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  N°3666 (Nova Série), Quinta-Feira, 27 de Janeiro de 2011
MAGNATA DIZ QUE DISPUTA FAMILIAR FOI RESOLVIDA
Stanley Ho confirma transferência de acções

Depois de mais um dia de versões contraditórias, Stanley Ho confirmou que transferiu para a posse de familiares a sua participação directa na STDM. Em entrevista à TVB, assegurou ainda que o “grande problema” foi sanado no seio da família e não vai chegar aos tribunais

Stanley Ho esteve reunido com familiares para tentar resolver o diferendo em torno do controlo do seu império e parece ter colocado um ponto final na polémica. Em entrevista concedida ontem à televisão TVB, o magnata confirmou que transferiu para a sua família uma posição de 31,7 por cento na Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM), “holding” que controla 56 por cento da Sociedade de Jogos de Macau (SJM).
“O grande problema foi resolvido”, disse Stanley Ho à TVB, manifestando-se satisfeito com a decisão tomada. “Eu e os membros da minha família ficámos muito infelizes recentemente por causa das disputas”, salientou o empresário, cujos comentários foram precedidos, durante dois dias, pela divulgação de comunicados contraditórios por parte dos seus advogados e da empresa de relações públicas contratada por membros da família, que terão sido acusados de apropriação indevida das acções.
O magnata também prescindiu dos serviços do advogado que tinha sido encarregue de resolver a disputa familiar. “Se eles podem sentar-se à mesa e resolver isto, a missão está cumprida”, afirmou à agência Bloomberg, Gordon Oldham, o causídico que disse ter sido contratado por Ho para recuperar as acções. No entanto, a sua firma de advocacia, a “Oldham, Li & Nie” também ressalvou que vai continuar a representar os interesses de Stanley Ho no futuro.
Stanley Ho passou a noite de terça-feira reunido com familiares para tentar resolver a “batalha” que foi desenhada em torno do seu império empresarial, tendo sido fotografado pela imprensa de Hong Kong no interior de um automóvel, quando saía da casa da sua terceira mulher, Ina Chan, acompanhado pela quarta esposa, Angela Leong, e a filha Sabrina. Cerca da meia noite, Ina Chan divulgou uma declaração em chinês, também assinada por Stanley Ho, onde era referido que “este é um problema familiar e não existe necessidade de qualquer advogado estar envolvido”.
Por outro lado, foram repudiadas as afirmações bombásticas que o advogado Gordon Oldham tinha proferido na segunda-feira e que fizeram a manchete do jornal South China Morning Post (SCMP). Oldham disse na altura que o bilionário terá ficado “horrorizado” quando descobriu que a sua titularidade a 100% da empresa “Lanceford” – que detém 31,6% da Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM) - tinha ficado reduzida a 0,02%, tendo o controlo da “holding” ficado na posse da sua terceira mulher, Ina Chan e dos filhos que teve com a segunda mulher, nomeadamente Pansy, Daisy, Maisy, Lawrence e Josie. O causídico referia mesmo que familiares de Ho se terão “apropriado de forma fraudulenta” de acções das suas empresas.
A mesma declaração também indiciava que Stanley Ho terá ficado desagradado com as declarações do advogado e que decidiu despedi-lo. “Ele já não me representa. Pedi à minha terceira mulher para tomar conta desta matéria e espero que todos valorizem a harmonia, que traz riqueza. Hoje sinto-me optimamente e a minha disposição está estável. Espero que a minha família aceite as minhas decisões”, referiu Chan, alegadamente em nome de Stanley Ho.
Ontem, antes da entrevista de Stanley Ho à televisão, Oldham reagiu, referindo que não foi demitido e que ele e a sua equipa continuam a trabalhar para o empresário. “Não damos muita relevância a um comunicado de imprensa divulgado à meia noite por terceiros que estão largamente interessados neste caso”. Para Oldham, a declaração não passava de “business as usual”.
A declaração lida por Ina Chan aos jornalistas que se deslocaram à sua mansão foi interpretada pelo jornal “Standard” como “uma forma de tentar acabar com a especulação quanto a uma ruptura entre a segundas e terceira mulheres do milionário, de um lado, e a quarta do outro”. De acordo com este documento, Stanley Ho é citado como tendo feito a seguinte declaração: “Ouvi na televisão que a distribuição de acções foi feita contra a minha vontade e que documentos fraudulentos foram feitos por familiares meus. Houve mesmo alegações de roubo. Estou muito triste e frustrado quanto a isto. Tomei a decisão de distribuir as minhas acções na SJM e na STDM com 100 por cento de sinceridade. Ninguém me forçou a tomar tal decisão”.
Além disso, acrescentou que a distribuição voluntária das acções foi feita por Stanley Ho Ho na esperança de que os seus familiares “continuem a trabalhar duramente, fazendo contribuições para instituições de beneficência e para a sociedade”.
O magnata dava mesmo um conselho a esses familiares: “Tudo o que têm a fazer é tratar os vossos irmãos e irmãs bem e valorizar a harmonia. Não podem entrar em conflito quanto à titularidade das empresas”. Na declaração, Stanley Ho reafirmou a sua decisão quanto à distribuição das acções e lançou mesmo um aviso: “Se alguém usar memorandos com as minhas assinaturas para alterar esta distribuição de acções, então esses documentos não são verdadeiros e, por isso, não podem ser usados como documentos legais.”
TROCA DE CARTAS POUCO ESCLARECEDORA. A edição de ontem do SCMP destacava ainda as diferenças entre as cartas trocadas entre Stanley Ho e uma das suas filhas no início do ano, que reproduziu na íntegra. Assim, a 5 de Janeiro, o magnata de 89 anos enviou uma carta à sua filha, Daisy Ho, após ter sabido que Daisy e os quatro irmãos - Pansy, Maisy, Josie e Lawrence - juntamente com a terceira esposa, Ina Chan, tinham tomado controlo de parte do império que passara décadas a construir. Tal terá sido feito sem o seu “consentimento e conhecimento”, escreveu a Daisy Ho, numa missiva onde referia que tinha a intenção de distribuir os seus principais activos igualmente entre cada uma das suas quatro famílias, que incluem três mulheres e 16 filhos sobreviventes.
“Eu tentei telefonar e contactar através de SMS, bem como através da sua secretária, para que comparecesse pessoalmente e me explicasse o que está a acontecer”, escreveu Stanley Ho a Daisy. “No entanto, você não respondeu e não tenho outra forma que não seja esta carta para lhe ordenar que venha à minha casa, em Repulse Bay Road No1”, escreveu ainda. A carta tem a assinatura de Stanley Ho.
Se esta primeira missiva sugere que Stanley Ho desejou uma distribuição igual da sua participação da STDM entre as quatro famílias, uma segunda carta, onde Daisy responde ao pai, alega que ele desejava algo completamente diferente. “Em primeiro lugar, quero pedir desculpas por não estar disponível para vê-lo na quarta-feira à tarde [05 de Janeiro], porque estava muito ocupada. Ina, Pansy e eu, no entanto, encontrámo-nos consigo na noite de quarta-feira e estou contente por ter sido esclarecido qualquer mal-entendido que possa ter havido”, referia a carta datada de 7 de Janeiro.
Na carta, Daisy referiu ainda “ficaria feliz” em agendar uma reunião familiar para discutir o futuro dos negócios que Stanley Ho “estabeleceu com tanto sucesso ao longo dos últimos 40 anos”. Depois disso, há um “endosso na cópia da carta”, “aprovado e assinado” por Stanley Ho, onde se lê: “Isto é um reconhecimento de que eu reafirmo as minhas instruções em relação à minha doação de acções da STDM para Lucina e Ina”. Um dado que representava uma contradição com os argumentos usados pelo magnata na primeira carta, mas que entretanto parece ter sido solucionada em família.

