Domingo, 10 de Dezembro

ENCONTRO ENTRE AS DELEGAÇÕES FOI “POSITIVO”

Candidatura do patuá “aprende” com experiência da Ópera de Cantão

A Associação Promotora da Instrução dos Macaenses encontrou-se com a delegação que está a conduzir a candidatura da Ópera de Cantão a património universal intangível. José Manuel Rodrigues considerou que reunião foi “útil para o avanço do processo”

PEDRO MANUEL RIBEIRO
Em Cantão

“Temos muito a aprender com a equipa que está a preparar o dossiê da Ópera de Cantão”, afirmou ao JTM o presidente da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM), José Manuel Rodrigues, à margem da visita à província de Guangdong. Este encontro foi o primeiro contacto com a delegação que está a preparar a candidatura da Ópera de Cantão a património universal intangível.

“Tudo o que seja experiência nessa matéria é importante para nós”, salientou o dirigente. José Manuel Rodrigues considera que a reunião foi “muito positiva” e ajudou a APIM a esclarecer “diversas dúvidas”.

O processo do patuá ainda está numa fase inicial, ao contrário dos trabalhos da equipa de Cantão que já decorrem há cerca de quatro anos. Por esse motivo, José Manuel Rodrigues revelou que a APIM foi alertada “para algumas questões técnicas” na elaboração do dossiê de candidatura e também para as “diversas formas possíveis de o preparar”.

A candidatura, que está a ser preparada pela APIM e outras sete instituições de Macau, encontra-se neste momento a recolher “informações e experiências de outras delegações” e, em princípio, no início do próximo ano deverão “arrancar os primeiros trabalhos”, disse ainda o presidente. “O processo é sempre longo”, referiu José Manuel Rodrigues, acrescentando que a motivação para não desistir “vem do entusiasmo de todas as partes envolvidas”.

Para já, a grande preocupação da associação é convencer “as instâncias internacionais a reconhecerem o dialecto como património intangível” para este poder gozar da “protecção dos órgãos internacionais”, explicou o responsável. “Temos consciência do perigo de desaparecimento iminente que este património corre e, por isso, a candidatura é tão importante”, salientou.

José Manuel Rodrigues falou ainda da gastronomia macaense que pode ser, eventualmente, “alvo do mesmo processo”. A ideia é “preservar e defender os símbolos da identidade do povo de Macau”, afirmou.

Até ao fim deste ano deverá estar “legalizada a constituição da confraria da gastronomia macaense”, disse o presidente. José Manuel Rodrigues acredita que “o fundamental é que as pessoas envolvidas nestes projectos tenham força de vontade para continuar” e que se inverta a situação de “falta de estímulos para desenvolver estas actividades”.