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  N°2782 (Nova Série), Quinta-Feira, 24 de Abril de 2008
CCM PREPAROU SESSÃO ADICIONAL PARA DOMINGO
“Arte” revela lado oculto dos homens

“Arte” — uma das peças de teatro mais premiadas e traduzidas mundialmente — vai estar em palco no pequeno auditório do Centro Cultural de Macau entre amanhã e domingo

ANA FILIPA OLIVEIRA

Um quadro branco de valor exorbitante serve de pretexto para uma discussão sobre o conceito de arte entre três amigos. Contudo, a peça de teatro “Arte” é muito mais que isso. É um episódio das vivências entre homens, em que a intolerância e o fingimento se sobrepõem à verdadeira amizade.
Protagonizado por Chow Chi Fai, Poon Chan Leung e Sun Wai Keung, “Arte” vai estar no pequeno auditório do Centro Cultural de Macau (CCM) entre os dias de amanhã e domingo, às 20 horas. Devido à grande afluência às bilheteiras nos últimos dias, o CCM decidiu organizar uma sessão adicional no domingo, pelas 15 horas.
“O quadro é apenas um artefacto, através do qual são explicadas as relações humanas”, explicou o encenador Weigo Lee. A relação entre três amigos de longa data — Serge, Marc e Yvan — sofre um forte abalo quando Serge, um homem requintado e caprichoso, adquire um grande quadro, caríssimo e completamente branco.
“Ridendo castigat mores” é o lema vincentino que se adequa perfeitamente a “Arte”, porque diverte o público ao mesmo tempo que apresenta os seus defeitos. “Este tipo de peça é o mais apropriado para denunciar o estilo de vida moderno, na medida em que atinge o público pouco a pouco”, afirmou o encenador.
Da autoria da dramaturga francesa Yasmina Reza, a história centra-se na falta de tolerância dos homens em manter relações de amizade. “É muito interessante esta visão feminina sobre a relação entre os homens”, salientou o actor Poon Chan Leung. A sensibilidade feminina é uma constante ao longo de toda a peça, que Weigo Lee teve o cuidado de preservar. “A escrita tem um sentido muito feminino e os actores têm de ter isso em conta”, referiu o encenador.
O actor Sun Wai Keung salientou também que a peça funciona como um reflexo da natureza do sexo masculino na sociedade actual. “Os homens são uma farsa, camuflam sentimentos e não conseguem ser honestos nem com eles próprios”, afirmou. Poon Chan Leung explicou que “as direcções de Weigo Lee foram fundamentais para captar as potencialidades de cada personagem, mas sem cair no exagero”.
Também o actor Chow Chi Fai reiterou que estes homens são um verdadeiro clássico da sociedade moderna. “Eles têm uma atitude demasiado conservadora e tentam proteger-se dos outros, fechando-se no seu próprio mundo”, acrescentou.
Premiada mundialmente e traduzida em 36 línguas, “Arte” é uma das peças de maior sucesso a nível global. A encenação original teve estreia em Paris em 1994 e ao longo dos 14 anos de actuações, já foi galardoada com inúmeros distinções, nomeadamente os prémios Tony e Molière. Aliás, Yasmina Reza tornou-se na primeira encenadora não inglesa a receber um prémio Tony para Melhor Peça.
A adaptação para cantonense, traduzida por Jin Zhiping, rapidamente se tornou um sucesso de bilheteiras em Hong Kong no ano passado. Com o mesmo elenco e encenação da região vizinha, a cargo da companhia “Teatro Repertório de Hong Kong”, “Arte” promete fazer rir, enquanto mostra o lado oculto do sexo masculino.


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