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  N°2462 (Nova Série), Segunda-Feira, 21 de Maio de 2007
MAU TEMPO OBRIGOU AO CANCELAMENTO DA ÚLTIMA RONDA
“Play-off” dá triunfo “molhado” a Lu Wen-teh

A chuva não impediu que o Open de Macau terminasse em grande estilo, com um “play-off” emocionante. No fim, a vitória sorriu ao veterano Lu Wen-teh, de Taiwan

EMANUEL GRAÇA

O Open de Macau terminou ontem com um misto de chuva e emoção. Após o mau tempo ter obrigado ao cancelamento da quarta ronda (e ameaçado a continuidade da terceira, com os jogadores a irem para os “greens” só às 14:30), o formosino Lu Wen-teh obteve uma espectacular vitória no torneio. O triunfo não foi fácil, com o australiano Richard Moir a dar muita luta num “play-off” que só se decidiu ao terceiro buraco.

O veterano Lu, com 44 anos, terminou o Open com 201 pancadas, o equivalente a 12 abaixo do par. No entanto, Moir, que fazia parte do último grupo de jogadores em campo, obrigou o homem de Taiwan a voltar aos “greens” depois de obter um “birdie” no derradeiro buraco, empatando a contenda.

Num “play-off” dramático (acentuado pelo céu carregado, que ameaçava abrir-se em chuva a qualquer momento), Lu Wen-teh conseguiu três “birdies” consecutivos no buraco 18. Menos sorte teve Richard Moir que, à terceira, necessitou de mais uma pancada do que o adversário, oferecendo-lhe o triunfo.

“Estou muito contente com esta vitória e, acima de tudo, estou também muito cansado”, disse Lu. No entanto, deixou já o aviso: “Pretendo voltar para o ano, para defender o meu título”. De resto, o jogador, que participou pela nona vez no Open de Macau, garantiu que não ia gastar os 47.550 dólares norte-americanos (cerca de 380 mil patacas) ganhos no torneio nas mesas de jogo do território. “Vou passar pelos casinos, mas não vou entrar - não é o meu estilo”, assegurou.

Para Richard Moir, o resultado sabia a pouco. “Uma vitória era muito importante para mim”, desabafou, numa referência ao facto de ter perdido o direito a disputar o Asian Tour 2007. “Nos últimos três anos, o meu golfe não esteve à altura das minhas próprias expectativas e é bom vir a um torneio e sair satisfeito com a forma como joguei”, acrescentou. Segredo? Na semana passada, Moir consultou pela primeira vez um psicólogo especializado. “Se isto é o que consigo após uma sessão, vai ser engraçado ver o que posso fazer após 20”, brincou.

OUTROS VENCEDORES. Ontem, não era só Lu Wen-teh que tinha razões para sorrir. O quarto lugar obtido por Liang Wen-chong e os respectivos 14.790 dólares norte-americanos arrecadados (118,5 mil patacas) permitiram-lhe saltar para a liderança da Ordem de Mérito do Asian Tour. “Foi mentalmente duro preparar-me para jogar após uma espera tão longa”, devido à interrupção do torneio causada pela chuva, reconheceu.

Outro jogador chinês com razões para estar contente era Zhang Lian-wei. O bicampeão do Open de Macau (2001 e 2002) ficou no quinto posto e o dinheiro arrecadado permitiu-lhe tornar-se no 13.º jogador a ultrapassar a fasquia de um milhão de dólares (cerca de oito milhões de patacas) obtidos em prémios monetários ao longo da sua carreira no Asian Tour.

Quanto ao campeão de 2006, o australiano Kane Webber, terminou no sexto posto. Para isso, muito contribuiu uma excelente recuperação conseguida na derradeira ronda.

Um adepto atento... e talentoso

O director do sector de “private banking” do BNU, José Braz-Gomes, foi um dos espectadores mais atentos que esteve ontem no Macau Golf & Country Club. Praticante da modalidade há 12 anos e com um “handicap” a rondar as 14 pancadas acima do par, marcou logo lugar na tribuna VIP após o fim da chuva. “O golfe para mim representa um passatempo”, explicou. “Este é um jogo que dá para conversar, falar, comer e beber e ainda fumar um charuto”. Quanto à edição deste ano do Open de Macau, Braz-Gomes considera que foi uma das melhores. “Foi pena a chuva”, lamentou. E como é o director bancário nos “greens”? “Agora já me considero um bom jogador - estou a melhorar de dia para dia”, garantiu. Certo é que já tem o seu nome gravado num dos quadros de honra do Macau Golf & Country Club. Isto porque faz parte da elite que conseguiu um “hole in one” (completar um buraco apenas com uma pancada) no campo de Coloane. No entanto, Braz-Gomes é o primeiro a garantir que este tipo de jogada “é uma questão de sorte”... e que até tem reveses. “O problema do ‘hole-in-one’ é que, quando chegamos ao clube, temos que pagar bebidas a todos - foi um dia bastante caro [risos]”.

Torneio deve passar para Outubro

A próxima edição do Open de Macau deve voltar àquele que era o seu calendário normal, ou seja, Outubro. “Estamos a negociar e brevemente poderemos anunciar algo”, explicou ao JTM o vice-presidente do Instituto do Desporto (ID), José Tavares. Neste momento, o ID está a discutir o assunto com o Macau Golf & Country Club, acrescentou. Existem dois motivos para adiar o torneio para Outubro: por um lado, a probabilidade de chuvadas como as que afectaram a edição deste ano e a de 2006 é menor; por outro, já não existem problemas de sobreposição de calendário com eventos internacionais a decorrer em Macau, como aconteceu desde 2005, devido aos Jogos da Ásia Oriental, Jogos da Lusofonia e, este ano, aos Jogos Asiáticos de Recinto Coberto. O ID espera que a mudança de calendário coincida com uma subida do prémio monetário oferecido. “Vamos trabalhar para isso”, prometeu José Tavares. No entanto, o responsável frisou novamente que tal só será possível com mais patrocínios. Quanto ao Open de Macau deste ano, o vice-presidente do ID fez um balanço positivo: “Acabou em grande, com um “play-off” decidido à terceira, com a chuva a ser um mal menor”.

Faltam estruturas para golfe crescer

O presidente da Associação Geral de Golfe de Macau, Charles Lo, defende que são necessários mais campos no território para massificar a modalidade. “Precisamos sobretudo de mais ‘driving ranges’ (área onde os jogadores praticam o seu “swing”)”, explicou ao JTM. “Quando se bate na bola e se ouve o som, as pessoas começam a querer jogar mais”, justificou. Apesar disso, Charles Lo é o primeiro a reconhecer que o golfe “é um desporto um pouco caro e que demora tempo a dominar”. Razões, entre outras, que levam a que Macau apenas tenha “algumas centenas de jogadores”. Apesar das dificuldades, o presidente da Associação Geral de Golfe salienta que um factor positivo para a divulgação da modalidade é o Chefe do Executivo, Edmund Ho, ser praticante. “É muito importante”, enfatiza Charles Lo. O mesmo se passa com o Open de Macau. Quanto aos resultados obtidos pelos três jogadores que representaram o território no torneio - Cliff Chan, Geofrey So e Johnny Senna -, que não passaram o “cut”, o dirigente frisou que se tratam de amadores. “Com o tempo, quando tivermos mais praticantes, poderemos conseguir melhorar o nosso nível”, rematou Lo.


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