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  N°3687 (Nova Série), Quinta-Feira, 24 de Fevereiro de 2011
um ponto é tudo
Europa como barata tonta

Ferreira Fernandes

Antes, à esquerda, Zapatero dizia para se investir em Marrocos, Sócrates, na Líbia e, à direita, Berlusconi pactuava com Kadhafi e a ministra francesa dos Negócios Estrangeiros Alliot-Marie ia passar férias tunisinas no avião de um primo de Ben Ali.
Esse antes foi ontem, há pouco mais de dois meses, ainda não se incendiara metade do mundo árabe. Nesse antes, ninguém viu vir a situação que acabou por chegar.
O agora é aquela situação para a qual todos já têm uma explicação.
A mais recente foi do primeiro-ministro David Cameron. Ontem, admitiu que a Europa apoiara os regimes autoritários para garantir a estabilidade. E concluiu: “Como os acontecimentos recentes confirmaram, negar às pessoas os seus direitos básicos não preserva a estabilidade, mas sim o inverso.”
Actos de contrição em políticos são raros, mas não nos embalemos na ingenuidade: Cameron estava no Kuwait, país onde foi vender armas, e falava no Parlamento local, onde os deputados são eleitos por uma minoria da população (a maioria, imigrada, não tem direitos cívicos)...
Tudo na mesma, portanto.
O mais honesto, se calhar, é admitir que se está, hoje, como antes de a pacata Tunísia ter incendiado a rua árabe.
Ontem não se adivinhou o que estava prestes a chegar, e agora ainda não temos explicação para o que se passa.
A táctica já deu provas: só saber que nada sabe já ajudou o Ocidente a compreender muita coisa.

JTM/DN

 


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