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  N°2587 (Nova Série), Ter¬a-Feira, 25 de Setembro de 2007
ACADÉMICO DESTACA LAÇOS HISTÓRICOS mas ADMITE POUCA INFLUÊNCIA EM MATÉRIA DE COMÉRCIO
Macau estabelece ponte
cultural entre Brasil e China

As relações entre o Brasil e a China estão a atravessar uma fase de reforço nos mais variados sectores. As referências históricas e culturais fazem de Macau o elo de ligação entre as duas potências emergentes mas, em matéria de trocas comerciais, o território fica à parte, frisou ontem Severino Cabral, tido como o maior especialista brasileiro na área dos estudos orientais

DIANA DO MAR

Macau estabelece uma ligação importante entre os dois gigantes que são o Brasil e a China, sustentou ontem o professor Severino Cabral, presidente do Instituto Brasileiro de Estudos da China e Ásia-Pacífico (ABECAP), ao salientar a posição de destaque que a RAEM ocupa no contexto das relações sino-brasileiras.

Numa palestra intitulada “As relações Brasil-China e os desafio do século XXI”, que teve lugar ontem no Instituto Internacional, Severino Cabral estabeleceu um paralelismo entre o tamanho de Macau e a função “enorme” que o território ocupa no panorama histórico, cultural e estratégico no que respeita ao diálogo entre Brasil e China.

Manifestando-se satisfeito por regressar a um território que considera como a “semente da língua, marca do passado que deve permanecer no futuro”, Severino Cabral apontou ainda as semelhanças entre Macau e São Paulo, cidades que foram criadas no mesmo ano e que estiveram sob a alçada portuguesa.

Distinta é contudo a visão do académico sobre o papel de Macau no âmbito das relações comerciais entre Brasil e China. Apesar do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, sediado em Macau, estar a contribuir para o reforço dos laços comerciais entre os mercados chinês e lusófonos, Severino Cabral acredita que o seu impacto em termos do relacionamento sino-brasileiro é reduzido, atendendo até à forte relação que o Brasil e a China têm mantido ao longo dos últimos anos.

Em matéria de investimentos e trocas comerciais, Severino Cabral entende que Macau ainda representa “uma gota no oceano”, uma vez que os dois países mantêm um relacionamento directo nesse capítulo.

TROCAS COMERCIAIS. O Brasil e a China têm sido protagonistas de um contínuo e desenfreado crescimento económico nos últimos 30/40 anos, o que segundo o académico, lhes confere a responsabilidade de contribuirem para a estabilização do mundo, nomeadamente, no que toca ao uso excessivo de recursos naturais e às questões de ordem ambiental. Para além disso, Severino Cabral referiu que existem muitas semelhanças entre os dois territórios, quer ao nível económico ou em matérias de cariz político.

Actualmente, o volume anual das trocas comerciais entre o Brasil e a China ascende aos 20 mil milhões de dólares americanos, sendo que antes se fixavam nos três mil milhões, o que coloca a China no mesmo plano do Estados Unidos, da União Europeia e do bloco económico da MERCOSUL em matéria de trocas comerciais.

O Brasil e a China mantêm ainda outros tipos de parceria, nomeadamente no campo da ciência e tecnologia, com especial destaque para a aeroespacial. Paralelamente, os dois países complementam-se noutras áreas de que são exemplo a produção agrícola e o sector energético. Segundo Severino Cabral, o “celeiro do mundo” apresenta condições superiores relativamente às matérias-primas, tendo sido até pioneiro num projecto de produção de combustível através dos cereais, enquanto que o mercado chinês oferece preços com os quais é impossível competir.

De acordo com o especialista, o facto de o Brasil e a China integrarem o G-20 pode oferecer aos dois países a possibilidade de ditarem regras para a criação de uma nova ordem económica mundial. No próximo ano, a que os brasileiros já apelidam de ano asiático, vão ter lugar uma série de eventos e viagens de carácter diplomático com destino à China, o que se pode traduzir numa ampliação das relações entre os dois países em vias de desenvolvimento.


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