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  N°3687 (Nova Série), Quinta-Feira, 24 de Fevereiro de 2011
LÍBIA
Uma enorme ameaça à oferta de petróleo

A escalada de violência na Líbia pode representar a maior ameaça para a oferta global de petróleo desde a invasão no Iraque, há oito anos, segundo os analistas contactados pela agência de informação financeira Bloomberg

O Brent subiu 3,2 por cento nos últimos dois dias na bolsa de futuros de Londres após os violentos protestos que eclodiram na Líbia contra o regime de Muammar Khadafi, em comparação com o avanço de 2,7 por cento durante as duas semanas anteriores, quando os Egípcios realizaram protestos anti-governamentais que terminaram no afastamento do presidente Mubarak.
O receio é que os confrontos da Líbia coloquem em risco as exportações de um dos maiores fornecedores de petróleo da África pela primeira vez desde que começaram os protestos no mundo árabe, mais precisamente na Tunísia, em Dezembro.
“Existem algumas semelhanças entre a situação actual e a da última Guerra do Golfo, no Iraque, no sentido em que pode haver interrupções no fornecimento de petróleo”, disse Harry Tchilinguirian, estratega do mercado de mercadorias do BNP Paribas, citado pela Bloomberg.
“A diferença é que hoje não é previsível a duração dos acontecimentos no Médio Oriente nem o seu âmbito geográfico”, acrescentou.
A produção diária de petróleo do Iraque caiu de 2,5 milhões de barris por dia para 140 mil barris nos dois meses que terminaram em Abril de 2003, quando as tropas lideradas pelos Estados Unidos invadiram o Iraque para derrubar Saddam Hussein. O país levou cinco anos a regressar aos níveis pré-invasão.
O líder líbio, Muammar Khadafi, apareceu na televisão estatal na terça-feira a prometer lutar contra a crescente revolta até à “última gota de sangue”. Vários diplomatas líbios já pediram demissão e soldados desertaram em protesto contra a violenta repressão aos manifestantes anti-governamentais, que já provocou centenas de mortos.
Em comparação com o Egipto, cujo principal preocupação se relacionava com a eventual supressão da circulação de petroleiros no Canal do Suez, a situação na Líbia provoca muito mais preocupação.
A Líbia, que produz cerca de 1,8 milhões de barris por dia, é o nono maior produtor dos doze países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, exportando a maior parte de seu petróleo para a Europa.
“A agitação vai manter o preço elevado do petróleo no segundo trimestre, com o Brent a ficar acima dos 100 dólares nas próximas semanas que vem”, disse Axel Herlinghaus, analista sénior do DZ Bank AG, em Frankfurt, acrescentando que em caso da interrupção do petróleo da Líbia a “Arábia Saudita irá provavelmente aumentar a sua produção”.
A crise na Líbia já implicou vários constrangimentos entre as petrolíferas que actuam no país. A italiana Eni, a maior operadora estrangeira no país, informou que algumas actividades foram suspensas e começou a evacuar trabalhadores “não essenciais” e as famílias dos seus funcionários.
A britânica BP também anunciou que vai evacuar uma parte dos funcionários da empresa, o que resultará na suspensão dos trabalhos de perfuração na região de Ghadames, no oeste do país.
A norueguesa Statoil e as alemãs Wintershall e RWE Dea também já procederam à evacuação dos seus trabalhadores, assim como a francesa Total.
JTM/Lusa

Ministro do Interior anuncia deserção

O ministro do Interior líbio, Abdel Fattah Younes al Abidi, anunciou a sua deserção e o apoio à “Revolução 17 de Fevereiro”, informou a TV Al-Jazeera que exibiu imagens de um vídeo amador mostrando Abidi no seu gabinete a ler um comunicado, em que exortou o Exército a juntar-se ao povo e às suas “legítimas exigências”. A renúncia aconteceu no meio do sexto dia de confrontos entre manifestantes e forças de segurança durante protestos pela renúncia do líder Muamar Khadafi, há 42 anos no poder. Em tom de desafio, Khadafi afirmou numa intervenção televisiva que não deixará o cargo, e apelando aos seus partidários a irem às ruas para pôr fim aos protestos. Depois do discurso, segundo a rede Al-Jazeera, houve uma intensa troca de tiros no centro da capital, Tripoli. O canal acrescentou que os confrontos e os disparos ocorreram no bairro de Bin Ashur e na avenida al-Jumhuriya, no centro da capital. Em Benghazi, a segunda maior cidade do país localizada a mil quilómetros a leste de Tripoli e foco da insurreição, o discurso de Khadafi na rede de televisão estatal causou revolta entre os manifestantes. Segundo testemunhos à “Al Jazeera”, além de gritarem, os opositores lançaram sapatos contra a imagem do líder, um gesto de desprezo no mundo árabe. De acordo com os primeiros dados oficiais apresentados pelo regime de Khadafi desde o início dos protestos, a violência no país fez 300 mortos, incluindo 58 militares. Cerca de metade das mortes ocorreu em Benghazi.

 


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