaya”, a funcionar desde Abril, e o “Pacifica”, que hoje abre portas no Sheraton.
Depois da inauguração de hoje, “o Sands Cotai Central Casino será constituído por cerca de 475 mesas de jogo e aproximadamente 2.300 máquinas”, indicou ao JTM Melina Leong, vice-presidente das Relações Públicas e Assuntos Comunitários da empresa.
Atendendo a que o limite de 5.500 mesas imposto pelo Governo até 2013 já estava esgotado no final do segundo trimestre deste ano - com os casinos a disponibilizarem um total de 5.498 - resta saber a proveniência das que foram agora acrescentadas ao Sands Cotai Central, mas esta parece continuar a ser uma questão tabu para as operadoras. “A companhia trabalha sempre de acordo com o número total de mesas de jogo aprovado pela DICJ [Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos]”, disse apenas Melina Leong, quando questionada sobre o processo de transferência de mesas.
Em Abril, a subconcessionária do jogo indicou que o Sands Cotai Central iria contar com quase 400 mesas, metade das quais transferidas de casinos do grupo, e cerca de 800 “slots machines”. A empresa chegou mesmo a falar de uma alegada promessa de concessão de 200 novas mesas por parte do Governo, mas alguns meses depois moderou as expectativas. “No dia 20 de Setembro, não teremos todas [as 200 novas mesas], mas iremos tê-las ao longo do resto do ano”, disse Sheldon Adelson, em Julho, durante uma conferencia telefónica com analistas para análise do exercício financeiro do segundo trimestre.
No entanto, com o limite de mesas a não deixar margem de manobra e o Governo a mostrar-se inflexível sobre esta matéria, não restam dúvidas que a Sands China foi para já obrigada a transferir para as salas do “Himalaya” e “Pacifica” várias dezenas de mesas dos outros casinos que opera.
O MAIOR SHERATON E 38 NOVAS LOJAS. Além da nova área de jogo, o dia de hoje ficará também marcado pela abertura da primeira torre do hotel Sheraton, unidade que será a maior da cadeia Starwood no mundo, quando estiver completa. Quando a segunda torre estiver pronta em 2013, o Sheraton Macau terá capacidade para cerca de quatro mil quartos e suites.
O retalho é outra componente importante do projecto Sands Cotai Central, segundo que o lançamento da segunda fase irá acrescentar hoje 38 estabelecimentos comerciais ao complexo. Ralph Lauren, Swarovski, Chow Tai Fook, DKNY, Zara, Samsonite, Massimo Dutti, CK Calvin Klein, Kookai ou Adidas são algumas das novas marcas estreantes naquele espaço, que passará a contar com um total de 70 retalhistas. Restaurantes e espaços para a realização de convenções, exposições e reuniões completam a oferta.
Incluindo os novos projectos, a Sands China emprega actualmente mais de 23 mil pessoas em Macau. Destes, mais de 17 mil são residentes da RAEM, garantiu ao JTM Melina Leong.

Jogo pode subir mais de 20% antes do “assalto” ao recorde

As receitas brutas dos jogos de fortuna ou azar em Macau deverão oscilar entre 25,5 e 26 mil milhões de patacas no cômputo geral de Setembro, adiantou uma fonte do sector ao JTM. A estimativa tem por base os resultados atingidos nos primeiros 17 dias do corrente mês, período em que só as mesas de jogo geraram receitas médias diárias um pouco acima dos 830 milhões de patacas. Caso se mantenha este ritmo de facturação, e acrescentando as receitas das “slots”, o total de Setembro poderá aproximar-se dos 26 mil milhões, o que traduziria um acréscimo de cerca de 22%, comparativamente aos 21,24 mil milhões apurados no período homólogo do ano passado. As contas de Setembro deverão assim aproximar-se das de Agosto (26,13 mil milhões) e abrir boas perspectivas para a obtenção de um novo recorde do sector já em Outubro, um mês tradicionalmente positivo para os casinos, devido aos feriados associados às comemorações do Dia Nacional da China. Recorde-se que o actual recorde mensal de receitas brutas foi atingido precisamente em Outubro de 2011, com um total de 26,8 mil milhões de patacas. Em tempos de “abrandamento”, são números que farão certamente inveja a muitas economias do mundo...

S.T.

Aprovação de mais casinos no COTAI
“pouco provável” este ano

O Governo da RAEM não deverá aprovar em 2012 novas concessões de terrenos no COTAI para projectos com casinos, apurou o JTM. Depois de ter dado “luz verde” ao segundo hotel-casino da Wynn Macau, no início de Maio, a Administração está a analisar pedidos similares submetidos pela MGM, Sociedade de Jogos e Melco Crown (neste caso não para a obtenção de qualquer lote, mas apenas para a inclusão de um casino no “Studio City”), mas “é pouco provável” que os requerimentos sejam deferidos ainda este ano, segundo adiantou uma fonte próxima dos processos. Entre estes “dossiers”, a análise da proposta da MGM é a que se encontra em fase mais adiantada, mas em qualquer dos casos as operadoras deverão ter de esperar até 2013 para avançar com os seus projectos para o COTAI.

 


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