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  N°3687 (Nova Série), Quinta-Feira, 24 de Fevereiro de 2011
um outro olhar
Um primeiro passo

Jorge Silva*

1. Um primeiro passo histórico sobre a aplicação do salário mínimo em Macau foi dado esta semana. De questão tabu, o salário mínimo entrou na agenda política do território a pouco e pouco, acabando por juntar à mesma mesa patrões e empregados.
Após três horas do Conselho de Concertação Social, foi possível o consenso entre patrões e empregados sobre a fixação do salário mínimo, embora só para trabalhadores de limpeza e seguranças. É pouco? Claro que sim, mas é o tal primeiro passo depois de anos e anos em que essa possibilidade nem sequer se colocava devido à intransigência do patronato apoiado pelos deputados patriotas.
No entanto, a partir do momento em que Hong Kong começou a ponderar a matéria, sabia-se que Macau iria seguir os mesmos passos. Com a riqueza que por aqui abunda, seria um escândalo protelar uma situação já de si insustentável face aos níveis de desenvolvimento da RAEM e ao brutal aumento do custo de vida.
É tempo, também, de Macau acertar as horas com o que se passa em outras paragens ou, pelo menos, mostrar um rosto humano, mesmo que vivamos numa sociedade de capitalismo ultra-liberal com as suas próprias especificidades...

2. A contestação ao poder nos países árabes está a causar sobressaltos em várias latitudes, incluindo, naturalmente a China, o país que nos acolhe. A comparação faz algum sentido, porque estamos lá e cá, perante regimes de partido único ou, no limite, uma certa forma de construção do Estado em torno de uma ideologia ou de um poder único e absoluto.
No caso chinês, todavia, há diferenças que se impõem a começar pela forma como esse poder é exercido. Se nos países árabes a eternização no poder da mesma pessoa ou dirigente é uma regra, na China o caso foi resolvido justamente depois de uma revolta popular, após as manifestações de Tiannanmen 1989.
Numa forma habilidosa de iludir os tentáculos do Partido Comunista, Deng Xiao Peng avançou com uma nova directiva que estabelecia um horizonte político aos presidentes do país e primeiros-ministros de dez anos.
O desenvolvimento económico da China e a criação de oportunidades aos cidadãos contribuíram, igualmente, para a formação de uma esperança de vida totalmente diferente do colete de forças religioso-político do mundo árabe, apesar das discrepâncias sociais que geraram no continente com as consequentes e perigosas tensões que acabaram por suceder.
Mas os regimes totalitários terão de se reinventar, se é que isso é possível. O Mundo mudou, está mais perigoso, as redes sociais constituem a nova arma dos cidadãos e o destino costuma ser fatal.

*Jornalista

 


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