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  N°2836 (Nova Série), Ter¬a-Feira, 17 de Junho de 2008
DENTRO E FORA DAS QUATRO LINHAS

Scolari fez muito bem!

JOSÉ ROCHA DINIS
Enviado especial

1. É bem possível que no dia seguinte à merecida derrota frente à Suiça, Luiz Felipe Scolari passe de “bestial” a “besta” e que, em especial, os portugueses que se deslocaram a Basileia comecem a pôr em dúvida o seu cometimento à selecção portuguesa, agora que acaba de fazer o “contrato da sua vida” para ir treinar o Chelsea. Ouvindo os jornalistas portugueses, aliás, a derrota frente à fraca Suíça foi humilhante, e insinua-se já que pode ter influência no decurso do Euro2008.
É assim a vida de um técnico de futebol, mas neste caso, uma forma muito injusta de analisar os objectivos importantes da equipa.
Ao fazer a escolha de jogadores para este encontro, e como previmos três dias antes, Scolari tinha que defender o objectivo principal de ter o seu melhor “onze” apto para os quartos de final. O jogo frente à Suíça era apenas para “cumprir calendário” e assim tinha que ser analisado pelos técnicos, jogadores e adeptos portugueses.
E por isso, Scolari ajuizou bem. Fez entrar oito jogadores novos, limitando-se a deixar Ricardo, Pepe e Paulo Ferreira de entre a equipa dos “melhores”. E, não fora, o cartão amarelo a Paulo Ferreira num “carrinho” que poderia ter enviado o ala direito suíço para o hospital, o plano teria sido cem por cento acertado, não necessitando de assumir no final do encontro que “deveria ter jogado com 11 jogadores novos”.
Scolari assumiu o erro e isso é bom. A nível internacional, porém, não se pode errar, e nestes detalhes se nota a diferença entre os técnicos “especiais” e os que não o são.
Nos quartos de final, a selecção portuguesa terá jogadores “frescos”, mas só o futuro dirá se não irá “pagar” esse desnecessário cartão amarelo, que só será limpo a partir das meias finais.
2. A entrada de tantos novos jogadores, por outro lado, veio tirar qualquer dúvida sobre quem, neste momento, é o “onze” de maior rendimento e fiabilidade para a selecção portuguesa.
Com excepção de Bruno Alves, cujo problema é unicamente ter Ricardo Carvalho como titular, todos os jogadores que entraram, mostraram estar muito abaixo dos habituais titulares.
Miguel, por exemplo, está uma pálida imagem do jogador de outras épocas, e foi até dos que mais comprometeu durante a primeira parte em que Portugal esteve muito perto de chegar ao golo.
O trio Meireles, Meira e Veloso, não tem nada que ver com Moutinho, Petit e Deco, o que não significa que em determinados momentos, um ou outro não possam cumprir o papel dos companheiros.
O mesmo se diga do ataque, onde ficou evidente, de uma vez para sempre que Simão é mais completo que Nani e Quaresma (este aliás desaparece em largas fases do jogo) e Nuno Gomes é, apesar de alguma falta de pico de velocidade, o mais interessante ponta de lança, jogando de costas para a baliza para a entrada dos médios, ou mesmo de Pepe, no primeiro jogo. De Ronaldo não vale a pena falar porque é indiscutível em qualquer das alas ou mesmo no centro.
Usando do mesmo sistema, e com todos os novos jogadores, a selecção portuguesa teria mesmo que apresentar rendimento inferior, mas mesmo assim poderia ter marcado na primeira parte e no início da segunda, quando a barra e o poste substituíram o guarda-redes contrário. O jogo teria sido diferente se isso tivesse acontecido.
De enaltecer, no entanto, a vitória da selecção da Suíça, que tem alguns elementos interessantes, em especial no meio campo e no já conhecido Hakan Yakin. “Wir Kommen” ou “nós voltaremos” era o pedido dos adeptos da equipa que nunca foi aos quartos de final, nem mesmo em 1996, quando era treinada por Artur Jorge...
3. Valentes turcos, que conseguiram dar a volta a um resultado negativo de 2-0, tiveram o guarda-redes expulso e mesmo assim eliminaram a República Checa.
Um dos melhores guarda-redes do mundo, o checo Petr Cech ajudou a vitória adversária com um erro básico que permitiu o empate, dando cada vez mais força ao rumor de que ficou com a visão afectada na lesão sofrida na Premier League.
A capacidade física, o colectivismo e a determinação dos jogadores turcos, porém merecem os maiores elogios, demonstrando que no futebol não há vitórias antecipadas.


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