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  N°3389 (Nova Série), Sexta-Feira, 19 de Fevereiro de 2010

LAS VEGAS SANDS REVELA CONTAS E ACTUALIZA projectos

RECEITAS NO MERCADO LOCAL ATENUARAM PREJUÍZOS NOS EUA
Resultados recorde em Macau reduzem perdas líquidas da Las Vegas Sands

As operações em Macau voltaram a ser a única nota positiva nas contas da Las Vegas Sands, contribuindo para um recuo nos prejuízos líquidos registados no último trimestre de 2009. Mesmo assim, o exercício financeiro do grupo norte-americano defraudou as expectativas dos analistas

A Las Vegas Sands encerrou o derradeiro trimestre do ano transacto com perdas líquidas de 113,9 milhões de dólares norte-americanos, ou 17 cêntimos por acção unitária, contra prejuízos de 136,5 milhões (27 cêntimos por acção) contabilizados no período homólogo de 2008. O grupo liderado por Sheldon Adelson ficou aquém das projecções dos analistas, alguns dos quais esperavam ganhos entre dois a três cêntimos por acção, mas conseguiu mesmo assim diminuir a “tonalidade” vermelha das suas contas graças ao bom desempenho dos empreendimentos que possui em Macau.
Entre Outubro e Dezembro de 2009, a Las Vegas Sands registou um crescimento de 48 por cento para 251,5 milhões de dólares no valor do EBITDAR ajustado (resultados antes de juros, impostos, amortizações, provisões e rendas) dos hotéis-casino que opera no território. Segundo os dados financeiros revelados em Las Vegas, o bom desempenho do Venetian Macau traduziu-se mesmo num recorde trimestral em termos dos resultados operacionais com o EBITDAR a aumentar mais de 55 por cento para 174,7 milhões de dólares, comparativamente ao quarto trimestre de 2008.
No período em análise, as receitas líquidas geradas em Macau pelo grupo tiveram sinal ascendente em todos os projectos, com o complexo Venetian a absorver a maior “fatia”, ao encaixar 570 milhões de dólares, mais 20,9 por cento do que no trimestre homólogo do ano anterior. Já o hotel-casino Sands viu as suas receitas líquidas crescerem 15,3 por cento para um total de 284,9 milhões de dólares, enquanto no Four Seasons a subida atingiu 131,8 por cento para 97,8 milhões de dólares.
Os resultados alcançados no mercado de Macau voltaram também a alimentar o conhecido entusiasmo de Sheldon Adelson, que aproveitou para recordar que a empresa prepara-se para retomar as obras suspensas na “Cotai Strip” desde o final de 2008. “O forte desempenho trimestral representa um ‘momentum’ numa altura em que vamos retomar o processo de construção” no Cotai, disse o presidente e CEO da Las Vegas Sands, numa referência aos lotes cinco e seis, onde serão erguidas mais três unidades hoteleiras das cadeias “Shangri-La”, “Traders” e “Sheraton”.
Embora Sheldon Adelson não tenha avançado uma data concreta para o reinício das obras, recorde-se que Steve Jacobs, presidente da operadora em Macau, garantiu recentemente que o regresso das gruas ao Cotai estava previsto para depois do Ano Novo Lunar, pelo que poderá haver novidades sobre esta matéria nos próximos dias. No entanto, ontem, fontes da concessionária contactadas pelo JTM escusaram-se a revelar mais pormenores, limitando-se a garantir que iriam encaminhar o assunto para os responsáveis da empresa em Las Vegas.
Na habitual conferência telefónica com analistas para comentar os resultados trimestrais da operadora, Sheldon Adelson sublinhou ainda que os projectos por concluir nos aterros do Cotai vão funcionar como uma espécie de “Game-Changer”, contribuindo para a diversificação da oferta disponibilizada em Macau nas vertentes do turismo, lazer e entretenimento. O “patrão” da Las Vegas Sands sustentou, aliás, que “a dinâmica de Macau vai mudar significativamente” após a conclusão das referidas obras, que irá obedecer a um calendário faseado.
Englobando 3.700 quartos distibuídos pelos hotéis “Shangri-La”, “Traders” e “Sheraton”, a primeira fase tem abertura agendada para Junho de 2011. Aproximadamente seis meses mais tarde deverá ser inaugurada a fase seguinte do projecto que irá disponibilizar mais 2.300 quartos na unidade operada com a marca “Sheraton”. No total, a Venetian Macau prevê instalar 670 mesas e 2.200 “slots-machines” nos novos empreendimentos.
Na perspectiva de Adelson, este alargamento da oferta irá contribuir para reforçar o estatuto turístico de Macau e “alargar a posição de liderança” da Venetian em determinados segmentos do mercado de massas do Jogo.
O optimismo do magnata também foi partilhado por Mike Leven, com o presidente e director de operações da Sands a salientar que os “fortes resultados em Macau reflectem a ênfase colocada na eficiência e nos ganhos saudáveis no mercado”. “O Venetian Macau continua a ser líder de mercado no jogo de massas, tendo registado apostas no valor de 905 milhões de dólares nas mesas e de 659 milhões nas ‘slots’ durante o quarto trimestre”, frisou o mesmo responsável, perante várias analistas que participaram na conferência telefónica.
Salientando que a estratégia do Venetian Macau continua a assentar essencialmente na elevação do volume do “cash-flow”, Mike Leven adiantou ainda que cerca de 26 por cento do EBITDA do complexo foi gerado por componentes operacionais sem relação directa com a actividade do Jogo, incluindo as áreas da hotelaria, restauração, retalho e convenções.
VERMELHO EM LAS VEGAS. Se a Las Vegas Sands tem motivos para estar satisfeita com a “performance” dos seus casinos em Macau, já o mesmo não se poderá dizer dos activos que possui nos Estados Unidos, designadamente no Estado do Nevada. A própria empresa reconhece que os resultados financeiros do “Venetian Las Vegas” e do “Palazzo” foram “decepcionantes” no trimestre terminado a 31 de Dezembro, devido às quebras verificadas nas mesas de jogo e “slots-machines”, mas também nas receitas dos quartos e das comidas e bebidas.
No intervalo de um ano, a taxa de ocupação hoteleira no “Palazzo” desceu de 96 para 85 por cento, mas a quebra foi ainda mais expressiva do “Venetian Las Vegas”, que passou de 92 para 78 por cento.
Nos dois complexos, as receitas líquidas sofreram um decréscimo de 19,4 por cento para 263,7 milhões de dólares, em comparação com os 327,1 milhões contabilizados um ano antes. Como consequência, o EBITDAR ajustado do “Venetian Las Vegas” e do “Palazzo” recuou para 56,9 milhões de dólares.
Em Las Vegas, os prejuízos operacionais situaram-se nos 15,7 milhões de dólares, contra ganhos de 14,6 milhões no mesmo trimestre do ano anterior. Apesar de tudo, Sheldon Adelson acredita que o ciclo negativo nas operações em Las Vegas poderá ser invertido a breve prazo. “Acreditamos que 2010 vai reflectir uma recuperação no turismo de negócios em Las Vegas”, disse o CEO da operadora, acrescentando que o número de reservas voltou a aumentar nos últimos meses.
No cômputo geral do “portfolio” da Las Vegas Sands, as receitas líquidas ascenderam a 1,28 mil milhões de dólares, o que representa uma descida de 17,5 por cento face aos 1,09 mil milhões apurados no último trimestre de 2008. Porém, a contabilidade geral de 2009 revela um acréscimo de 3,9 por cento para 4,56 mil milhões de dólares no movimento das receitas encaixadas nos diferentes mercados.

