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  N°3978 (Nova Série), Sexta-Feira, 2 de Mar¬o de 2012
os desatinados
Exemplos pouco aconselháveis

Albano Martins

1. A economia está bem e recomenda-se, dizia há sensivelmente dois meses atrás. Quando medida pelo indicador genérico e rei, que é o PIB!
De novo, em Portugal, li nas páginas deste jornal que a economia de Macau crescera 20,8 por cento em 2011, de acordo com o EIU.
Mas não há ainda não há dados oficiais relativos ao seu crescimento em 2011, pelo que penso que essa prestigiada instituição andará com a carruagem à frente dos bois!
Portanto, será mais uma estimativa efectuada através de círculos cada vez mais concêntricos.
Em Janeiro li que, de acordo com o EIU, o crescimento da economia de Macau seria de 20,3 por cento em 2011, depois da anterior projecção avançada ter sido de 20 por cento.
Se bem recordo, a primeira projecção dessa prestigiada instituição fora de 16,3 por cento, mais uma vez um sinal claro que o modelo que utiliza tem encontrado alguma dificuldade em ajustar-se à realidade de Macau.
Hoje, voltam de novo a aproximar-se da minha previsão inicial, que se situa, recordo, no intervalo [21,6 por cento, 23 por cento], embora pudéssemos hoje baixar o limite inferir para 21,3 por cento.

2. Para 2012 o EIU prevê agora, li há dias, um crescimento de cerca de 9,8 por cento depois de uma primeira projecção para cerca de 15 por cento.
Dizia há tempos atrás que finalmente estariam mais próximos da realidade desta vez. A economia de Macau crescerá, sem dúvida alguma, pelo menos pelo que se antecipa da evolução das receitas do jogo em 2012, abaixo dos 20 por cento.
Hoje, com os resultados de Janeiro e Fevereiro, começamos a imaginar que provavelmente o crescimento da economia de Macau cairá substancialmente.
Em boa verdade, a economia de Macau cresce em termos reais quase sempre bastante abaixo de metade do crescimento das receitas do jogo. Pelo menos é essa a tendência dos últimos quatro anos.
É uma constatação, mas não um método preciso de previsão!
Não é, pois, muito difícil prever que se as receitas do jogo crescerem pouco mais de 20 por cento que a economia local poderá crescer já em 2012, dois dígitos baixos ou um dígito alto. Trata-se de uma mera contestação minha, mas é chegada a altura de fazer contas, o que deixo para os próximos artigos.
No que toca à inflação, tudo parece apontar para um agravamento e não para um arrefecimento de preços em Macau. Para já a inflação em Janeiro foi de 5,96 por cento contra 5,81 por cento em finais do ano passado. Provavelmente o EIU irá estar muito longe do seu valor ao projectar cerca de quatro por cento em 2012! Como aliás o esteve relativamente a 2011!

3. Aqui na Europa, de onde parto no fim de semana para a RAEM, finalmente, as cabecinhas pensantes dos governantes europeus começam a entrar nos eixos.
Como tenho dito sistematicamente, não é possível resolver-se o problema das finanças públicas, que urge ser tratado de forma mais séria, com austeridade sobre austeridade. Trata-se do b-a-ba em matéria económica.
Muitos casos dramáticos vão surgindo diariamente e as instituições financeiras, elas próprias em situação pouco confortável, com crédito mal-parado cuja dimensão nem sempre as contas parecem transparecer, continuam renitentes em emprestar. Sem crédito, a economia não se expande com a celeridade que seria necessário para que a economia saia do fundo da recessão.
Portugal entrará numa recessão profunda em 2012, tudo leva a crer. A base mirrará, pelo que crescer em 2013 sobre os seus escombros não é milagre algum nem obra de arte alguma. Esse crescimento não colocará, pois, os níveis da economia acima do legado deixado por José Sócrates, o que deixa muito a desejar a quem tanto praguejou contra o PEC 4.
Em Portugal perdeu-se a vergonha!
O país está entregue, desde longa data, e não apenas agora, a uma classe política que apenas cuida dos seus bolsos e demonstra uma profunda ignorância e falta dse sensibilidade e respeito para com os que, de facto, vivem no limite.
Que é necessário uma grande reforma em quase tudo, naturalmente que sim!
Mas isso era já preciso quando Cavaco Silva foi primeiro-ministro por duas vezes e incapaz de fazer reforma alguma, habituado aos dinheiros fáceis vindos da Europa e às medidas desastrosas para a economia portuguesa que implementou. Acabou com a agricultura e hoje fala dela, da sua necessidade, como se tivesse estado em coma profundo!
Curiosamente, o mesmo governante, que nunca quis perceber que era um político, e que reafirmava mesmo não o ser, o que diz muito da sua inteligência, caminha hoje para vinte anos de vida política sempre na primeira linha do Estado Português, se aguentar até lá, naturalmente que a vida tem as suas partidas!
Este país deve andar muito mal, com os exemplos que nos vai constantemente passando.

*Economista. Escreve neste espaço
às sextas-feiras.

 


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