EMPRESÁRIOS MACAENSES DA CALIFÓRNIA INTERESSADOS NO MUNDO LUSÓFONO
Câmara Municipal de Portalegre
quer cooperar com a RAEM

O presidente da Câmara Municipal de Portalegre Mata Cáceres afirma estar de “braços abertos” para o estreitar de relações económicas e culturais com Macau e China Continental e recebeu uma delegação de empresários macaenses dos EUA que querem levar tecnologia de ponta para Macau e Portalegre


Vitório CARDOSO
Em Lisboa

José Fernando Mata Cáceres, presidente da Câmara Municipal de Portalegre revelou ao JTM que a autarquia está a pesquisar e inventariar possíveis áreas de negócios que se possam estabelecer entre empresários de Portalegre e de Macau.

“Macau é claramente uma porta de entrada para um mundo de negócios absolutamente indeter­minado, sem limite quase, e Porta­legre pode neste sentido configurar-se como uma porta de entrada para empresas e empresários chineses não só para Portalegre mas também para a Europa”, adiantou Mata Cáceres, sustentando que o facto de se ter uma língua comum, ajuda a “desbloquear barreiras e facilitar contactos”.

O autarca da capital do distrito do Alto Alentejo, vê em Macau “um sem número de situações atraentes” e revela que Portalegre, sendo uma cidade do interior de Portugal, tem um conjunto de matérias primas e produtos “extremamente interessantes”, tal como a cortiça, os vinhos, os azeites, os queijos entre outros produtos, que “serão passíveis de serem apreciados por consumidores das outras paragens do Oriente”.

Instado pelo JTM sobre a sessão de apresentação das potencialidades da RAEM, Mata Cáceres confessou que estas reuniões “têm a particularidade de facilitar as abordagens sem grandes deslocações”, o que considera de oportunidades que não devem ser desperdiçadas.

Numa primeira fase, o Presidente de Câmara alentejano quer  levar a Portalegre pessoas de Macau para conhecer a realidade local e sublinhando que “não excluímos a possibilidade de pegar num grupo de pessoas de Portalegre e fazer uma incursão a Macau, para melhor conhecer a realidade local e pesquisar oportunidades”.

GEMINAÇÃO COM MACAU. “Estou claramente interessado em fazer uma geminação com uma qualquer localidade do Oriente, seja de que natureza for” disse ainda o autarca destacando que “a Câmara de Portalegre já está geminada com cidades em Marrocos e Cabo Verde e muito me agradaria ser capaz de o fazer com uma localidade do Oriente, como Macau, onde o português também é uma língua oficial”. “A questão da Língua será sempre um factor de união, potenciador do desenvolvimento de negócios sustentou o mesmo responsável, lançando o repto “que  se através desta conversa alguma oportunidade for suscitada nesse sentido estou claramente interessado e receptivo, especialmente com enfoque nas perspectivas cultural e trocas comerciais”.

Para além de autarca, José Fernando Mata Cáceres, é licenciado em engenharia agrícola e tem longas tradições de ligação à produção vinícola, à agricultura e criação de gado, não se revendo como político profissional, mas aproveitando a sua posição para aplicar os seus conhecimentos técnicos ao serviço da população.

Este autarca alentejano exclamou que “ estamos de braços abertos a todo o tipo de investimentos de Macau em Portalegre”.

“Neste momento estamos a querer desenvolver em Portalegre uma série de investimentos na área da ciência, na área do conhecimento, dos jogos informáticos, da realidade virtual, também ao nível das energias alternativas, quer energia solar e eólica, novas  tecnologias e tecnologias de ponta” afirmou o mesmo responsável, convidando os empresários chineses e macaenses a fixarem-se na região, uma vez que “podem potenciar e têm a possibilidade de se poder desenvolver aqui, produção de equipamentos com vista a estas situações e também até outras que possam vir de matérias primas e com valor acrescentado”. “Aqui e em Macau... está tudo em aberto”, considerou.

Com uma zona industrial com grandes espaços de acolhimento e face a algum êxodo populacional para os grandes centros urbanos, a Câmara Municipal de Portalegre aposta em investimentos de Macau ou da China”.

COOPERAÇÃO TÉCNICO-CIENTÍFICA. O desenvolvimento da engenharia agrícola, é considerada como uma das áreas científicas mais fortes da região e dada a escassez de emprego em Portugal para este sector, seria uma solução a implementação de cooperação técnica no desenvolvimento agrícola chinês, pois segundo Mata Cáceres “temos claramente vantagens comparativas”, reforçando a sugestão que se conta com “a capacidade da interacção de universidades e empresas, quer em Castelo Branco ou em Portalegre, e na possibilidade de oferecer saídas profissionais a jovens licenciados das áreas do saber de engenharia agrícola “.

A nível cultural, Mata Cáceres salientou que conta desde já com o apoio do ex-Governador de Macau, Carlos Melancia, na dinamização de uma fundação que tem por missão o desenvolvimento do turismo, da cultura, entre os quais a construção de um projecto museológico e centro cultural que “terá todas as condições de explorar estas oportunidades”, disse.

Portalegre com 460 anos de história afirma-se como um município que tem uma matriz muito própria e com capacidade de projectos de grande envergadura.

Entretanto o Presidente da CMP aguarda futuros contactos de instituições de matriz portuguesa de Macau, no sentido de valorizar em comum os interesses dos dois lados.

EMPRESÁRIOS MACAENSES A CAMINHO DE PORTA­LEGRE. A Associação dos Empresários Macaenses de Califórnia, que integra Henrique Manhão, será a primeira delegação empresarial macaense a estabelecer contactos com a Câmara Municipal de Portalegre, numa visita de dois dias à região.

“A nossa missão empresarial vai incidir num contacto com o Município de Portalegre a convite do presidente da Câmara, uma vez que esta autarquia está muito interessada em promover as relações comerciais com  Macau”, afirmou ao JTM, acrescentando que a associação tem interesse em exportar e importar para e de Macau, “servindo Macau de trampolim de entrada para a China, aproveitando a existência de tarifas especiais”.

Por outro lado, os empresários macaenses, já têm delineada uma estratégia de fornecer tecnologia de ponta para Macau, nomeadamente tecnologia vinda de “Silicon Valley”, para além de produtos farmacêuticos e serviços da área do turismo.

A decorrer, estão ainda as negociações com um “grande empresário” que, segundo Henrique Manhão, representa 700 empresas norte-americanas.