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  N°2587 (Nova Série), Ter¬a-Feira, 25 de Setembro de 2007
uma cidade em festa
Comunidade chinesa celebra hoje
o “Dia do Bolo Lunar”

A comunidade chinesa de Macau e em todo mundo comemoram no próximo dia 25 o “Dia do Bolo Lunar” também conhecido por “Festividade do Outono” “Tchong-Chau-Chit” ou “Festividade do Bolo Bate-Pau”, uma das mais interessantes festas do Território

LEONEL BARROS

Na antiguidade, os chineses desconheciam os sábados, domingos e dias feriados já que as condições sócio-económicas da altura não permitiam folguedos semanais. No entanto, o seu calendário lunar previa algumas importantes festividades que vindas de tempos remotos, são ainda respeitadas e cumpridas pelo povo chinês. É nessas datas que o chinês põe de lado os afazeres diários e se entrega às celebrações e ao descanso.

De todas as actividades as seis mais importantes e celebradas são: O “San Nin” (Ano Novo Chinês), o “Tcheng Meng” (Pura Claridade), o “Si-Iam-Chit” (Barco de Dragão), o “Kuai Chit” (Almas Penadas), o “Tchong Chau Chit” (Bolo Lunar) e o “Tchong Iong Chit” (Festividade do aprovisionamento do principio masculino).

Dai que, tanto os chineses de Macau e como os que vivem noutras partes do mundo celebrem no 15o dia da 8a lua, o “Tchong Chau Chit” (Bolo Lunar), comendo um bolo arredondado em forma de lua que é manufacturado em pastelarias da especialidade, que têm as suas fachadas ornamentadas com interessantes quadros alusivos às várias lendas que andam ligadas a esta festividade em toda a China.

O início do Outono é tido, pelos chineses, como uma estação muito propicia a tornar as pessoas felizes e alegres. Os dias e as noites são quase iguais na sua duração, e a temperatura é mais moderada. Para os chineses, este é o período mais propicio ao prazer e à saúde do que qualquer outro período do ano.

Da China são importadas grandes quantidades de sementes de lótus para a confecção do Bolo Lunar que é recheado com doces e salgados.

Há várias espécies, uns com recheios de lótus açucarado , outros com mungo, outras com sementes de trate e outras ainda com uma mistura de toucinho, carne salgada e amêndoas. Este bolo representa a fase da Lua Cheia, razão porque os chineses lhe deram o nome de “Iut-Peang”. É que “Iut” significa Lua e “Peang” significa bolo.

COMO SE CONFECCIONA. Segundo velhas tradições, o Bolo-Lunar ou “Bate-Pau” é confeccionado da seguinte forma:

Após serem colhidas, as sementes de lótus são cozidas e amolecidas. Depois o preparador serve-se de um pau com o formato duma pá com a abertura arredondada no centro e mete nela a massa de farinha feita com as sementes de lótus e os recheios, carregando seguidamente com a palma da mão para comprimir bem. Em seguida, bate-se o pau com força sobre a mesa, a fim de fazer expelir o bolo que, acto continuo, é levado ao forno em tabuleiros de metal, para ser assado.

Uma vez pronto, o bolo apresentará uma crosta acastanhada dourada. Os bolos mais caros têm, no seu interior, uma ou mais gemas de ovo de pato salgado.

Os patrões das respectivas pastelarias colocam esmero especial na ornamentação. Nas casas de habitação esse trabalho é entregue à habilidade e bom gosto das filhas maiores, orientadas pelas mães, ou na sua falta, pelas próprias donas de casa.

São principais motivos de ornamentação as lanternas coloridas chinesas, de diferentes formas, tamanhos e feitios onde predominam a cor vermelha, as borboletas que são o símbolo da longevidade, as lagostas vermelhas que dão alegria e nos tornam resignados com a nossa sorte, meios de fortuna e condição social, as aves, os coelhos e as frutas representando respectivamente avicultura, cunicultura e horticultura.

Antigamente os estudantes tinham o costume de ornamentarem os seus quartos e salas de aulas com carpas que são peixes que de acordo com a lenda se transformavam em dragões após atravessarem as cascatas do Rio Amarelo para que o seu exemplo de esforço, tenacidade e força de vontade lhes servisse de estímulo nos estudos, principalmente nas vésperas dos exames. Presentemente este hábito acabou!

Nos campos de cultura, ainda hoje os camponeses celebram esta festa em larga escala, pois tendo terminado os trabalhos pesados das colheitas, a mesma coincide com um curto período de descanso. Os lavradores, e em especial os plantadores de arroz, aproveitam esta ocasião para prestarem o seu culto ao “Deus do Campo”, a cuja benevolência devem a sua prosperidade.

É uma ocasião de descanso geral para os chineses e, no passado, os patrões davam geralmente aos seus servidores uma modesta gratificação, a fim deles poderem adquirir o bolo festivo.

Os parentes e amigos aproveitam este dia para trocarem bolos. Os mais caros têm uma imagem em que se reconhece a Lua, vista através de um bosque, no meio do qual se vê um coelho escondido.

Consta que, durante a dinastia mongol, que reinou na China no sec. XIV, um espião vivia em casa de chineses que nunca haviam aceite inteiramente o domínio dos mongóis. Exagerando as suas atribuições, os representantes do Imperador cometiam as maiores tropelias e praticavam actos tais que mais os tornavam odiados pelos habitantes das casas onde viviam. Sobretudo as mulheres e raparigas já crescidas tinham-lhes um ódio de morte pelos abusos que perpetravam contra o seu pudor.

No coração de todos ia crescendo o espírito de revolta contra a tirania desse espiões soldados que exerciam o seu sadismo duma força insuportável, e ansiosamente  esperavam apenas por uma ordem de comando para que as suas cabeças rolassem por terra.

Chegando o dia 15o da 8o Lua, foi metida nos bolos uma mensagem apelando à revolta, e assim foi distribuída por todas as casas. Chegara finalmente a hora da libertação e todos os homens válidos deviam comparecer na praça pública trazendo com eles tudo quanto pudesse constituir arma.

E, nesse momento de revolta houve festa e alegria, quando milhares de cabeças dos mongóis caíram por terra e a China voltou a ter outra vez Governo próprio. Assim se explica o facto do povo chinês viver ainda hoje agarrado a uma tradição de milénios e celebrar como se fazia há muitos milhares de anos, todas as suas festas subordinadas sempre ao calendário do Ano Lunar.


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