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  N°3398 (Nova Série), Ter¬a-Feira, 2 de Mar¬o de 2010
Zimbabwe: da fartura ao desespero numa década

Mugabe, no poder desde 1980, transformou antigo celeiro da África Austral num país dominado pela miséria e pela repressão

Foi há dez anos que o regime do Presidente Mugabe deu início à invasão e expropriação sistemáticas de propriedades agrícolas que pertenciam aos brancos que se mantiveram no país após a independência do Reino Unido, em 1980. Para muitos observadores, no entanto, não foi o desejo recalcado de Mugabe de se vingar do colonialismo e redistribuir a riqueza do país pela maioria negra o principal motivador de um processo que levou à expropriação e saque de mais de quatro mil fazendas e à paralisia económica.
No ano 2000 estavam marcadas eleições legislativas e, pela primeira vez na história do Zimbabwe independente, uma formação política (o Movimento para a Mudança Democrática, MDC), que havia sido formado um ano antes graças à aglutinação de várias forças opositoras a Robert Mugabe, ameaçava afastar do poder a ZANU-FP. Quando o pânico começou a instalar-se nas fileiras do partido no poder, os seus estrategos aperceberam-se de que uma das principais fontes de financiamento e máquina organizadora do MDC era a Associação de Agricultores Comerciais (CFU), que representava cerca de 4500 fazendeiros brancos, na sua maioria grandes produtores de tabaco, cereais e gado, as grandes riquezas e fontes de divisas do Zimbabwe. A campanha contra eles não olhou a meios para atingir os fins: através da repressão policial e militar, muitas vezes conduzida pelas milícias autoproclamadas “Veteranos de Guerra”, o povo do Zimbabwe foi privado dos seus mais básicos direitos, desde o direito à informação aos de reunião, justiça e de voto livre e justo.
A história do Zimbabwe dos últimos dez anos está cheia de retrocessos, hiperinflação e repressão. Foi, desde o início, claro que os condutores das primeiras invasões de fazendas - muitas vezes acompanhadas de actos de extrema violência e mesmo homicídios.
Com quatro milhões de emigrados, uma economia destruída, um Governo de unidade nacional paralisado e amiúde ignorado por Mugabe, sem ter sequer moeda própria, o Zimbabwe continua a não avistar a luz ao fundo do longo túnel de desespero em que penetrou há dez anos.

JTM/DN

 


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