AUTORIDADES BANCÁRIAS APERTAM CONTROLO

Mongólia “na rota” do dinheiro norte-coreano

As autoridades bancárias da Mongólia estão a reforçar o controlo das actividades comerciais com Pyongyang, após o Departamento do Tesouro norte-americano ter sugerido que bancos comerciais locais estavam a substituir o papel anteriormente desempenhado pelo Delta-Ásia de Macau

De um lado acusa-se, do outro nega-se, e até agora o Banco Nacional da Mongólia diz não poder apresentar dados concretos, a não ser que “há negócios entre bancos comerciais locais e instituições financeiras da Coreia do Norte”, o que é reconhecido por todos.

O que está em causa é se se trata de transacções lícitas ou ilícitas, nomeadamente “a lavagem de dinheiro” e a importação de dinheiro falso”, produzidos em larga escala pelo regime de Pyongyang, como é adiantado pelas autoridades norte-americanas.

Os dirigentes de um dos bancos da Mongólia, alegadamente envolvido, rejeitam as acusações, e acusam a imprensa mongol de “sensacionalismo” e “deliberadmente prejudicarem a imagem do banco”, enquanto as autoridades de Ulanbator parecem estar na dúvida, com o Banco Central mais convencido da licitude dos actos norte-coreanos do que os serviços policiais de informação.

É que, há quatro meses, alguns funcionários superiores do Daedong Credit Bank (DCB) da Coreia do Norte foram detidos no Aeroporto Internacional Genghis Khan, em Ulanbator, com um milhão de notas de dólares norte-americanos e 20 milhões de yuan japoneses, supostamente falsos, para serem depositados no Banco Golomt de Ulanbator.

Os norte-coreanos protestaram e voltaram a protestar, embora não tenham, conseguido fazer perceber porque razão, na sua qualidade de funcionários de um banco, eram portadores de passaportes diplomáticos.

A verdade é que, mesmo as notas, 14 dias depois de terem sido levadas pelo banco central para análise, acabaram por ser devolvidas aos norte-coreanos e depositadas no Banco Golomt, como estava inicialmente previsto. A conclusão foi que eram notas verdadeiras, e na transacção não havia qualquer ilicitude ou mesmo incorrecção de processos.

O assunto não morreu: o banco norte-coreano acusou as autoridades de Ulanabator de estarem a seguir a estratégia de “cerco” político e económico dos Estados Unidos e garantiram que seguem todos os processos legais nas transacções entre os dois países, enquanto o banco mongol acusava a imprensa local que deu como certo que se tratava de dinheiro falso, e que alguns bancos da Mongólia poderiam estar a lavar dinheiro norte-coreano.

Mesmo assim, os serviços de informação da Mongólia não pareceram muito convencidos e forçaram uma reunião geral entre as autoridades bancárias centrais e os bancos comerciais para apurarem da necessidade de maior controlo das operações financeiras entre os dois países. Esses serviços apuraram, na realidade que as primeiras transacções entre o DCB norte-coreano, fundado em 1995, e o Banco Golomt começaram apenas no final do ano passado quando foram congeladas as contas do Delta-Ásia de Macau, o que lhes provoca algumas desconfianças.

Outras surgem pelo facto de não haver grandes relações comerciais entre os dois países,que possam justificar a “passagem” de tão grandes somas de dinheiro.

Incapazes, contudo, de provar algum acto ilícito, as autoridades de Ulanbator apenas reafirmaram o propósito de fazer passar legislação mais restritiva sobre operações financeiras, ao abrigo de uma estratégia mais generalizada de combate a actividades de apoio a organizações terroristas.

A imprensa mongol não esquece de salientar “a coincidência” entre “a pressa” com que foi feito o novo projecto legislativo, que já só falta ser aprovado pelo Parlamento, e a presença em Ulanbator, em meados do mês passado, de Daniel Graser, secretário adjunto para o Tesouro norte-americano, responsável pela área de combate ao financiamento dos grupos terroristas...