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  N°3273 (Nova Série), Segunda-Feira, 21 de Setembro de 2009

eleições para a assembleia legislativa

BALANÇO DE FORÇAS NA AL PODE SER PORTA ABERTA PARA DEMOCRACIA GRADUAL
Novo Macau Democrático vezes três

Melhores resultados do que há quatro anos e mais um assento no Hemiciclo. Os planos traçados eram mais ambiciosos, mas na sede da Associação Novo Macau Democrático fez-se a festa

DIANA DO MAR

Apesar da estratégia 1+1=4 ter resultado na eleição de três deputados, a Associação Novo Macau Democrático foi a grande vencedora da noite. Não porque foi a campeã dos votos, mas porque a divisão em duas plataformas gerou no seu conjunto mais de 27 mil votos, segundo dados divulgados pelos elementos da associação na sua sede. Ou seja: superou os resultados de há quatro anos por larga margem e conduziu à conquista de um terceiro assento. Daí que para Ng Kuok Cheong – o cabeça de lista da “Associação Próspero Macau Democrático” – os resultados sejam vistos como uma “meia vitória”, uma vez que conseguiram tornar os votos expressos nas urnas “efectivos”, já que 2005 os 23.489 votos só permitiram a conquista de dois assentos no Hemiciclo, facto entendido como um desperdício tendo em conta o apoio demonstrado nas urnas.
Mas três por agora, com Ng Kuok Cheong a prometer “tentar fazer melhor no futuro”. Para o actual deputado, a diferença se elegessem quatro era que teriam mais força, podendo ir mais além no trabalho que hoje em dia levam a cabo. Além disso, entraria no Hemiciclo um jovem abrindo-se já as portas para o futuro. Embora o aumento do número de eleitores tenha sido significativo, e a afluência às urnas a mais elevada de sempre, a entrada em cena de novos candidatos que alinham nos mesmos ideais da Associação Novo Macau Democrático poderá, por outro lado, ter levado a que uma parte dos votos tivesse sido canalizada para outras plataformas como a liderada por Agnes Lam.
Independentemente dos resultados, o ambiente na sede da Associação Novo Macau Democrático foi de festa. No início, pelo apuramento, dominou algum nervosismo sempre que o telefone tocava e se fazia silêncio para do outro lado da linha se ouvirem os dados que iam chegando de cada assembleia de voto. Ng Kuok Cheong – aparentemente mais habituados a estas lides – esteve por diversos momentos ausente e quando surgia evidenciava-se pela postura discreta ao canto da sala, contrariamente a Au Kam San quase sempre irrequieto e preso ao auricular de onde chegavam as últimas informações dos observadores distribuídos pelo local de apuramento. Chan Wai Chi que se estreia no Hemiciclo mantinha-se calmo. Nem nervoso, nem agitado.
Minutos antes das três da madrugada já se celebrava na sede da Associação Novo Macau Democrático, onde todos os elementos vibravam à medida que se sabiam os resultados de mais uma assembleia de voto. Champanhe para comemorar e cartazes de apelo à democracia e à eleição por sufrágio directo do Chefe do Executivo já em 2019 foram erguidos com a vitória. Bandeiras pelas quais Ng Kuok Cheong juntamente com os dois colegas de bancada prometem continuar a lutar. Para o cabeça de lista da Associação Próspero Macau Democrático – a terceira mais votada –, o caminho para o sufrágio directo pode estar facilitado com a composição de um novo Hemiciclo. Isto porque, explicou, as forças na AL estão “mais equilibradas”, não se tendo assinalado “mudanças radicais”, daí que tal possa ser entendido como “um sinal” para que a democracia ganhe terreno no território de forma gradual. Mensagem que Ng Kuok Cheong endereça ao Governo da RAEM e a Pequim.
Para o deputado, o facto de outras listas abertas ao sufrágio universal terem participado e garantido um lugar vai permitir no futuro “juntarem forças” para comunicarem de forma mais regular e intensa com os vários departamentos do Governo. Forças que se podem já unir na manifestação que costumam organizar pelo aniversário do estabelecimento da RAEM.
Assim que regressar à AL, as prioridades passam pela luta contra a corrupção, pela habitação económica e social e pelo planeamento urbano. O aperto ao tabaco também figura no elenco de propostas que voltarão a reivindicar junto do Governo.

De Taiwan pela democracia

Embora a democracia seja um tema comum a nove das 16 listas que se candidataram, foi a Associação Novo Macau Democrático que Matthew decidiu apoiar nas eleições para a Assembleia Legislativa. Identifica-se com os ideais e entende que a plataforma do Novo Macau Democrático no seu conjunto figura como a das mais decididas em tornar o sufrágio directo regra e não em excepção. Matthew não pode votar, afinal só vive em Macau há quatro anos, depois de ter decidido deixar a Formosa, mas o apoio parece incondicional. Tanto que foi um dos que “muniu” a sede de géneros alimentícios que confortaram o estômago de quem esperava pela vitória com um nervoso miudinho.

 


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