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  N°3273 (Nova Série), Segunda-Feira, 21 de Setembro de 2009
tribuna
Pequena e média demagogia

PEDRO MARQUES LOPES

Esta semana, as pequenas e médias empresas estão de luto: José Manuel de Mello morreu. Quem enche a boca de alguns factos recentemente aprendidos sobre a realidade das PME esquece--se, ou pura e simplesmente ignora, que empresários como José Manuel de Mello fazem mais, incomparavelmente mais, por estas empresas que discursos inflamados ou propostas de apoio mais ou menos irrelevantes.
Os partidos falam das PME como de uma realidade independente da economia global. Como se estas vivessem numa espécie de mundo à parte e não estivessem dependentes do mais importante: a criação de riqueza.
Durante o programa televisivo Esmiúça os Sufrágios, Paulo Portas pedia a Ricardo Araújo Pereira que reconhecesse o esforço do seu partido em defender a organização dos Gato dando-a como exemplo de PME. Ora, como grande parte das pequenas e médias empresas, os Gato Fedorento dependem de grandes grupos empresariais como, neste caso, a SIC para que possam funcionar e prosperar.
O que ninguém ouve dizer aos candidatos é que à volta de empresas como a Brisa, a CUF, a José Manuel de Mello Saúde, a Efacec, só para referir empresas do Grupo Mello, vivem e dependem milhares de outras empresas. Que existe uma relação directa entre a capacidade de investimento das grandes empresas e a criação e manutenção das PME. Que se, por exemplo, a Autoeuropa saísse de Portugal, seriam muitos mais os empregos que se perdiam em empresas com ou sem ligação directa a esta do que propriamente nesse gigante agente industrial. Quantos pequenos fornecedores teriam de fechar ou diminuir seriamente o número de trabalhadores (se pudessem despedir os trabalhadores, claro está)? Quantos estabelecimentos de pequeno comércio teriam de fechar as portas? Quantos prestadores de serviços se veriam em sérias dificuldades?
E quem fala dessas grandes empresas poderia falar de realidades como a Sonae, Grupo BES, Jerónimo Martins, PT, RAR e, infelizmente, poucos mais. Precisávamos de mais grandes grupos empresariais, dinâmicos, inovadores, com capacidade de investimento e vontade de internacionalização.
Empresas que visam o lucro - essa criação diabólica que gera empregos e que tem permitido que as comunidades que o apreciam e promovem sejam as que têm gerado mais bem-estar para todos - e que na prossecução desse objectivo gerem riqueza.
Quer se queira quer não, são os grandes grupos industriais, financeiros ou comerciais, os grandes impulsionadores das economias fortes e saudáveis. São estes grandes criadores de riqueza que permitem que se multipliquem empresas, que se criem empregos, que exista mais investigação. São estes que, no fundo, criam as condições para que as PME cresçam e se multipliquem.
Não se iria pedir a partidos que verberam contra os Mellos e Champalimauds e que nada aprenderam com a história do século XX que levantassem estas questões. O que impressiona é o silêncio profundo dos partidos que acreditam no mercado e no sistema capitalista e que sabem ou deveriam saber estes simples factos.
As PME têm problemas? Claro que sim. O pagamento especial por conta é uma vergonha? Evidentemente. A burocracia emperra o são funcionamento? Cristalino. Estão sujeitas a demasiada carga fiscal? Obviamente. A inflexibilidade da legislação laboral prejudica-as - provavelmente mais que às grandes empresas? Sem dúvida. A mais que lenta justiça põe em causa a sua actividade regular? Nem se pergunta.

Entenda-se: todas as empresas têm problemas graves e quase todos provocados por quem não lhos devia criar. O que não é honesto nem real é imaginar que as PME têm problemas de tal maneira diferentes das outras e tão específicos que permitam afirmar que o nosso deficiente desenvolvimento económico ou o desemprego se deva quase em exclusivo aos problemas destas.
As PME e os portugueses precisam de mais Josés Manuéis de Mello e de menos conversa fiada.

JTM/Diário de Notícias

 


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