Um país em rápida transformação

A realidade começa a transparecer nos dados estatísticos. Nos últimos dois anos, a abertura ao exterior patrocinada pelo Partido Democrático, acelerada nos últimos meses pelo “reconstruído” ex-partido comunista já teve consequências no quotidiano da população mongol, ainda que 36,1 por cento se encontre abaixo do limiar da pobreza

À medida que se estuda melhor a actual situação económica-financeira da República da Mongólia percebe-se melhor a razão do fervor nacionalista que as autoridades pretendem aproveitar neste ano em que se comemora o 800º aniversário da designação de Genghis Kahn.

Ainda antes da inauguração da imponente estátua na Praça Suhbataar, que continua a polarizar a atenção dos turistas e visitantes, por um lado, e dos protestos dos democratas, por outro, já na maior colina verdejante, à entrada de Ulanbator, um enorme desenho do herói nacional, feito de pedra branca na montanha, “imperava” sobre a capital, “ajudando” as autoridades a continuarem as reformas económicas e políticas.

Na realidade, parece que estamos em Portugal durante o Euro. Só que o “fervor” futebolístico, aqui é ligado à unidade e empenho dos mongóis em favor do crescimento económico.

Os tranportes públicos, táxis e carros percorrem as ruas de imenso e desregulado trânsito - o número de viaturas cresceu exponencialmente, embora o parque automóvel esteja decrépito - com as bandeiras nacionais bem visíveis, enormes cartazes publicitários apelam à iniciativa individual, e também é notório que o sector dos serviços se reforçou nos últimos dois anos. Nesse período, em Ulanbator nasceram 30 mil novas pequenas e médias empresas, o que leva a taxa de crescimento para cerca dos seis por cento (só não é excelente, porque parte de uma base muito baixa), enquanto o desemprego se cifra nos 6,7 por cento.

O Presidente Enkhbayar, eleito em Junho de 2005 por quatro anos, disse na televisão que “este é o ano do relançamento da grande nação mongol”, mas preveniu os seus compatriotas que é necessário “trabalho duro e sério” para aproveitar a situação internacional favorável - a Mongólia é dos poucos países que não tem quaisquer conflitos ou questões internacionais a debater.

Pediu “preocupações ambientais” - décadas de domínio soviético criaram enormes problemas pois levaram as indústrias pesadas para perto das zonas residenciais da capital e outras cidades menores do país - e a verdade é que se notam esforços de limpeza nas avenidas e ruas da capital, aliás pobremente asfaltadas.

Onde se nota o maior desenvolvimento, porém, é a nível dos serviços dos vários sectores de turismo. Há novos hotéis, dezenas de novos restaurantes, com gastronomia de vários países europeus - Portugal excluído - e até já se pode alugar automóvel, o que era impensável há uns anos.

A vida mudou muito, efectivamente, em Ulanbator, e tudo indica que para isso está a contribuir a estabilidade política, ainda que sujeita às contradições do debate democrático, o clima de segurança que se goza na generalidade por todo o país, o crescimento económico da vizinha República Popular da China, que é o principal parceiro comercial da Mongólia, e a entrada de capitais coreanos e japoneses - está em construção um enorme complexo habitacional de luxo nas cercanias da capital- bem como de investidores europeus que modernizam os sectores do turismo na expectativa de trazerem alemães, ingleses e nórdicos a fazerem “track” pelas montanhas, na maior parte do ano cobertas de neve.

Para um português é complicado perceber a razão porque pessoas que têm neve em boa parte do ano, podem desejar fazer férias na neve, em vez de aproveitarem o sol e mar de qualquer praia.

Mas o turismo tem “nichos” específicos, para todos os gostos. Um elemento do Ministério dos Transportes e Turismo, explicou ao JTM que “uma das situações que estamos a aproveitar é o facto do Nepal ter deixado de ser um destino seguro para os montanhistas”.

O que significa, realmente, que a “mensagem” de Nambaryn Enkhabayar  de “apostar na inovação” está a atingir todos os sectores da sociedade, mesmo os funcionários públicos, normalmente renitentes à novidade...