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  N°3281 (Nova Série), Quarta-Feira, 30 de Setembro de 2009
Crise, reabilitações e construções no centro do debate no Porto

O emprego, a reabilitação da baixa e dos seus equipamentos estruturantes, como o mercado do Bolhão ou o Palácio de Cristal, a demolição do bairro do Aleixo e a construção no Parque da Cidade deverão ser alguns dos temas fortes da campanha autárquica no Porto

A pré-campanha para as eleições autárquicas no concelho já anda nas ruas há algum tempo e, depois de duas semanas quase abafada pelas legislativas, já regressou força.
Rui Rio, pela coligação PSD/PP, Elisa Ferreira, pelo PS, Rui Sá, pela CDU e João Teixeira Lopes, pelo BE, serão os protagonistas da corrida eleitoral do Porto, centrando atenções cinco temas essenciais.
Crise social e emprego. Discutir a crise social ao nível do concelho será uma das novidades desta campanha, onde Elisa Ferreira elegeu como prioridade o emprego e a competitividade da cidade.
“Uma cidade sem capacidade para criar riqueza não tem condições para a coesão social”, observou a candidata do PS, em declarações à Lusa.
A coesão social é a prioridade de Rui Rio desde o primeiro mandato, mas o programa eleitoral para os próximos quatro anos fala, também, na competitividade (apostando no turismo, na inovação e na cultura).
Teixeira Lopes considera que os números (15 mil desempregados, 115 mil pensionistas, dois mil sem-abrigo e 25 a 30 por cento da população a ganhar 400 euros ou menos) não permitem escapar ao assunto e sustenta que a autarquia devia ter um plano anti-crise.
Um dos temas principais na agenda de Rui Sá vai ser a “quantidade de gente que ainda vive tão mal no Porto” e a sugestão vai no sentido de construir “mais habitação”, sendo também necessário pensar numa estratégia para “inverter a perda de população” do Porto.
Bairro do Aleixo. Demolir ou não o bairro do Aleixo é uma das questões desta campanha. O candidato do PSD/PP decidiu adiar a assinatura do contrato com a empresa parceira no processo de demolição do bairro e, com isto, diz que os eleitores terão de decidir entre ele, que quer demolir, e os outros, que não querem.
Mas os seus opositores não vêem o problema assim: Rui Sá alerta que é favorável à demolição, mas defende “a construção de um bairro diferente, no mesmo local”, ao contrário de Rio, que “quer expulsar os moradores”.
Teixeira Lopes considera que Rio quer “ceder terrenos valiosíssimos a promotores imobiliários” e está contra a demolição.
Elisa Ferreira tem-se mostrado desfavorável à demolição, mas não faz promessas, dizendo que, primeiro, tem de perceber os compromissos já feitos pela autarquia.
Parque da Cidade. Rui Rio prometeu, em 2001, não deixar construir no Parque e a decisão levou os proprietários de terrenos a avançar para tribunal, onde se prevê que consigam obter, da autarquia, uma indemnização de 169 milhões de euros.
Apesar de Rio ter conseguido um acordo extrajudicial com as empresas, dispondo-se a entregar terrenos e património avaliados em 43,6 milhões de euros, os outros partidos criticam a decisão.
Elisa Ferreira sublinha que este é um exemplo da “má gestão” de Rio e pretende “desarmadilhar a bomba relógio montada pelo PSD” neste dossier, porque em causa está a “inviabilização do funcionamento da cidade”.
Rui Sá considera que um empréstimo bancário diminuiria “significativamente os custos” a pagar pela autarquia e Teixeira Lopes lamenta as “indemnizações generosíssimas” acordadas por Rio.
Reabilitação da baixa. Foi uma das prioridades de Rui Rio no primeiro mandato e continua no programa eleitoral do PSD/PP para os próximos anos, com a promessa de “acentuar os instrumentos definidos no âmbito da Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU)” e “intensificar o esforço desenvolvido na redução da burocracia”.
Elisa Ferreira diz que a SRU, “sozinha, não vai conseguir fazer tudo”, sendo necessário “complementá-la com outras propostas”, caso contrário o Porto fica com um processo de reabilitação “muito caro, destinado a um público de luxo”.
Rui Sá chama a atenção para a “falência do modelo da SRU” e Teixeira Lopes alerta que a recuperação está a ser “entregue a privados” e que as casas reabilitadas são, apenas, “para quem tiver muito dinheiro”.
Privatizações. Rui Rio chama-lhes parcerias público privadas que “aceleram o processo de dinamização” e asseguram “lógicas de exploração mais eficientes e sustentáveis” e tem previsto aplicá-las na recuperação de vários equipamentos: Palácio de Cristal, Mercado do Bom Sucesso e Mercado Ferreira Borges.
Rui Sá considera que, partindo do “dogma de que o privado é bom”, Rio faz “péssimos negócios para a Câmara” e, tal como Teixeira Lopes, critica a privatização e os atrasos nos processos de reabilitação, enquanto Elisa Ferreira refere que se trata de “um conjunto de obras empatadas”.
Neste pacote de críticas de socialistas, bloquistas e comunistas, está, também, o mercado do Bolhão, que devia estar reabilitado no fim deste ano, através de uma parceria que caiu por terra, mas continua “a desmoronar-se”, como refere Elisa Ferreira.
Cultura. Elisa Ferreira pretende assumir o pelouro, no caso de ganhar as eleições, e destaca a importância da cultura “na afirmação da cidade”, enquanto que o candidato do PSD/PP já criticou a “inefável Porto 2001 em força na lista do PS”.
A CDU e o BE devem voltar à carga com a entrega da gestão do Teatro Rivoli a Filipe La Feria, criticando a opção de Rio, concretizada em 2006, sob forte contestação.

JTM/Lusa

 


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