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  N°2574 (Nova Série), Quarta-Feira, 12 de Setembro de 2007
Editorial
Nobre Povo
josé rocha dinis

Qualquer pessoa fica arrepiada pela determinação e emocionada pela convicção com que a selecção portuguesa “viveu” o hino nacional, no primeiro jogo do Mundial de rugby em Saint Ettienne, em que perderam por larga margem frente ao escoceses

Os símbolos nacionais como a bandeira ou o hino são, to dos nós o sabemos, fruto de um momento histórico e al gumas vezes de circunstâncias fortuitas.

No caso português, a actual bandeira, surgida da inspiração de Columbano, João Chagas e Abel Botelho surgiu com a implantação da República, mas tem amplos motivos dos tempos monárquicos - o escudo, os sete castelos e a esfera armilar das viagens dos navegadores de Quinhentos; no caso do hino, composto em 1890 por Alfredo Keil respondia-se ao ultimatum britânico e a letra de Henrique Lopes de Mendonça foi sofrendo mudanças de acordo com o momento histórico, por exemplo, onde hoje se diz marchar “Contra os canhões”, originalmente marchava-se “Contra os Bretões”. Em 1910, substituiu o hino da carta monárquico, mas porque havia várias versões, em 1956 estabeleceu-se uma versão oficial que se manteve até hoje.

O facto do hino ter sido aprovado por um Conselho de Ministros presidido por Oliveira Salazar, não criou reservas nos oposicionistas podendo até dizer-se que nos Congressos da Oposição Democrática, ou nas RGA’s dos Estudantes, o hino era sempre um dos mais emotivos momentos.

É que o hino, mesmo algo desactualizado na letra como o nosso (quem é que vai marchar hoje e contra quem!?!?) é um símbolo nacional e uma referência de unidade de todo o povo português.

Em Portugal, durante o regime anterior a utilização dos símbolos pátrios era fruto de restrições legais como se o ditador tivesse receio que alguém se apropriasse deles. Já em Democracia, foi necessário que a globalização do “marketing” levasse os portugueses a imitar outros povos e a vestirem-se com as  cores nacionais em momentos especiais, quase todos de cariz desportivo.

Quanto ao hino, um certo pensamento internacionalista evitou a sua aprendizagem nas escolas, chegando-se ao ponto de toda uma selecção nacional de futebol ser incapaz de soletrar mais do que “Heróis do mar”. Uma vergonha que obrigou a Federação a incluir a aprendizagem do hino no programa de treinos, com o que chegámos à actual situação de todos serem capazes de articular a letra do símbolo nacional. Como um “frete”, sem convicção, nem sentimento, como se profissional tivesse apenas o dinheiro como símbolo...

Por isso, qualquer pessoa fica arrepiada pela determinação e emocionada pela convicção com que a selecção portuguesa “viveu” o hino nacional, no primeiro jogo do Mundial de rugby em Saint Ettienne, em que perderam por larga margem frente ao escoceses.

Estes “lobos” são heróis nacionais deste “nobre Povo” português...

Veja o video


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