000primeira
010especial
020opiniao
030local
050desporto
070actual
081jete
090cambios
091tempo
092ultima


 



 
  N°3964 (Nova Série), Segunda-Feira, 13 de Fevereiro de 2012

CERIMÓNIA DISTINGUIU MAIS DE TRÊS DEZENAS DE PERSONALIDADES E ENTIDADES DA RAEM
Vidas que resultam em medalhas

Ao todo foram 38. Um a um levantaram-se, cruzaram o palco e pisaram o tapete vermelho onde estava o Chefe do Executivo Chui Sai On. As medalhas e títulos honoríficos do ano 2011 foram atribuídos, na sexta-feira à tarde, a personalidades e entidades reconhecidas pela RAEM. Há histórias de salvamentos, dedicação a causas sociais e até empenhamentos de uma vida

RAQUEL CARVALHO

Era mais um dia a cruzar os céus entre Hong Kong e Macau. O helicóptero comandado por Richard Stuart Moffat sobrevoava o azul que une as duas regiões, quando algo de estranho aconteceu. Foi em Julho de 2010 que o piloto australiano e o co-piloto se depararam com uma falha num dos reactores. Segundos de frieza substituíram momentos de emoção. A solução passou por uma aterragem de emergência nas águas de Hong Kong, que acabou ser bem sucedida. Quase dois anos depois, Richard Stuart Moffat foi agraciado com o Título Honorífico de Prestígio pelo Governo da RAEM.
“É uma surpresa muito agradável. Não esperava nada receber semelhante distinção de Macau”, confessou o piloto, em conversa com o JTM. A viver em Macau há cerca de sete anos e a trabalhar no território, lembra que ele e o co-piloto tiveram apenas alguns “segundos para diagnosticar o problema”. Aquilo que podia ter sido uma tragédia acabou por ter final feliz, com os 11 passageiros a saírem praticamente ilesos. “Foi a minha primeira experiência do género e espero que a última”, confessa Richard Stuart Moffat.
E se a falha de aparelho marcou a existência do australiano, a entrega ao ser humano preencheu a vida do arquitecto Nuno Roque Jorge, toda ela repleta de gestos feitos “por gosto”, tanto na Cruz Vermelha como noutras instituições. “Senti que o que faço tem resultados positivos. É gratificante”, partilhou o arquitecto, no final da cerimónia. Actualmente, enquanto presidente da “Associação das Famílias Ásia-Pacífico”, Nuno Roque Jorge continua a entregar-se a causas: “questões relacionadas com crime e corrupção, droga e conflitos entre o conceito de família tradicional e a sociedade actual, para além dos problemas de habitação social, questões da terceira idade e migrações com os refugiados”.
O homem que já acumula oito medalhas de reconhecimento junta agora à colecção a primeira de mérito altruístico recebida na Era da RAEM, deixando o aviso para que o território se prepare para o futuro. “O crescimento de Macau põe-nos num caminho desconhecido e, por isso, temos de precaver-nos, nomeadamente no que toca às famílias e à juventude”.
SONHOS E VONTADES. Para além de dezenas de figuras individuais, foram ainda distinguidas duas instituições portuguesas. O Banco Nacional Ultramarino (BNU), que completa em Setembro 110 anos de vida, recebeu a Medalha de Mérito Industrial e Comercial. “Sentimos uma grande honra, num ano particularmente importante”, salientou o presidente da Comissão Executiva do BNU em Macau, Pedro O. Cardoso. “Nos grandes momentos de Macau, o BNU sempre esteve à altura das circunstâncias e estamos certo de vai continuar a estar no futuro. É uma grande satisfação que as autoridades reconheçam isso, porque acima de tudo o BNU é um banco de Macau”, acrescentou o presidente Rodolfo Lavrador
Segundo o mesmo responsável, a principal preocupação continuará a ser “trabalhar em prole das comunidades”. O futuro espera-se “ainda melhor do que o passado”, adicionou Pedro O. Cardoso, que não quis revelar projectos concretos. “A seu tempo. Em breve”, respondeu, de modo lacónico.
Num misto de emoção, Maria Amélia António também subiu ao palco do Centro Cultural de Macau para receber em nome da Casa de Portugal em Macau a Medalha de Mérito cultural. O reflexo de uma década de “trabalho, muitos sonhos, vontade e às vezes também muita decepção”. Visivelmente emocionada, a dirigente associativa sublinhou que “a medalha pertence à comunidade portuguesa”.
O pequeno objecto colocado ao pescoço da advogada pelas mãos de Chui Sai On “é a concretização de muitas coisas” e é também a prova de que os portugueses são uma “mais-valia na RAEM”. Além disso, mostra que a Casa de Portugal em Macau “é uma associação de actividade contínua e consequente”. Revendo dificuldades, amarguras e alegrias, Maria Amélia António garante que o reconhecimento oficial “é um grande prazer e uma alegria”, trazendo “animo a todos os que ao longo destes 10 anos contribuíram, uns na frente e outros na retaguarda”. Porque tudo o que já foi feito é fruto de muito “trabalho colectivo”.
A tradutora Manuela Sousa Aguiar, agraciada com a Medalha de Dedicação, o advogado António Dias Azedo, que recebeu a Medalha de Mérito Profissional, e a empresária Tina Ho, galardoada com a Medalha de Honra – Lótus de Prata, foram outras das personalidades que mereceram a distinção pública.

 


 [Alto] [Anterior] [Voltar]




HOME  .  E-MAIL  .  FICHA TÉCNICA  .  EDIÇÕES ANTERIORES  .  PUBLICIDADE  .  PRIMEIRA

Copyright (c) Jornal Tribuna de Macau, All rights reserved
Design and maintainence by Directel Macau Ltd