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  N°3389 (Nova Série), Sexta-Feira, 19 de Fevereiro de 2010
CASO ‘FACE OCULTA’
Novas buscas aceleram demissão na PT

Rui Pedro Soares estava a ser pressionado para resignar. Buscas à PT e ao Taguspark precipitaram decisão

ANA TOMÁS RIBEIRO

Rui Pedro Soares, um dos administradores executivos da PT, envolvido nas escutas divulgadas pelo semanário Sol há duas semanas, demitiu-se do cargo. As buscas da Polícia Judiciária ao seu gabinete, na sede da empresa na última segunda-feira, deram um empurrão para a decisão e resolveram, ao mesmo tempo, um problema à administração da Portugal Telecom, liderada por Henrique Granadeiro.
Além do gabinete de Rui Pedro Soares na PT, inspectores da Polícia Judiciária de Aveiro e procuradores da 9. secção do Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa (DIAP) estiveram ainda a recolher documentação na sede do Taguspark, em Oeiras. Os alvos terão sido os gabinetes do presidente da comissão executiva, Américo Thomati, e do vogal João Carlos Silva, antigo presidente da RTP. O primeiro não quis prestar declarações ao DN. O contacto com o segundo não foi possível.
Esta nova investigação - que envolverá suspeitas de contrapartidas partidárias na utilização da imagem de Luís Figo - teve início numa certidão do processo “Face Oculta”. E está a ser investigada pela secção do DIAP de Lisboa especializada em criminalidade financeira.
Sobre as negociações para a compra de uma participação da TVI, que foram tornadas públicas, fonte próxima de Rui Pedro Soares garantiu ao DN que o gestor “agiu exclusivamente na estrita defesa dos interesses da PT, sem jamais ultrapassar as suas competências enquanto vogal da comissão executiva da empresa”. E afirmou: “Não recebeu ordens, recomendações ou instruções de nenhum membro do Governo ou do PS”, frisando que “quem disser o contrário mente”. Ainda segundo a mesma fonte, Rui Pedro Soares quer ver totalmente esclarecida a sua intervenção naquele negócio, dizendo-se certo que assim acontecerá. O gestor, adiantou ainda a fonte, vai processar o semanário Sol pelos textos que considera “mentiras”. Rui Pedro Soares “sente-se aliviado e diz ter agora a liberdade que precisava para se defender das acusações de que tem sido alvo”.
Falta agora à PT resolver o outro problema: o de Soares Carneiro, também administrador executivo da empresa de telecomunicações, que tal como Rui Pedro Soares foi citado nas escutas na mesma altura e que, tal como o seu colega, pediu uma providência cautelar para evitar a saída do Sol para as bancas na semana seguinte - só que sem sucesso. Assim, ou Soares Carneiro renuncia ao cargo, ou suspende o mandato, ou a administração da PT tomará uma decisão relativamente ao seu caso. E a decisão será validada na próxima reunião do conselho, marcada para dia 3 de Março.
A solução envolverá sempre um pedido de auditoria interna, confirmaram ao DN fontes de accionistas, que defendiam a demissão dos dois administradores, considerando que a polémica à volta dos seus nomes, bem como os seus comportamentos, estavam a ser prejudiciais à imagem da empresa, tal como o DN avançou na edição de terça-feira.
Quanto ao Governo, já se descartou do problema dos dois gestores. O ministro das Obras Públicas, António Mendonça, que foi ontem à Comissão de Obras Públicas, disse que o Estado não tem responsabilidade directa na nomeação de administradores da PT e adiantou que o caso TVI “é fantasioso”.
Questionado directamente por Hélder Amaral, da bancada do CDS, sobre os custos da PT com uma eventual saída dos dois gestores “apanhados “no caso ‘Face Oculta’ (de 5 milhões de euros), o governante limitou-se a referir que a empresa terá “seguramente capacidade de resposta para resolver os actuais problemas”.

JTM/DN

MP tem suspeitas de corrupção na participação de Figo

O Ministério Público está a investigar suspeitas sobre a participação de Luís Figo na campanha eleitoral do PS. Os investigadores suspeitam que o jogador terá recebido um pagamento da Taguspark para dar a cara pela empresa, mas, afinal, apenas apareceu publicamente a apoiar José Sócrates. Em declarações ao DN, João Pinho, advogado do jogador, confirmou que Luís Figo tem um contrato com o Taguspark renovável anualmente. “O contrato tem a duração de um ano e o valor é de 350 mil euros. Se o Taguspark assim o decidir, o contrato poderá ser prorrogado por mais um ou dois anos, no máximo. O contrato foi aprovado e finalizado em Junho e assinado em Agosto de 2009.” João Carlos Silva foi o administrador do Taguspark que negociou o contrato com o jogador. A investigação está a cargo da 9. secção do Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa (DIAP) e resulta de uma certidão do processo “Face Oculta”. Os indícios até agora recolhidos dizem respeito a escutas telefónicas obtidas no processo “Face Oculta”.Os apoios a Sócrates aconteceram em dois actos. O primeiro ocorreu, em Agosto de 2009, ao Diário Económico: “Espero que Sócrates continue a ter a energia para mobilizar o País”, foi o título de uma extensa entrevista ao antigo internacional português. Em finais de Setembro, Figo surge novamente em cena: desta vez num pequeno-almoço com José Sócrates na recta final da campanha eleitoral. Ao que o DN apurou, pode estar em causa um crime de corrupção - uma vez que o Taguspark é maioritariamente participado por entidades públicas -, que está a ser investigado.


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