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  N°3687 (Nova Série), Quinta-Feira, 24 de Fevereiro de 2011
editorial
As revoluções e a Tv

José Rocha Dinis

A questão não é nova, mas ganha maior força após a saída de cena dos ditadores da Tunísia e Egipto, na sequência de enormes manifestações populares, com transmissão televisiva em directo: até que ponto os “media” internacionais influenciaram o sucesso dos levantamentos populares?
A questão tem razão de ser, neste preciso momento. Com as transmissões directas ao segundo da CNN, BBC e Al Jazeera e o apoio das redes sociais, esses levantamentos foram fulminantes.
Em poucas semanas (no Egipto pouco mais de duas) líderes com décadas de poder, foram removidos e as Forças Armadas nacionais passaram a gerir o processo, ainda que com diferenças e futuro nem sempre muito claro.
Pelo contrário, na Líbia, com cerca de três centenas de mortos confirmados (215 dos quais civis), o Governo dividido, parte do país já em poder dos opositores, e muitas famílias líbias a fugirem para Itália, Egipto e Tunísia, Muammar Khadafi continua a resistir.
A diferença é que, como acontece com as violentas demonstrações que se têm sucedido na África subsaariana, as câmaras de televisão não estão lá. Ninguém sabe, neste momento, qual é a situação real que se vive em Tripoli, como ninguém sabe quantos e como estão a ser reprimidos os manifestantes opositores no Gabão, nos Camarões, na Costa do Marfim, etc, etc.
Por mais ameaças que faça, Khadafi não vai durar muito, com ou sem directos nos media internacionais.
Mas poderia já ter caído se as câmaras das grandes cadeias internacionais tivessem transmitido as formas de repressão do regime.

 


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