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  N°2926 (Nova Série), Segunda-Feira, 15 de Setembro de 2008
Macau REPRESENTOU MAIS DE DOIS TERÇOS DAS RECEITAS NO PRIMEIRO SEMESTRE
RAEM cada vez mais importante para operadoras norte-americanas

Com a crise instalada no sector do jogo de Las Vegas e do estado do Nevada, as receitas dos casinos de Macau significam já mais de dois terços do total das operadoras norte-americanas

VÍTOR QUINTÃ

Receitas arrecadadas em Macau pela Las Vegas Sands até Junho valem quase 68% do total do grupo liderado por Adelson

Em Julho, as receitas do jogo no Estado norte-americano do Nevada caíram 13 por cento, face a igual mês do ano passado. Uma queda a pique que agudizou a tendência negativa que os casinos de Las Vegas e companhia vivem desde o início de 2008. Para a Wynn, a Las Vegas Sands e a MGM Mirage, a dependência do mercado de Macau está a aumentar.
A quebra verificada este ano poderá ser mesmo a pior desde que há registo para o sector do jogo no Nevada. Nos primeiros sete meses de 2008, o dinheiro que entrou nos cofres das operadoras representa menos 6,6 por cento do que no mesmo período do ano passado.
Mesmo na “Strip” de Las Vegas, as receitas do jogo caíram quase 15 por cento em Julho, em comparação com igual mês em 2007. Ou seja, foi o sétimo mês consecutivo em que as contas daquele estado norte-americano revelaram uma diminuição do montante conseguido pelos casinos.
“De facto, isto não aponta de forma alguma para resultados finais positivos”, reconheceu Frank Streshley. Citado pelo “Las Vegas Review-Journal”, o consultor da Comissão de Controlo do Jogo no estado do Nevada lembrou ainda que “apenas dois dos meses que restam no ano, Outubro e Dezembro, são considerados meses realmente fortes”.
MACAU. Pelo contrário, a indústria em Macau continua a registar um crescimento contínuo e acelerado. No mês passado, as receitas geradas pelas mesas de jogo e “slot-machines” dos casinos da RAEM chegaram perto dos 9,6 mil milhões de patacas. Ou seja, um aumento de 44 por cento em comparação com igual mês de 2007. Mas a subida é ainda mais significativa no total dos oito primeiros meses deste ano, 51 por cento, chegando a um valor de aproximadamente 77,5 mil milhões de patacas.
Isto significa, para as operadores norte-americanas, que o território está-se a tornar cada vez mais importante do que o estado do Nevada. Um exemplo claro é a Wynn Resorts, que, na primeira metade deste ano registou receitas de 12,88 mil milhões de patacas. Deste valor, mais de 8,2 mil milhões de patacas (64 por cento), entraram nos cofres do hotel-casino “Wynn”, em Macau.
Esta “dependência” é ainda maior no caso da Las Vegas Sands, que no primeiro semestre apresentou receitas de 17,6 mil milhões de patacas. O “Venetian” e o “Sands”, ambos na RAEM, representaram quase 68 por cento desse montante - 11,9 mil milhões. Algo que levou o director executivo, William Weidner, no final do mês passado, a admitir que a Las Vegas Sands “já é uma operadora mais asiática do que norte-americana”.
CRISE. Para os analistas, a “culpa” da queda histórica do jogo no estado do Nevada cabe à desaceleração da economia nos EUA, face à crise do crédito imobiliário e ao elevado preço do petróleo no mercado internacional. E os números estatísticos divulgados pela Autoridade de Visitantes e Convenções de Las Vegas parecem dar-lhes razão.
Em Julho, a “capital do jogo” norte-americana recebeu 3,2 milhões de turistas, menos 4,6 por cento do que em igual período do ano passado. Nos primeiros oito meses de 2008, o número de visitantes de Las Vegas ficou 1,1 por cento abaixo do registado em 2007.
No que toca aos hotéis, a taxa de ocupação caiu 4,8 por cento, ficando-se pelos 87 por cento em Julho. Já a receita média diária por quarto decresceu 10 por cento, para cerca de 851 patacas.
O elevado preço dos combustíveis prejudicou a economia dos EUA em geral, mas afectou de forma ainda mais significativa alguns sectores específicos, como os transportes. O número de passageiros que aterraram no Nevada em voos vindos de outros estados diminuiu 8,6 por cento. Também nos automóveis se verificou uma quebra, de 6,4 por cento, apesar do total de Julho continuar a ser impressionante - 90 mil veículos entraram no estado do Nevada, em média, por dia.
FUTURO. O panorama é tudo menos positivo, tanto para as empresas, como para os investidores. Julho foi o terceiro mês consecutivo em que as receitas do jogo no Nevada ficaram abaixo da meta psicológica do milhar de milhão de dólares (8 mil milhões de patacas).
Contudo, alguns analistas acreditam que o pior ainda está para vir na indústria em Las Vegas. “Acreditamos que 2008 será um período de transição para a maioria dos segmentos do mercado do jogo no Nevada”, defendeu Dennis Farrell Jr., numa nota a investidores. Para o consultor da Wachovia, é preciso esperar que “os consumidores se adaptem ao custo de vida mais elevado, o desemprego crescente, a diminuição da capacidade de transporte aéreo e um mercado imobiliário enfraquecido”.
Tal como em Macau, os impostos sobre o jogo são uma importante receita fiscal para a Administração do Nevada. A descida de 24 por cento nos impostos cobrados em Julho, em comparação com o mesmo mês do ano passado, coloca o orçamento do estado no “vermelho” admitiu Ben Kieckhefer, porta-voz do governador do Nevada, citado pelo “Las Vegas Review-Journal”.
Para os investidores, os números do jogo no Estado significaram também um sinal de alerta. A resposta foi uma queda das acções das operadora nas bolsas de valores. Em Nova Iorque, a mais afectada foi a Las Vegas Sands, cuja cotação desceu 10 por cento. Mas a Wynn Las Vegas (menos cinco por cento) e a MGM Mirage (menos três por cento) também sentiram os efeitos.


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