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  N°3398 (Nova Série), Ter¬a-Feira, 2 de Mar¬o de 2010
UM PONTO É TUDO
Um mundo tão tão longínquo

ferreira fernandes

A francesa Florence Aubenas é grande repórter, daquelas que apanham muitos aviões.
Em 2005, quando desembarcou em Orly, era aguardada pelo Presidente Chirac e vinha de um longo sequestro no Iraque, 157 dias, refém de terroristas.
Guardei-lhe a imagem, nada de “m’as-tu vu?”, a expressão francesa que os brasileiros traduzem com “galera, cheguei!”, e que encaixa em tantos colegas meus que se apresentam assim: eu sou ‘o’ Fulano de Tal.
Jornalista, voltou ao seu Libération, saiu dele com a crise económica que atravessa a Imprensa francesa e lançou, agora, um livro: Le Quai de Ouistreham (O Cais de Ouistreham).
O livro é uma reportagem durante seis meses, em que a jornalista à beira de cinquentona foi para uma pequena cidade, Caen, à procura de pequenos empregos.
Viveu como aqueles que as agências de emprego chamam “os de baixo da panela”, os que não sabem fazer nada.
E é na pele de um desses proletas que não conseguem emprego, só algumas horas, que ela conta a crise.
Humilde, como já o vimos, ela tinha horror de ser descoberta e passar pela jornalista que finge misturar-se com os desapossados de tudo.
Mesmo assim, apresentou-se com o nome verdadeiro.
Ganhou uma lição: ninguém conhecia “Florence Aubenas”, aquela que um dia abria noticiários e foi recebida pelo Presidente.

JTM/DN

 


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