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  N°3666 (Nova Série), Quinta-Feira, 27 de Janeiro de 2011
CONFERÊNCIA INTERNACIONAL REÚNE MAIS DE DUAS DEZENAS DE INVESTIGADORES
Encruzilhadas culturais da lusofonia na USJ

Pretende encontrar novos sentidos e novos lugares para a lusofonia no mundo. Nessa busca, estarão envolvidos mais de duas dezenas de investigadores, vindos de diferentes pontos do globo. “A Lusofonia entre encruzilhadas culturais” é o nome da conferência que decorre entre os dias 24 e 26 do próximo mês, na Universidade de São José. Fica prometida uma discussão “multidisciplinar” em torno da identidade lusófona e da língua portuguesa no contexto da globalização

raquel carvalho

Esta será a primeira das duas grandes conferências deste ano na Universidade de São José (USJ). Antes de um congresso internacional, que deverá ocorrer em Outubro, sobre os cem anos da República Chinesa, a USJ recebe no próximo mês uma conferência intitulada de “A Lusofonia entre encruzilhadas culturais”. Vindos de geografias tão distintas como Cabo Verde, São Tomé, Moçambique, Timor-Leste, Brasil, Alemanha, Grécia, EUA ou China, 23 investigadores vão debater sobre “o papel da lusofonia e da língua portuguesa como possível espaço cultural da globalização”, revela ao JTM, o vice-reitor da USJ, Ivo Carneiro de Sousa.
O evento decorrerá durante os dias 24 a 26 de Fevereiro, no auditório da instituição académica, cuja limitação é de 110 lugares, sendo que o último dia está reservado para uma visita ao património histórico local. “Uma parte da conferência destina-se aos nossos alunos de mestrado de Estudos Lusófonos e aos alunos dos últimos anos de licenciatura, porque no terceiro e quarto anos os alunos têm que estudar obrigatoriamente português, de maneira que é uma boa altura para participarem, colaborarem e discutirem estes problemas da lusofonia entre encruzilhadas culturais”, salienta o mesmo responsável.
“Problemas relacionados com a territorialização da globalização, problemas sociais e questões relacionadas com a sustentabilidade e participação como pilares de um novo modelo de desenvolvimento” serão desafios em cima da mesa, num seminário apoiado pelo Centro de Estudos Africanos da USJ. Além disso, “estamos a tentar organizar uma pequena mesa de debate, que ainda não fechámos, só com participantes de Macau”. As motivações são simples: “Neste momento, há muito pouco espaço para isso, mas gostávamos de colocar algumas pessoas de Macau a pensar sobre esta questão da identidade lusófona ou a questioná-la. O lugar de Macau, tendo em conta toda esta estratégia de Pequim de tornar o território em plataforma comercial e de investimento nos Países de Língua Oficial Portuguesa...E o que é que isso adianta para este debate sobre lusofonia e as relações entre os Países de Língua Oficial Portuguesa”.
A par das sessões de debate, haverá ainda uma noite musical ao som de partituras assinadas pelo compositor português Fernando Lopes-Graça. Actualmente, segundo Ivo Carneiro de Sousa, está confirmada a participação de 23 investigadores. “A maioria das apresentações vai ser em português, mas também haverá algumas em inglês, com professores, por exemplo, da Alemanha ou dos EUA, e também em chinês, pela voz de uma investigadora da Academia de Ciências Sociais de Pequim e de outra da Universidade de Fudan, em Xangai”. Neste último caso, está garantida a tradução simultânea para português e inglês.
Ivo Carneiro de Sousa conta como foi a escolha dos que vão tomar a palavra. “Fomos seleccionando os candidatos a conferencistas sobretudo procurando chamar-lhes a atenção para pensarem os países de língua portuguesa e onde circula a língua portuguesa como territórios da globalização. Falo de locais nacionais ou supranacionais em que circulam formas ou modalidades de globalização”, esclarece o vice-reitor. Nessa perspectiva, “receberemos não só académicos dos países de língua portuguesa oficial, mas também vamos ter investigadores da Alemanha, Grécia e EUA, que estando noutro horizonte geográfico, poderão dar uma visão do que é para eles o papel da lusofonia e da língua portuguesa como possível espaço cultural da globalização, que é o que nos interessa investigar e discutir”.
DIFERENTES DIMENSÕES. O vice-reitor da USJ lembra que “o conceito de lusofonia não é propriamente um conceito absolutamente consensual”. Por isso, pelas margens da discussão devem passar não só questões relacionadas com a “dimensão do Estado-nação, mas também com dimensões supranacionais e globais”.
“É preciso pensar e, ao mesmo tempo, discutir com rigor académico e científico o que é verdadeiramente a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), já que se essa investigação for feita do ponto de vista exclusivamente económico, a conclusão a que se chega é que os países são fundamentalmente concorrentes. O Brasil, por exemplo, é um concorrente de Portugal em Angola. Portanto, do ponto de vista economicista, a comunidade terá muito pouco futuro”, prevê o vice-reitor da USJ. Dentro dessa lógica, a conferência analisará mais a comunidade “do ponto de vista cultural, académico e linguístico”.
O modelo da “agência da francofonia” servirá de ponto de comparação, com o conselheiro científico da embaixada francesa em Hong Kong, Benoit Gaudin, a ser um dos convidados do evento. “Tratando-se de um sociólogo francês que foi professor no Brasil poderá comparar a francofonia e a lusofonia. Até porque o modelo da agência da francofonia é bastante cultural, dá bolsas, tem a sua própria agenda de colóquios nos diferentes países de língua oficial francesa...”. Outro modelo que também pode servir de base a discussão, refere ainda Ivo Carneiro de Sousa, é o da ‘Commonwealth’.
Prometida fica, então, uma discussão “multidisciplinar sobre o conceito da ‘lusofonia’ e a necessidade de o libertar, quer das visões idílicas com raízes no passado colonial, quer dos fantasmas que ainda sobrevoam a memória histórica comum”. “Transições epistemológicas”, “Perspectivas históricas e sociolinguísticas”, “Encruzilhadas culturais” e “Cartografias políticas” darão mote a quatro sessões diferentes de debate.
No caso da primeira mesa, de acordo com uma nota de imprensa, o objectivo é “revisitar o conceito de ‘lusofonia’ a partir dos diversos contextos nacionais e culturais onde a língua portuguesa continuamente se reinventa”. Já o segundo painel recordará “as várias línguas crioulas de base portuguesa, fruto de uma encruzilhada entre a diáspora portuguesa e diversas populações e línguas locais”. Isto com o intuito de “revisitar os percursos das línguas e das literaturas presentes nos países cuja história marcou e foi marcada por Portugal”.
A terceira sessão reflectirá sobre a forma como “o local e o global comunicam entre si no campo cultural e se ligam a um passado comum ou pelo contrário escolhem romper os laços unificadores”. Por fim, “o relacionamento entre países de língua oficial portuguesa, pensado na sua dimensão política e tendo ou não como matriz a CPLP, será o tema catalisador” da última sessão.

 


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