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  N°2836 (Nova Série), Ter¬a-Feira, 17 de Junho de 2008
APESAR DO TERRITÓRIO ESTAR BEM CLASSIFICADO NA PROPORÇÃO DE MÉDICOS

Camas de hospital disponíveis na RAEM muito abaixo da média mundial

O número de camas disponíveis em Macau para internamento está bastante abaixo da média internacional. Melhor é a situação no que toca aos médicos, em que a RAEM serve de exemplo regional, com um crescente número de profissionais nesta área. Também há mais enfermeiros

EMANUEL GRAÇA

Os indicadores de Saúde de Macau têm vindo a melhorar nos últimos anos. Sinónimo disso é que há mais médicos e enfermeiros “per capita” no território. Em sentido inverso caminha o número de camas disponíveis para internamento, cuja relação por cada 1.000 habitantes coloca a RAEM bastante abaixo da média mundial.
De acordo com dados divulgados ontem pelos Serviços de Saúde, no fim do ano passado estavam registadas nos três hospitais do território 1.014 camas destinadas a internamento (incluindo berços). O valor representa uma média de 1,9 por cada 1.000 habitantes, uma ligeira quebra de 0,1 face a 2005.
Enquadrando estes dados no contexto global, Macau fica mal na fotografia. De acordo com um relatório de 2008 da Organização Mundial de Saúde (OMS), a média internacional do número de camas é de 3,0 por cada 1.000 habitantes. Apesar de não existirem dados referentes apenas à região da Ásia, basta comparar a RAEM com alguns países asiáticos para se perceber a existência de diferenças significativas com o Sri Lanka (2,9), Coreia do Sul (8,6), Japão (14,1) ou mesmo China Continental (2,2), só para citar alguns exemplos.
A eventual criação de um hospital público na Taipa pode ajudar inverter os baixos valores apresentados por Macau no que toca ao número de camas “per capita”. O director dos Serviços de Saúde, Lei Chin Ion, revelou em Abril que está “em fase de estudo a viabilidade” da construção de “um hospital multidisciplinar” na ilha. Além disso, está também prevista a ampliação do Serviço de Urgências do Centro Hospitalar Conde São Januário, para criar um edifício com o triplo da área da actual unidade. Pelo meio, e já para o próximo mês, o responsável anunciou um outro plano intermédio, que vai mais do que duplicar as camas para observação de doentes nas Urgências, para 25 unidades.
POSITIVO. Nem tudo é mau. A RAEM surge entre os melhores da Ásia no capítulo do número de médicos “per capita”. Porém, o território continua longe dos valores verificados na Europa ou nos Estados Unidos e são ainda muitas as queixas no que toca à respectiva qualidade e celeridade de atendimento.
Segundo os dados fornecidos pelos Serviços de Saúde, no fim do ano passado existiam 1.226 médicos em Macau. Tal significava que a média por 1.000 habitantes era de 2,3. As estatísticas demonstram um contínuo progresso deste valor ao longo dos últimos três anos: em 2005, a média era de 2,1, subindo 0,1 no ano seguinte.
Apesar do aumento, Macau fica bastante atrás da Europa, onde o valor se situa nos 3,2 médicos por cada 1.000 habitantes, segundo os dados da OMS. Nos Estados Unidos, a correlação é de 2,6, enquanto em Portugal existem 3,2 médicos por cada 1.000 pessoas. Em termos globais, a média é de 1,3.
Enquadrando a RAEM no panorama regional, os dados já são mais positivos, ficando à frente de Singapura (1,5), China Continental (1,4), Coreia do Sul (1,6), Índia (0,6) ou Japão (2,1). De resto, o território supera largamente a média do Sudeste Asiático que, segundo a OMS, se fica por 0,5.
A mesma tendência de crescimento do número de médicos por 1.000 residentes verifica-se no que toca aos enfermeiros: a média era de 2,3 em 2005, passou para 2,4 em 2006 e fixou-se em 2,5 no ano passado. No final do ano passado, existiam 1.335 enfermeiros na RAEM.

Fernando Gomes salienta que números reais são piores

O vice-presidente da Associação dos Médicos dos Serviços de Saúde de Macau, Fernando Gomes, chama a atenção para os números ontem revelados pela Administração não contarem toda a história. Como frisa o profissional, nas estatísticas da Saúde “per capita” não são contabilizados os visitantes e os trabalhadores não residentes, “que também adoecem” e utilizam os recursos existentes na RAEM, acrescentando pressão extra ao sistema. A isso soma-se a “agudização” criada na procura em épocas do ano particulares, devido a doenças sazonais, como a gripe. Ainda assim, Fernando Gomes considera que “Macau está bem servido no que toca ao número de médicos no sector público”, mas salienta que existem serviços ou especialidades onde há falta de pessoal. É neste capítulo que o vice-presidente da Associação dos Médicos dos Serviços de Saúde lamenta que não se verifique “investimento suficiente” no sector público, com o Governo a preferir subsidiar privados, cujos níveis de exigência para com as habilitações do pessoal são menores, diz. “Estão a vender os serviços aos bocados”, atira, sublinhando que isso “não é justo”. A fechar, o responsável considera que é preciso também consciencializar a população para utilizar os Serviços de Saúde de forma mais regrada: “Os utentes não podem ver um médico quando querem, mas quando precisam”.


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