Acções da SJM caíram 4,9%

As acções da Sociedade de Jogos de Macau em Hong Kong encerraram ontem a negociação a perder 4,928 por cento para 13,12 dólares de Hong Kong. Ao longo do dia, as acções da operadora flutuaram entre os 13,54 e os 12,58 dólares de Hong Kong, naquele que foi o primeiro dia de negociação após um dia de suspensão na sequência das divergências na família de Stanley Ho. A SJM Holdings enviou ainda na terça-feira um comunicado à Bolsa de Hong Kong em que salientou ter sido informada da disputa de Stanley relativamente à reestruturação da empresa Lanceford, maior accionista individual da Sociedade de Turismo e Diversões de Macau e que controla a maior parte da riqueza do magnata. A empresa acrescentou ter tido conhecimento que Stanley Ho estava a procurar formas de resolver o diferendo familiar e que tal não afecta diretamente a SJM, tendo, por isso, decidido retomar ontem a negociação em bolsa, acrescentando que irá divulgar um novo comunicado quando julgar apropriado.

Chui Sai On elogia Stanley Ho

Fernando Chui Sai On não considerou ontem conveniente tecer comentários sobre as disputas na família de Stanley Ho, referindo, no entanto, que o Governo ainda não recebeu qualquer informação sobre a alteração de quotas da Sociedade de Jogos de Macau. Em declarações aos jornalistas, o Chefe do Executivo fez ainda questão de elogiar “o carácter de filantropo de Stanley Ho e os muitos contributos e acções do magnata em prol da sociedade de Macau”, segundo refere uma nota oficial

 


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