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  N°2836 (Nova Série), Ter¬a-Feira, 17 de Junho de 2008
GOVERNO QUER CRIAR SEGUNDO CENTRO PARA TRATAMENTO COM METADONA

Comissão de Luta contra a Droga entra hoje em funções

A partir de hoje, o combate à toxicodependência na RAEM passa a ser coordenado pela recém-criada Comissão de Luta contra a Droga, que reúne representantes de vários serviços governamentais

VÍTOR QUINTÃ

Poucos dias depois do Conselho Executivo apreciar uma nova proposta de lei que pune de forma mais severa os crimes ligados à droga, é hoje criada a Comissão de Luta contra a Droga. O novo organismo vai ter como função “apoiar o Governo na definição e implementação das políticas” de combate à toxicodependência.
A criação desta comissão é “uma excelente notícia”, afirmou a chefe do Departamento de Prevenção e Tratamento da Toxicodependência (DPTT) do Instituto de Acção Social (IAS), gabinete que lançou a ideia. Celeste Vong confessou ainda que já esperava há bastante tempo esta decisão, publicada ontem no Boletim Oficial da RAEM.
A principal função do novo organismo é coordenar as acções de combate contra a droga em Macau. Para isso, vai reunir representantes de vários serviços governamentais e dirigentes de instituições particulares, vindos de dois lados: a área social, da saúde e da educação; o sector da segurança e justiça.
A toxicodependência e o tráfico de estupefacientes são “problemas cada vez mais complicados”, considerou Celeste Vong. Por isso, explicou a responsável do DPTT, “não se pode resolver só com um departamento”. A comissão vai “facilitar a comunicação” e permitir “uma resposta mais rápida”, acrescentou.
MEMBROS. Assim, o órgão é presidido pelo Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Chui Sai On, e conta ainda com o presidente do IAS, Ip Peng Kin, e os directores dos Serviços de Assuntos de Justiça, André Cheong, dos Serviços de Saúde, Lei Chin Ion, e dos Serviços de Educação e Juventude, Sou Chio Fai.
Mas foram também incluídos representantes do Gabinete do Secretário para a Segurança, dos Serviços de Polícia Unitários, dos Serviços de Alfândega, do Ministério Público, e os directores da Polícia Judiciária e do Estabelecimento Prisional de Macau.
Além disso, vão ser convidados, no máximo, “cinco individualidades de reconhecido mérito” nas áreas da acção social e saúde e oito dirigentes de instituições particulares que trabalhem na prevenção e tratamento da toxicodependência. Isto porque uma das funções da comissão é “promover, coordenar, supervisionar e avaliar os programas” de prevenção do consumo de drogas e de tratamento e inserção social dos toxicodependentes.
Outra tarefa vai ser “assegurar um sistema de informação sobre a droga e a prevenção do abuso”. Como tal, o organismo deve colaborar “nas iniciativas que visem elevar a consciência da população relativamente à luta contra a droga”.
METADONA. Celeste Vong revelou ainda a intenção de criar um segundo centro para tratamento de toxicodependentes através da metadona, na zona Norte de Macau. A chefe do DPTT fez um balanço positivo da introdução deste método, que procura substituir de forma gradual o consumo de heroína.
Apesar do número de pessoas que se querem livrar da dependência se ter mantido “estável”, Celeste Vong sublinhou que tem havido um aumento das pessoas que procuram o tratamento da metadona, que são sobretudo toxicodependentes que já utilizam heroína há muito tempo.
Por outro lado, acrescentou a dirigente, há mais casos enviados ao DPTT pelas forças de segurança, sobretudo de jovens apanhados a consumir droga. Nesta situação, as drogas mais usadas são a ketamina e o esctasy, afirmou a responsável.
A abertura de um segundo centro de tratamento vai obrigar a contratar mais pessoal, reconheceu Celeste Vong. O actual número de funcionários “nunca é suficiente”, lamentou a chefe da DPTT. No entanto, a dirigente defendeu a introdução da desintoxicação como obrigatória para os condenados por consumo de droga.
O tratamento obrigatório “não vai ter 100 por cento de sucesso”, admitiu. Contudo, “pode obrigar os toxicodependentes a enfrentar os seus problemas”, explicou Celeste Vong. Para a responsável, este é o primeiro passo de um processo que “não é algo simples, que um único medicamento possa resolver”.
CARNAVAL. Celeste Vong falou aos jornalistas no final da apresentação do “Carnaval de Combate à Droga para Todos”. A iniciativa, marcada para domingo, na Praça Tap Seac, vai assinalar o Dia Internacional de Luta contra o Abuso e o Tráfico Ilícito de Drogas, comemorado a 26 de Junho.
O evento arranca às 14 horas, com a abertura de uma exposição e de 25 tendas com pequenos jogos destinados sobretudo aos jovens. Além dos dois organizadores - o IAS e a divisão de Macau e Hong Kong do Lions Club Internacional - a iniciativa vai contar com o apoio de alguns serviços governamentais e de muitas organizações e instituições da sociedade civil. As três tendas com os melhores jogos vão ainda receber um prémio.
Meia hora depois começa um espectáculo cultural, que inclui a dança do leão, demonstrações de cães-polícia, de karaté e de “break-dance”. A música fica reservada para as 17 horas, com a participação de cantores de Macau e de Hong Kong. Além de espectáculos de dança e de bicicleta BMX, o palco vai receber ainda a distribuição dos prémios no concurso de design de uma t-shirt que simbolize a luta contra a droga.
No ano passado, o Dia Internacional de Luta contra o Abuso e o Tráfico Ilícito de Drogas foi celebrado no Bairro Iao Hon. Com a mudança de local, Celeste Vong confessou que espera ultrapassar as três mil pessoas que participaram em 2007.


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