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  N°3572 (Nova Série), Quinta-Feira, 30 de Setembro de 2010
ABERTA EXPOSIÇÃO DE CARLOS MARREIROS
“Um pequeno capítulo da Guerra do Tabaco”

O arquitecto Carlos Marreiros expõe na galeria da Macau Creations desenhos que mostram o prazer de fumar mas também o “lirismo” e a vida riscada em papel

FÁTIMA ALMEIDA

A exposição “Some Smoky Stories”, patente na galeria da Macau Creations é mesmo isso – um conjunto de pequenas histórias “fumegantes” que pertencem à “Guerra do Tabaco”. As 13 peças expostas fazem parte de uma colecção de 50 desenhos que guardam o prazer por um cigarro, histórias de amor e futebol. E mais. Fundamentalmente são rasgos da vida em pedaços de papel transformado.
É na verdade mais um traço do artista: um desenho compulsivo. Carlos Marreiros tem uma vida “fundamentalmente” ligada à Arquitectura, mas a pintura e o desenho não deixam de lhe sair das mãos num andar alto com vista para o Porto Interior. “Estou constantemente a desenhar”, salientou o arquitecto ao JTM, confessando ainda que, por exemplo, até nas viagens de avião não gosta de ficar “preso a uma cadeira”. E por isso abre espaço à liberdade nas folhas de papel.
O prazer dos cigarros, “o mais íntimo e não partilhado de uma pessoa”, que é o seu, está lá nestes quadros, como na vida, a par com a visão multiplicada em “frames” que captou do mundo e converteu. Não o esconde e não o incentiva.
O fumo do tabaco sai-lhe da ponta do lápis tal como o do automóvel ou o das chaminés que brotam a poluição das fábricas, “outras coisas que fazem mal”, mas não merecem tantas críticas visíveis.
Há momentos de revolução nos desenhos que substituem palavras, arrancando significados maiores ou menores dependendo do olho em questão. A sátira e a ironia também lá assomam.
Do lápis aguçado saíram também trechos “de futebol” e de “armaduras medievais” misturadas. “Faz-se de trovadores, de lirismo e histórias de amor”, diz o artista, no rasto do entusiasmo que também teceu por Segóvia e pelos seus castelos.
Como contou ao JTM Carlos Marreiros, esta exposição é apenas uma amostra. Às 13 obras juntam-se outras que no primeiro trimestre do próximo ano vão chegar aos olhos de Pequim, através da AFA. No total são 50 desenhos e uma instalação “feita com caixas de tabaco e vídeos”, acrescentou.
Até 30 de Novembro é possível ver “este pequeno capítulo” da “Guerra de Tabaco”. Buscar “reflexões” ou a “diversão”. Arriscar sentidos no mundo partilhado do artista. “Eu diverti-me muito a fazer os desenhos”, confessa. Os desenhos que às vezes cortam palavras como se abrissem um parênteses invisível para outros mundos. É a primeira de várias exposições que estão a ser preparadas pela loja da Macau Creations, aberta há cerca de dois meses, junto às Ruínas de São Paulo.

 


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