Imperou no sul da China

Se Genghis Khan ou as suas tropas estiveram ou não, na zona onde se situa Macau, isso não se sabe. Os historiadores não têm hoje quaisquer dúvidas que o sul da China também fez parte do império mongol. E que Genghis Khan foi um sete dos “Grandes conquistadores mundiais”, que inclui ainda Átila, Alexandre, César Augusto, Carlos Magno, Guilherme I e Napoleão Bonaparte

Um ilustre friso de líderes militares, sanguinários com os inimigos e mesmo com os seus prosélitos, que à força da “lei da espada” conseguiram unir povos de diferentes culturas e raças, “construindo” verdadeiros impérios.

Genghis Kahn, contudo, é figura ímpar entre todos eles. É que, se Augusto  (“Gaius Julius Caesar Octavianus” no original), Napoleão, Alexandre e mesmo o huno Átila, são descendentes naturais de imperadores, reis, ou generais, Genghis nem sequer assim se chamava: era “Temujin”, filho de um pequeno chefe de um grupo nómada, extremamente pobre.

Na maior parte dos casos, os outros cresceram para serem líderes, uns através de uma carreira militar, outros juntando o treino guerreiro ao estudo das correntes políticas da época. Entre todos o que mais marcam a diferença, situa-se o macedónio Alexandre, que viria a ser chamado de Grande, que era filho do rei Filipe II e teve como tutor nada mais, nada menos que Aristóteles.

Tanto quanto se sabe, “Temujin” teve vida bem difícil. O pai morreu quando tinha oito anos e foi vendido como escravo, e mais tarde raptado por tribos rivais, vivendo o dia a dia em lutas constantes, até que as suas capacidades guerreiras o fizeram notado. Só aos 16 anos ganha algum descanso. Nessa altura casa no seio da tribo Markit, que lhe servirá de base de apoio na futura ascensão a Khan.

Tinha 36 anos, quando através de alianças por casamento e lutas constantes, conseguiu unir as tribos mongóis e acabou por ser eleito, de forma democrática, como Genghis Khan, que significa qualquer coisa como “o rei guerreiro divino e perfeito”.

A população da Mongólia era na altura de 200 mil habitantes e o exército de 70 mil, mas as lutas tradicionais entre as tribos tinham criado uma “máquina guerreira” de enorme poder que Genghis começa por atirar contra o rival de sempre, na altura em período de decadência - a China.

A primeira campanha, em 1206, é o prenúncio de um imparável “avanço” que no período áureo do Império Mongol irá dos territórios que hoje são a Rússia até à Polónia e Hungria, no Médio Oriente, o Iraque, Irão, Afeganistão e Koweit e a norte a China e a Coreia, um dos maiores impérios de sempre.

César Augusto e Alexandre formaram também enormes impérios, tentando “civilizar” os novos povos através da cultura predominante nos seus países, para o que foram nomeando generais e filhos à frente de novos territórios.

Genghis não tem essa preocupação. Não faz reféns, nem prisioneiros de guerra, mata tudo o que mexe, incluindo dentro das suas fileiras qualquer um que apresente a mínima dúvida sobre os seus métodos. Tudo o que conquista passa a ser dele, os noivos povos passam a ser seus escravos directos.

É que, se tal como os outros tinha uma concepção divina do poder, os seus objectivos eram puramente terrenos. “O céu escolheu-me para dominar todas as nações” dizia, para continuar “a maior felicidade é vencer os inimigos, cavalgar os seus cavalos roubar-lhes as riquezas, ver banhados em lágrimas aqueles que eles gostam e saltar para cima das suas mulheres e das suas filhas” (Chambers, J, The Devil’s Horsemen, pag 6).

Por isso, nunca integrou ou deixou que os mongóis se integrassem na cultura dos povos que conquistou, ao contrário da política dos outros grandes conquistadores mundiais. César Augusto ou Alexandre casaram e promoveram casamentos com rainhas ou princesas de outras nacionalidades e tentaram governar aqueles povos.

Genghis Khan e os seus generais acrescentaram mulheres, mas sem quaisquer direitos, e se filhos foi o que mais houve, nunca teve intenção de deixar herdeiros para governarem o império. Baseado no nomadismo do seu povo, governava o Império através do sistema de “yams”, uma espécie de postos avançados, que se sucediam de 40 em 40 quilómetros e que serviam fundamentalmente para transmitir as instruções do Imperador- sobre qualquer assunto só a palavra de Genghis Khan valia alguma coisa.

Curiosamente este anacrónico sistema unipessoal de um iletrado sanguinário, apenas governado pelo “terror”, conseguiu durar para além de Genghis Khan, criando a estabilidade que permitiu consolida Rota da Seda.

A ghrtandeza dos outros impérios, agonizaram com a morte dos seus autores e acabaram por não durar muito...

J.R.D.