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  N°3389 (Nova Série), Sexta-Feira, 19 de Fevereiro de 2010
lido

A Caixa de Pandora da República

(...) Com as vozes hegemónicas nas televisões, nas rádios, nos jornais e nos blogues, a acusá-lo de atentado à democracia, as opiniões divergentes deixam de ser ouvidas. Uma coisa são pressões, manobras, lutas de influência, disputas localizadas, outra construir uma imponente teoria de um “crime contra o Estado de Direito”, com vista ao controlo da Comunicação Social na sua globalidade. Esta ideia é paradoxal. As mesmas forças que desencadeiam a poderosa campanha de opinião em curso consideram que já não existe liberdade de expressão. Num sistema mediático em que predominam a direita e o centro-direita, as forças dominantes dizem-se “asfixiadas”. A suposta “asfixia” exprime-se em uníssono num coro (quase) sem dissonâncias.
Os sucessivos escândalos contra José Sócrates enfraquecem o primeiro-ministro. Obrigam a rever previsões quanto à duração do Governo. Qualquer que seja a veracidade das acusações formuladas ou o resultado de (eventuais) sentenças, caso as suspeitas venham a originar processos judiciais, o desgaste é elevado. O voluntarismo do primeiro-ministro não parece suficiente para lhe fazer frente. O calendário é conhecido: a partir de 14 de Abril e até Setembro, o Presidente da República pode dissolver a Assembleia. Decidirá fazê-lo? Para convidar o PS a indicar outro primeiro-ministro, sem a certeza de que o fará? Para convocar legislativas antes das presidenciais, com nova liderança no PSD, mas sem garantia de resultados clarificadores? O problema transfere-se, a pouco e pouco, de S. Bento para Belém.

Mário Mesquita in “Jornal de Notícias”


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