S.T.

Empréstimo para obras no Cotai só deverá ficar fechado em Março

A “Sands China”, subsidiária do grupo Las Vegas Sands que está listada na Bolsa de Valores de Hong Kong, anunciou em Novembro do ano passado que já tinha assegurado um empréstimo bancário de 1,75 mil milhões de dólares americanos, destinado à conclusão das duas primeiras fases da “Cotai Strip”, mas afinal o processo ainda não está encerrado. A revelação foi feita por Kenneth Kay, director financeiro da Las Vegas Sands, durante a conferência telefónica com analistas promovida após a divulgação dos resultados do grupo no último trimestre de 2009. Segundo Kenneth Kay, a concretização do empréstimo só deverá ocorrer no próximo mês. Anteriormente, a empresa anunciou ter garantido já 1,45 mil milhões de dólares americanos junto de várias instituições bancárias, mas ainda precisava de angariar mais 300 milhões para poder retomar os projectos suspensos em Macau há um ano. Este novo empréstimo, considerado um dos mais elevados na Ásia em 2009, terá sido aceite pelas instituições bancárias na condição de que os projectos da Sands para a zona do Cotai estarão operacionais até 31 de Dezembro de 2012. Para além do empréstimo, o grupo norte-americano planeia aplicar nas referidas obras mais 500 milhões de dólares encaixados na Oferta Pública Inicial (OPI) de venda de acções na bolsa de Hong Kong. Kenneth Kay garantiu aos analistas que o valor total da operação de financiamento é suficiente para viabilizar a conclusão das duas fases dos projectos gizados para os lotes cinco e seis do Cotai.

Sands China sofre forte quebra na Bolsa de Hong Kong

O valor das acções da Sands China desceu 5,69 por cento na sessão de ontem da Bolsa de Valores de Hong Kong, devido à decepção gerada entre analistas e investidores pelos resultados financeiros da Las Vegas Sands no quatro trimestre de 2009. Os títulos da subsidiária local do grupo norte-americano terminaram o dia de ontem a valer 10,60 dólares de Hong Kong, menos 64 cêntimos do que na sessão anterior.


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