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  N°3273 (Nova Série), Segunda-Feira, 21 de Setembro de 2009

eleições para a assembleia legislativa

comissão eleitoral adia divulgação de resultados
Mudar alguma coisa para tudo ficar como dantes...

JOSÉ ROCHA DINIS

Na edição de 26 de Setembro de 2005, em que o JTM fazia o rescaldo das anteriores eleições legislativas da RAEM, comecei por escrever: “são duas horas da manhã quando começo a escrever este artigo. Os resultados eleitorais oficiais, vá lá perceber-se porquê, saíram às “pinguinhas” – em três doses” antes do presidente da CAEAL fazer o anúncio dos eleitos. Tudo terminou há breves minutos”...
Desta vez, tudo ainda esteve mais atrasado. Às duas e um quarto da manhã, segundo a TDM, havia resultados oficiais de menos de 35 mil votantes, entre os 148.979 votantes e só alguns minutos depois foram divulgados os resultados de 12 mesas, com 53.675. Às cinco da manhã, o apuramento só estava concluído em 22 assembleias, com um total de 109.282 votantes.
AFLUÊNCIA. Há quatro anos, o dia amanheceu escuro e registaram-se fortes chuvadas. Ontem, Macau acordou com sol radioso e a habitual grande humidade. A afluência de mais de 59 por cento registada no acto eleitoral, é um número muito considerável e dignifica qualquer sociedade.
Em relação às previsões que fizemos na edição de sexta-feira, apenas registei um erro de vulto: não dei qualquer hipótese à lista 1, que conseguiu fixar o eleitorado do deputado Fong Chi Keong, que por sua vez foi eleito indirectamente. Ora, se recordarmos que há quatro anos Fong Chi Keong tinha deixado o sufrágio indirecto e no directo obtivera 8.517 com Mak Soi Kun em lugar não elegível, a eleição do seu anterior “companheiro de lista” aumenta o seu “grupo parlamentar”, ainda que por caminhos meio ínvios. Fong Chi Keong e Mak Soi Kun devem ter passado a noite a rir-se... e com razão!
OS QUE NÃO ELEGERAM. No oposto estiveram todos aqueles que não conseguiram obter a eleição de qualquer deputado, sete listas no total. Entre elas, contudo há diferenças, uma vez que as expectativas que foram criadas eram muito diferentes.
Por exemplo, a lista 8 , “Equipa de Justiça Social” com Im Kam Seng, a 9 (Associação para o Activismo de Sociedade) liderada por Ng Sek Io, a lista 11 (Aliança da Democracia de Sociedade) com Lei Man Chao como cabeça de lista e mesmo a lista 16 da Associação de Apoio à Comunidade e Proximidade do Povo, de Paul Pun, nunca tiveram qualquer dúvida de que não elegeriam qualquer deputado. No caso de Paul Pun poder-se-ia mesmo dizer que a sua campanha foi o mais politicamente incorrecta que poderia fazer, embora com ideias muito interessantes e nalguns casos bastante justas.
O mesmo não aconteceu com as listas 3, União para o Progresso e Desenvolvimento, a 6, Observatório Cívico, e a 14, Voz Plural-Gentes de Macau, em que os próprios transmitiram para fora expectativas que não se concretizaram.
Foi evidente que a lista 3 fez enorme investimento em recursos materiais para eleger Lai Choi Wai, o que não se verificou e por isso, o “prejuízo” terá sido enorme.
Com menos prejuízo material, mas talvez maiores em termos psicológicos dadas as expectativas que teve até ao final, a lista 6 também não conseguiu eleger Agnes Lam, e só o futuro nos dirá se vai ser capaz de partir desta sua boa votação para uma eleição daqui a quatro anos. Tudo dependerá da actuação da candidata e também de muitos dos seus votantes que em 2013 terão entrado no mercado de trabalho.
No caso da lista 14, liderada por Casimiro Pinto (e embora esteja a escrever quando ainda faltam alguns resultados) não tenho palavras para definir o resultado final. Por um lado ouvi pela enésima vez Casimiro Pinto falar com optimismo do futuro, nomeadamente da recém-constituída associação, enquanto um dos jornalistas da TDM realçava que a “Voz Plural – Gentes de Macau” era a única lista que não tinha delegados nas assembleias de voto...
HISTÓRICOS E “DEMOCRATAS”. Factos são indesmentíveis, opiniões são pessoais e intransmissíveis.
Como factos deve atentar-se que nestas eleições os auto-intitulados “democratas” resolveram imitar o que os “Históricos” tinham feito anos antes, quando dividiram em duas a lista conjunta entre a Associação dos Operários e os “Kaifong”, para que cada uma chegasse aos dois deputados. Deste modo as duas listas chegaram aos três deputados, e como os “kaifong” perderam um deputado, é admissível dizer-se que Ng Kuok Cheong “tirou” um deputado à Associação dos Moradores, embora nada nos faça crer que a “luta” se desenrolou no mesmo eleitorado.
Mas, tal como foi divulgado em 2005 em que os “media” fizeram manchete com o facto da lista de Ng Kuok Cheong e Au Kam San terem ganho as eleições por ter sido a lista mais votada, ontem e, apesar de às quatro da manhã, ainda só haver resultados oficiais de 22 assembleias de voto, a lista vencedora foi a da Associação dos Operários, que obteve o maior número de votos.
Se juntarmos as listas de “históricos” e de “democratas”, também aqui (com os resultados das 22 assembleias) a vitória vai para os “históricos” pois, juntos, os Operários e os Kaifong” têm mais de 26 mil votos, enquanto, juntos, Ng Kuok e Aung Kam chegam apenas a pouco mais de 20 mil votos.
“Um peso, uma só medida”, os “democratas” ganharam mais um deputado, os “históricos” perderam um deputado, a Associação dos Operários foi a lista mais votada, a Associação dos Moradores vai ter uma mais rápida renovação e a próxima Assembleia Legislativa não vai ganhar em eficiência legislativa ou em maior fiscalização da acção governativa, pois a relação de forças não se alterou.
OUTROS VENCEDORES. Sobre os restantes deputados eleitos, o JTM não se enganou, tendo mesmo “apostado” na vitória de Melinda Chan, embora como a última deputada a ser eleita.
A votação da lista 7, da Associação dos Cidadãos Unidos de Macau ultrapassava, nas referidas 22 assembleias, a votação de Ng Kuok Cheong, e garantiu a “Fukien” os dois deputados anteriores. Angela Leong ultrapassava largamente Au Kam San e também estava acima dos “Kaifong”,.
Pereira Coutinho “fixou” o seu eleitorado e foi eleito com naturalidade e Melinda Chan “agarrou” no eleitorado de David Chow e deu-lhe a sua mais-valia pessoal, que tínhamos notado na campanha.
Daqui a quatro anos há mais e a AL fica agora à espera dos deputados nomeados.

