EMPRESÁRIO DE MACAU MANTÉM RESTAURANTE EM SAN XIANG

“Um espaço português no meio da China”

Apenas a 30 quilómetros da RAEM, é possível encontrar um restaurante com pratos tipicamente portugueses e macaenses. A iniciativa partiu de um empresário natural de Macau que saiu do território para apostar numa fábrica de móveis e acabou por também se estabelecer no negócio dos sabores

“Para mim é um orgulho ter conseguido montar um espaço português no meio da China”, afirma Carlos Batalha, o empresário natural de Macau que há dois anos abriu o restaurante “Batalha”, na vila San Xiang, a 30 quilómetros da RAEM, e que serve comida portuguesa e macaense. A ideia partiu da vontade de homenagear Laura Batalha, sua mãe, que o inspirou a partilhar o seu gosto pela cozinha tipicamente portuguesa.

Carlos Batalha é filho de portugueses, mas nasceu em Macau, daí a forte ligação que ainda hoje mantém com o território. “Tenho salas de jantar privadas que foram decoradas de acordo com o estilo de Macau”, referiu o empresário que, para além da criação de móveis, colecciona antiguidades.

Mesmo sendo um local pouco provável para um restaurante desta natureza, Carlos Batalha não tem dúvidas quando afirma que “o paladar português adapta-se bem ao chinês”. Segundo o empresário, “na China há uma grande adesão à comida portuguesa”. Carlos Batalha não esconde a satisfação que sente por um dos pratos mais requisitados ser o arroz de marisco, servido numa cataplana que encomendou “directamente de Portugal”.

Outra das conquistas do empresário foi ter conseguido elaborar uma ementa ocidental e que já foi exclusivamente lusa. “Tive que desistir do menu totalmente português, porque não era viável”, explicou. Neste momento os pratos são preparados por cozinheiros recrutados em Zhuhai, com quem mantém reuniões regulares para actualizar a ementa e discutir quais as soluções que melhor se adaptam ao paladar local.

“O mais difícil é conseguir certos ingredientes, como especiarias e o azeite, o que me obriga a ir comprar a Macau”, salientou Carlos Batalha. Para resolver o problema da oferta de bebidas, o empresário já contactou algumas cooperativas de vinho portuguesas e vai começar a importar para o seu restaurante e restante China.

Carlos Batalha referiu ainda que o estabelecimento tem vindo a ter “cada vez mais sucesso” e que normalmente a “casa costuma estar cheia”. O segredo parece estar no “contacto próximo com os clientes” e com a “boa comida aliada a um espaço agradável”, concluiu.