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  N°3389 (Nova Série), Sexta-Feira, 19 de Fevereiro de 2010
UM PONTO É TUDO
Da mentira como obra de arte

ferreira fernandes

Na revista Le Point, o filósofo Bernard-Henri Lévy apresentou-se de baraço ao pescoço.
O que é estranho, pois Lévy é tão conhecido pelas ideias como pelos seus magníficos colarinhos.
De que pedia desculpa?
De ter citado várias vezes Jean-Baptiste Botul no seu recente livro “De la guerre en philosophie”.
Não que tenha, agora, encontrado divergências com a obra de Botul, mas porque - diz-nos o embaraçado Lévy, que acabara de o saber - Botul não existe.
Em 1995, criou-se a Associação dos Amigos de Jean-Baptiste Botul (1896-1947), escritor inventado, adepto da tradição oral (só dava conferências).
Botul, de vida tão mais admirável (foi amante da Beauvoir, companheiro de Zapata e confidente de Malraux) quanto sai toda da imaginação dos seus “amigos”.
Publicaram-se livros de Botul, compilados das falsas conferências, como esse A Vida Sexual de Emmanuel Kant, que Lévy citou como bom.
Por outro lado, ontem foi o jantar anual, em Londres, da Crabtree Foundation.
Joseph Crabtree (1754-1854), poeta extraordinário, só viveu o que dele se diz.
É outra invenção de “amigos” (400, entre os quais Seixas da Costa, o nosso embaixador em Paris).
Suspeito de que nós tenhamos fundado, há uns tempos, a Associação dos Amigos de Portugal.
Mas se é tudo inventado por que não o fazemos, ao menos, admirável?

JTM/Diário de Notícias


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