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  N°3666 (Nova Série), Quinta-Feira, 27 de Janeiro de 2011
EXPORTAÇÕES COM ISENÇÃO DE DIREITOS QUADRUPLICARAM EM DOIS ANOS
CEPA gera “boom” de negócios

O impacto do acordo CEPA nas trocas comerciais entre Macau e o Continente chinês ganhou finalmente expressão em 2010, com o volume das exportações locais a crescer quase 70 por cento face ao ano anterior. Comparativamente a 2008, a subida chegou aos 313 por cento

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As vendas de mercadorias da RAEM enquadradas no âmbito do Acordo de Estreitamento das Relações Económicas e Comerciais entre o Interior da China e Macau (vulgo CEPA) alcançaram um novo recorde anual em 2010, contrariando ao mesmo tempo a quebra verificada no cômputo geral do comércio externo.
Entre Janeiro e Dezembro do ano passado, o valor total das exportações de mercadorias com isenção de direitos aduaneiros ultrapassou os 65,2 milhões de patacas, o que representa um acréscimo de 68,48 por cento em comparação com o montante apurado ao longo de 2009, revelam dados publicados na página da internet dedicada ao acordo CEPA.
Depois de uma queda entre os meses de Junho e Setembro, as vendas com o “selo” do CEPA dispararam no último trimestre de 2010, chegando a atingir quase oito milhões de patacas em Dezembro, uma marca ainda assim aquém do recorde mensal absoluto (9,4 milhões de patacas), registado em Abril.
Os números de 2010 representam um salto ainda mais significativo se tivermos como base de comparação o ano de 2008, tendo em conta que o valor das exportações isentas de direitos aduaneiros mais do que quadruplicou face aos 15,8 milhões então contabilizados.
Com as contas do ano transacto encerradas, o montante acumulado das exportações efectuadas ao abrigo do CEPA entre Janeiro de 2004 e Dezembro de 2010 ascende a aproximadamente 167 milhões de patacas, um número já mais condizente com as expectativas criadas em torno do acordo firmado pelos Governos de Pequim e Macau.
Por outro lado, no capítulo do comércio de serviços abrangido pelo acordo, foram emitidos 410 Certificados de Prestador de Serviços de Macau em sete anos.
O crescimento dos negócios associados ao CEPA contrasta com o recuo contínuo das vendas de mercadorias de Macau aos diversos mercados mundiais, que baixaram 8,2 por cento para 6,42 mil milhões de patacas nos onze primeiros meses de 2010, de acordo com os últimos dados divulgados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos. Em termos dos principais destinos das exportações, os aumentos nos mercados de Hong Kong (mais 2,8 por cento) e China Continental (mais 2,3 por cento) foram insuficientes para contornar as descidas assinaladas nos casos dos Estados Unidos (menos 41,4 por cento) e União Europeia (menos 38,0 por cento). Entre Janeiro e Novembro, os produtos têxteis e vestuário exportados movimentaram 1,50 mil milhões de patacas (menos 35,9 por cento), representando 23,3 por cento do total vendido. Já os produtos não têxteis exportados subiram 5,7 por cento para 4,92 mil milhões de patacas.
O acordo CEPA, que foi formalizado em Outubro de 2003, contempla o comércio de mercadorias, serviços e a cooperação para investimentos, mas o seu conteúdo tem sido sucessivamente alargado nos últimos anos. O último dos sete suplementos foi assinado pela China Continental e RAEM no final de Maio de 2008, passando a integrar cláusulas que visam intensificar a cooperação em áreas como o ambiente, as indústrias culturais, a educação ou o sector das convenções e exposições.
No capítulo do comércio de serviços, as estatísticas oficiais revelam que, até ao final de Dezembro de 2009, o acordo CEPA conduziu à constituição no Continente chinês de mais de sete centenas de empresas e estabelecimentos industriais e comerciais em nome individual, por parte de empresas ou residentes de Macau. O número total inclui 16 empresas que estabeleceram 34 dependências e escritórios em províncias e cidades da China Continental, com destaque para a Província de Guangdong, que absorveu mais de 70 por cento. Transportes e logística, publicidade, convenções e exposições e turismo são os ramos de actividade predominantes no grupo de empresas que decidiram aproveitar as oportunidades criadas pelo CEPA para investir no Continente chinês.

 


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