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  N°2539 (Nova Série), Segunda-Feira, 6 de Agosto de 2007
MAIS DE 50 JOVENS DESAPARECEM POR MÊS NA ZONA DE LISBOA
Namoros de Verão e más notas estimulam fugas de casa

As notas pouco famosas ou os namoros de Verão levam anualmente muitos jovens portugueses a fugir de casa. O pico de adolescentes desaparecidos entre Maio e final de Agosto é tal que, só em Lisboa, a polícia regista nesta altura mais de 50 casos por mês

JOANA PEREIRA BASTOS*

Em entrevista à Lusa, o director do Departamento Central de Informação Criminal e Polícia Técnica (DCICPT), responsável pela investigação de casos de desaparecimento de pessoas, afirmou que o final do ano lectivo é sempre um momento crítico, sinónimo de trabalho acrescido para os inspectores da Polícia Judiciária.

“Nos meses de Maio, Junho, Julho e Agosto há sempre um pico de desaparecimentos de adolescentes entre os 12/13 anos e os 17/18. Nesta altura, há mais de 50 ou 60 desaparecimentos por mês, só na área de Lisboa”, afirmou António Ramos Caniço, director da DCICPT.

As férias e a tentação de “curtir” nos festivais de música fazem de Agosto um mês com particular incidência de casos: “A rapariga vai para o Sudoeste e ele vai atrás ou vice-versa. São as paixões de Verão”, resume o director.

Mas o aumento de desaparecimentos regista-se igualmente no final de Junho e no mês de Julho, tendo, nessa altura, uma motivação menos romântica. A divulgação das notas do final do ano lectivo e a afixação dos resultados dos exames nacionais do básico e do secundário ditam, muitas vezes, a decisão de fugir de casa.

O medo de contar aos pais e de sofrer castigos leva os adolescentes a desaparecer para casa de um amigo ou do namorado ou namorada. Não dizem onde estão no primeiro dia e, a partir daí, têm cada vez mais vergonha e receio de enfrentar a família.

“Gera-se uma espiral” que leva os jovens a prolongar a ausência, explica Ramos Caniço. Apesar disso, na esmagadora maioria das vezes, a PJ resolve o caso em apenas dois ou três dias.

Assim que é feita a participação, os inspectores que integram as brigadas de desaparecidos empenham-se de imediato, não havendo qualquer prazo de 48 horas para iniciar a busca, ao contrário do que se julga habitualmente.

Depois das primeiras diligências, que passam pela realização de pesquisas nos hospitais e no Instituto Nacional de Medicina Legal para afastar os piores cenários, a investigação centra-se na família.

“Já saíram as notas da escola? Quem é a namorada? Com quantas é que ele anda? E os amigos estão onde? As coisas são mesmo assim. São as perguntas que fazemos logo aos pais”, explica Ramos Caniço.

Apesar de trabalhosos, os casos não são habitualmente complicados para a PJ e não são poucas as vezes em que o adolescente é encontrado através do telemóvel, atendendo a chamada dos inspectores, por ser um número desconhecido.

“Temos de os chamar à razão: ligue lá ao pai ou à mãe, diga onde está porque isto não é bom para si, não é bom para os seus familiares, nem é bom para mim porque tenho coisas mais importantes para fazer”.

Depois de encontrados, o director da DCICPT deixa sempre um aviso aos pais: “A última coisa que se deve fazer é aplicar castigos físicos ou muito severos porque isso é meio caminho andado para o desaparecimento se repetir”.

* Jornalista da Agência Lusa


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