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  N°3389 (Nova Série), Sexta-Feira, 19 de Fevereiro de 2010
“Deitei-me com pneumonia e acordei como assassino”

Britânicos querem explicações do Governo de Israel sobre o uso dos passaportes

LUMENA RAPOSO

Não fossem as câmaras de vigilância do luxuoso hotel do Dubai e Mahmoud al-Mabhouh, o chefe militar do Hamas, teria morrido de “causas naturais”. O proverbial ataque cardíaco. Três semanas depois, porém, a verdade veio à tona: tratou-se de uma operação da Mossad - os serviços secretos no exterior - que, para o efeito, usou passaportes de cidadãos com dupla nacionalidade. Uma iniciativa que está a desagradar aos “visados” que exigem explicações por lhe terem “roubado” a identidade.
“Não sei como limpar o meu nome. Não sei quem o escolheu e porquê. Estou irritado, preocupado e com medo”, afirmou o britânico Melvyn Adam Mildiner. E adiantou: “Deitei-me com uma pneumonia e quando acordei era um assassino”.
Mildiner, que vive perto de Jerusalém, viu o seu nome e passaporte serem publicados pela polícia do Dubai - país onde nunca esteve - e, em consequência, pela imprensa árabe, israelita e internacional, como sendo um dos elementos do comando que matou o chefe do Hamas. Apenas a fotografia no documento não era a sua, como ele sublinha: “Não sou eu”.
Um outro britânico que se insurgiu com o ocorrido foi Paul John Keeley. “Estou tonto desde que li a notícia, desde que ouvi o meu nome. É como se estivesse a sonhar acordado. É estranho. Há dois anos que não vou ao estrangeiro”, afirmou este britânico-israelita, oriundo de Londres e que vive a sul da cidade de Haifa. “Gostaria de ter algumas respostas para o que aconteceu mas não sei a quem telefonar”, lamentou-se ainda Keely que, como os outros dez a quem a “identidade foi roubada”, teme agora pela sua segurança. É que não se pode afastar a retaliação pelo assassínio de Al-Mabhouh.
Não é a primeira vez que a Mossad utiliza passaportes de cidadãos israelitas que têm dupla nacionalidade. Com consequente desagrado dos países cujos passaportes são utilizados. Tal como desta vez.
O Reino Unido já ordenou uma investigação à utilização de passaportes de cidadãos seus e tudo indica que Irlanda, França e Alemanha estão a fazer o mesmo. No Parlamento britânico, por exemplo, levantaram-se já vozes a exigir “explicações” por parte de Israel.
“Se os detentores legítimos de passaportes britânicos foram postos em perigo, isso será uma vergonha”, disse Menzies Campbell, membro do comité dos Negócios Estrangeiros na Câmara dos Comuns. Enquanto o deputado conservador Hugo Swire afirmava, a propósito, que “não se pode fazer política externa neste período tão sensível com este género de comportamento ilegal”.
Em Israel, Avigdor Lieberman - o chefe da diplomacia de Benjamin Netanyahu - mantém a ambiguidade sobre o papel da Mossad na morte de Al-Mabhouh, o chefe do Hamas, presumivelmente responsável pelo rapto e morte de dois soldados israelitas em 1989 e, mais recentemente, por contrabando de armas do Irão para Gaza. Mas a imprensa israelita não está a poupar Meir Dagan, o general que chefia a Mossad e que é apologista da execução sumária dos radicais palestinianos. O seu afastamento foi mesmo pedido pelo diário Haaretz.
Entretanto, o jornalista da área da Educação do Haaretz, revela num artigo - com certo sentido de humor - como foi confundido com um dos elementos do comando da Mossad que matou o chefe do Hamas no Dubai. Segundo Or Kashti, a sua semelhança física com o irlandês ‘Kevin Daveron’ é tal que foi felicitado por uma idosa no supermercado por ter “dado cabo do árabe”. Kashti reconhece a semelhança física e faz questão de sublinhar que apenas existe isso. Não vá haver confusão.

JTM/DN


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