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  N°3572 (Nova Série), Quinta-Feira, 30 de Setembro de 2010
um ponto é tudo
O perigo mora em casa

Ferreira Fernandes

O patrão da Segway foi morto por uma Segway.
É história antiga: “Até tu, Brutus?”, espantou-se Júlio César, dando-se conta de que a punhalada, por definição, vem dos próximos.
Na verdade, Jimi Heselden nem tinha inventado a Segway, só tinha comprado a marca, mas desenvolvia um modelo, esse que o matou, para os caminhos tortos do campo.
Em 2002, a primeira Segway foi apresentada como a viatura do século XXI, simples, só duas rodas e não poluente.
Não foi o sucesso que se esperava (muito cara, 5 mil euros), daí o inventor, o americano Dean Kamen, a ter vendido ao empresário inglês que agora lhe morreu às mãos.
É o fim da Segway?
Jim Fixx, propagandista mundial do jogging, morreu aos 52 anos durante uma corrida e não foi isso que impediu a continuação da venda de sapatilhas.
Já nos habituámos à criatura que morde o criador: Marie Curie, depois de ter descoberto o elemento rádio, morreu de cancro por causa da exposição às radiações e Galileu quase cegou por estudar o Sol.
E há Alexander Aleksandrovich Bogdanov (1873-1927), médico e economista, que esteve para ser vítima de uma das formas mais banais de parricídio, a política: dos primeiros bolcheviques, ele foi preso pela polícia soviética, em 1923, acusado de sabotar a Revolução.
Sobreviveu, dedicou-se à medicina e foi o precursor das transfusões de sangue.
Morreu por causa das transfusões que fez a si próprio.

JTM/DN

 


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