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  N°3273 (Nova Série), Segunda-Feira, 21 de Setembro de 2009

eleições para a assembleia legislativa

PROCESSO ELEITORAL DECORREU SEM INCIDENTES DE MAIOR
População considera que estas eleições foram “mais justas” do que em 2005

O dia de sol e calor intenso não afastou os cerca de 150 mil eleitores, que ontem decidiram exercer o seu direito de voto. O JTM falou com algumas dessas pessoas, que confessaram acreditar numa Macau melhor e avaliaram estas eleições como “mais justas do que as anteriores”. Se devia haver mais deputados eleitos pela via directa, a resposta foi sempre a mesma: “sim”

RAQUEL CARVALHO

O aparato era evidente e pintado a fitas amarelas no chão. Mais polícias nas ruas, sobretudo nas imediações das assembleias de voto, autocarros e táxis a transportarem eleitores. Um vaivém de pessoas. Foi assim o domingo de ontem. De BIR na mão, milhares de eleitores acorreram às urnas e carimbaram o voto numa das 16 listas candidatas. O JTM conversou com algumas dessas pessoas, que descreveram positivamente as duas semanas de campanha e o dia das eleições. Um maior número de deputados eleitos por via directa, daqui a quatro anos, foi uma das ideias mais defendidas.
Desligar o telemóvel – quem não respeitasse poderia ser identificado pelos funcionários da Comissão Eleitoral – e submeter-se à medição da temperatura eram os dois primeiros passos em direcção ao voto. No entanto, a passagem pelas assembleias de voto foi quase sempre rápida, não havendo grandes filas nas entradas.
Biull Wong, 27 anos, foi uma das pessoas a ir depositar o seu voto. Embora entrassem na corrida 16 listas, “tivemos pouca escolha nestas eleições”, porque “grande parte delas estão concentradas no jogo e em negócios”, justificou. Mesmo sendo funcionário de um casino, salientou que essas listas “só representam os donos e não as pessoas que trabalham”. Dos deputados eleitos, Biull disse esperar que a acção do Governo seja mais monitorizada, de forma a evitar casos de corrupção e crescentes desigualdades.
Seguindo a mesma linha de pensamento, também outro cidadão de Macau, que preferiu não revelar o nome, defendeu que “devia haver mais vozes da população” no seio das diferentes listas, salientando que existem demasidos empresários envolvidos. “A maior parte das pessoas votam em concordância com o patrão, porque têm medo de ser despedidas”, acrescentou o homem de 53 anos. “Se houvesse mais deputados eleitos pela população, o envolvimento e o apoio às eleições seria maior”, acredita.
Ainda assim, estas foram as eleições “mais organizadas” e a decorreram com maior normalidade, descreveu o mesmo residente da RAEM. Devido ao avançar do tempo, o homem de 53 anos espera que os deputados façam pressão no sentido de um “maior apoio na saúde, sobretudo para os reformados”.
MAIS DEPUTADOS. Já na opinião de Pak Wan Chi, 23 anos, os deputados devem lutar para que haja um maior apoio na área da habitação, porque “é muito difícil suportar uma renda, quanto mais comprar uma casa”. Apesar de achar importante que os cidadãos de Macau mostrem as suas opiniões e definam o voto, Wan Chi confessa que se a empresa onde trabalha não tivesse disponibilizado transporte, ela não teria votado, porque “trabalhar está em primeiro lugar”.
Embora acredite que a consciência política esteja a aumentar, Edmund Ho, de 27 anos, confessa ter muitos amigos que só se preocupam “em trabalhar e fazer dinheiro”. Lamentando tal postura, o jovem defende que todos deveriam votar, uma vez que tal acto contribui para “o desenvolvimento da responsabilidade cívica da população de Macau”.
Analisando o período de campanha, o mesmo eleitor entende que estas eleições foram “mais justas do que as anteriores”. Uma opinião partilhada por Amy Che, 26 anos, e por Luís Coutinho, 52 anos. A primeira salienta que ainda assim é possível melhorar nas próximas eleições, altura em que - na perspectiva de Amy - o número de deputados eleitos por via directa também deve crescer. Duas dezenas seria a quantidade ideal, defende.
Positiva foi ainda a afluência às urnas, algo que Amy Che explica através da “voz mais activa da população, nos últimos dois anos”, e que se projectou nas semanas de campanha com “muita gente a falar sobre o assunto nas ruas e também na Internet”.
Luís Coutinho salientou, por seu lado, que este ano “a campanha ocorreu de uma forma mais ordeira, mas animada e colorida, com as pessoas a mostrarem maior interesse”. Além disso, a “corrupção terá sido mais controlada”, denota positivamente.
Ainda de diferente relativamente às eleições de 2005, Luís Coutinho apontou o facto de terem “aparecido mais listas com novas ideias e cara novas”. Esta é, na opinião do homem de 52 anos, uma mudança essencial para que “as coisas não fiquem estagnadas nas associações tradicionais”. Também Luís Coutinho gostaria de ver um maior número de deputados eleitos pela população, contudo não acredita que tal aconteça nas próximas eleições.
PEQUENOS INCIDENTES. A manhã foi a altura preferida pelos cidadãos de Macau para carimbarem o voto. O dia começou com a inspecção às assembleias a detectar, pelas 9 horas, uma falha técnica temporária no sistema informático, devido à carga na rede. Isto logo após a abertura das assembleias de voto na Escola Luso-Chinesa Técnico-Profissional, Colégio Dom Bosco e Escola dos Moradores do Bairro do Patane. No entanto, o problema foi resolvido em 40 minutos, tendo sido retomado o funcionamento normal em todas as assembleias de voto, informou o presidente da Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa, Vasco Fong.
Contudo, a falha no servidor do sistema aconteceu ainda mais duas vezes no Instituto Salesiano, levando mesmo a presidente da Assembleia Legislativa, Susana Chou, a ter de esperar para poder exercer o seu direito de voto. O problema acabou por ser resolvido definitivamente.
Um caso caricato aconteceu ainda no edifício anexo à Escola Secundária Hou Kong, com um eleitor a queixar-se de uma câmara da CCTV, no corredor da assembleia de voto. Após a reclamação, a câmara viria a ser tapada.

Instituições académicas fizeram sondagens

Pelo menos três instituições – Universidade de Macau, Universidade de Hong Kong e a “Macau Academy for Social Policy Studies”, efectuaram ontem inquéritos junto da população sobre as eleições para a Assembleia Legislativa. Os inquiridos pela Academia eram convidados a revelar se tinham votado e, em caso afirmativo, qual a lista escolhida e os motivos que motivaram tal opção. Na sexta-feira, o presidente da Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa recordou aos eleitores que tinham o direito de recusar de responder a perguntas incomodativas no âmbito dos inquéritos desenvolvidos no dia das eleições. Vasco Fong alertou nomeadamente para as perguntas que visassem conhecer as orientações de voto.

 


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