 

Paulo Godinho foi o grande vencedor

O maior vencedor do acto eleitoral não esteve em nenhuma lista, mas conseguiu com reduzido número de resultados definir o resultado final na emissão da TDM. Paulo Godinho só foi surpresa para quem o não conhece, pois o sociólogo, com muitos anos de Macau tem larga experiência na previsão de resultados eleitorais, nas eleições legislativas e presidenciais em Portugal. Sem “bola de cristal”, apenas sofreu “um susto” quando os primeiros resultados divulgados pela CEAL sugeriam diferente resultado. Durou pouco. A segunda actualização dos resultados alterou o panorama e a partir daí, foi só esperar que os resultados lhe dessem razão.

J.R.D.

A CAEAL e os peixinhos da ATV...

Foi penoso ver e ouvir um Juiz com o nível intelectual do dr Vasco Fong, na primeira conferência de Imprensa da Comissão Eleitoral, durante meia hora transmitida em directo pela TDM. Desde o início que se percebeu que a CAEAL não tinha nada de substancial a comunicar, a não ser que o atraso da divulgação dos resultados se ter ficado a dever, no essencial, ao facto de alguns dos funcionários em serviço em seis mesas de voto, se terem esquecido de pressionar a tecla “ENTER” aquando do “descarregar” dos votantes. Ora, para isso bastava ter emitido um comunicado, evitando deixar-se enredar numa série de considerações menores sobre questões colocadas por repórteres “ad hoc”. Particularmente penoso foi o seu “diálogo” sobre a possibilidade de recolha de imagens junto das mesas de contagem de votos, com direito a réplica e tréplica da jovem repórter televisiva. Sendo certo que a conferência de Imprensa ajudou a “encher” a emissão, uma vez que não havia nada de especial a revelar, teria sido preferível seguir o exemplo da ATV que durante vários anos terminava as suas emissões com uma hora de imagens de um aquário com peixinhos de várias cores, a andar de um lado para o outro.

J.R.D.

 


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