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  N°2836 (Nova Série), Ter¬a-Feira, 17 de Junho de 2008
O EURO VISTO DESDE MACAU
MAU TEMPO E DIFERENÇA HORÁRIA AFASTARAM ADEPTOS

“Resistentes” em Macau assistiram a jogo desapontante

Os adeptos não compareceram no número que tem sido habitual para assistir ao jogo de Portugal frente à Suíça no antigo Albergue da Santa Casa. A partida não decidia nada - os anfitriões despediam-se do Euro e a equipa das quinas já tinha lugar nos “quartos”. Para além disso, a chuva que se fez sentir e a hora tardia da partida, na véspera de um dia de trabalho, afastaram os simpatizantes da selecção

TIAGO PIMENTEL

Se este texto fosse uma peça de teatro, teríamos que assinalar um primeiro sinal ominoso ainda antes do apito inicial para o Suíça - Portugal, quando a chuva começou a cair no território. Um quarto de hora antes do arranque da partida ainda eram poucos os adeptos presentes no antigo Albergue da Santa Casa da Misericórdia, onde a Casa de Portugal em Macau tem projectado os jogos da selecção no Euro.
Entretanto chegaram “reforços” importantes: cerveja, pão com chouriço e empadas para aconchegar o estômago e prepará-lo para a madrugada. Desta vez, todos os espectadores presentes puderam assistir ao jogo confortavelmente sentados. De facto, ainda sobraram cadeiras: eram cerca de 25 os seguidores da selecção portuguesa quando o jogo começou.
Foi nos primeiros minutos da partida que se fez sentir o segundo sinal de desgraça: “Poucos mas bons”, disse alguém, acrescentando que os adeptos presentes eram os verdadeiros “resistentes”. Ainda que Portugal jogasse praticamente com a segunda equipa, a “frágil” Suíça não parecia capaz de fazer frente à equipa das quinas, depois de duas boas exibições.
INDIVIDUALISMO. Com os primeiros minutos de jogo, percebeu-se que os habituais suplentes portugueses queriam dar nas vistas em lances individuais, sem pensar em jogar em equipa. De facto, foi preciso esperar pelos 18 minutos para ver a primeira jogada de grande perigo para a baliza da Suíça, quando o guarda-redes da casa desviou para a trave um cabeceamento de Pepe.
Uma oportunidade tão flagrante empolgou a plateia, que até ao final do primeiro tempo viu a equipa portuguesa ameaçar a baliza adversária em vários lances, que acabavam devido à falta de pontaria dos jogadores lusos, ao individualismo exagerado ou à intervenção da defensiva suíça. Alguém que se interrogava sobre quem seriam os solteiros e os casados, e na baliza portuguesa a defesa ia dando calafrios aos adeptos em Macau, com intervenções nervosas do guardião Ricardo. Nada que não se resolvesse com um valente “puxão de orelhas” de Scolari à equipa, no intervalo, pensavam os adeptos, optimistas.
Depois do cigarro e dos dois dedos de conversa da interrupção, a plateia voltou aos seus lugares confiante numa segunda parte diferente - para melhor. Mas as expectativas cedo foram defraudadas. A Suíça entrou empenhada em marcar um golo para se despedir em grande dos seus adeptos, e a verdade é que logo nos primeiros minutos criou várias jogadas de perigo junto da baliza portuguesa.
TRAGÉDIA. Depois de um pontapé de Nani que embateu no poste, “só deu” Suíça. Com a equipa portuguesa encostada às cordas, adivinhava-se o golo dos anfitriões, que acabou por surgir aos 71 minutos. Um grande passe de Derdiyok isolou Hakan Yakin em frente a Ricardo, com o avançado suíço a fazer a bola passar por entre as pernas do guarda-redes luso. Estava consumado o desgosto, depois dos sinais de aviso.
A Suíça, empolgada pelo seu público, intensificou a pressão e aos 83 minutos o árbitro assinalou grande penalidade por suposta falta de Fernando Meira na grande área. Chamado a marcar, Yakin rematou certeiro para o 2-0.
O fim chegou - finalmente - para terminar com o sofrimento de jogadores e espectadores. A selecção helvética conquistou a primeira vitória num Europeu e despediu-se em grande do treinador Jakob Kuhn e do seu público. A madrugada no antigo Albergue acabou com os últimos minutos do Turquia - República Checa, jogo emotivo até ao fim.
“Foi um jogo muito fraco”, afirmou Pedro Lobo, acrescentando que “não surpreendeu” a vitória da equipa suíça. “Os jogadores portugueses pensavam que estavam a jogar sozinhos, não jogavam em equipa”, disse o professor que, ainda assim, mantém a confiança na selecção: “Estou confiante que conseguimos passar pelo menos até às meias-finais”, concluiu.
Já a presidente da Casa de Portugal em Macau, Maria Amélia António frisou que “como não conhecedora de futebol, não gostei do jogo”. “Comparativamente com os outros jogos, não gostei da forma como os jogadores jogaram”, reforçando que assim “não entusiasma ver a partida, deixa de ser uma festa”.
Em relação ao número de adeptos presentes, Pedro Lobo afirmou “o jogo foi muito tarde, e o tempo também ajudou a desmobilizar alguns espectadores”. Por seu lado, Maria Amélia António disse estar “convencida que vai haver mais gente” na próxima partida.


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