Edmund Ho deixa Lisboa com apoio português

O chefe do Executivo de Macau deixou ontem Lisboa levando na bagagem o apoio português e a garantia de apoio das instituições nacionais ao desenvolvimento da RAEM

José Costa Santos*

Recebido em Portugal com as honras prestadas a grandes personalidades da cena política internacional, Edmund Ho esteve reunido com o Chefe de Estado, com o Primeiro-Ministro, com o presidente da Assembleia da República e ainda com cinco ministros, dos Negócios Estrangeiros à Educação passando pelas Obras Públicas, Ciência e Economia.

O último dia dos contactos oficiais, na sexta-feira, acabou por ficar marcado por uma manhã que começou com um pequeno-almoço com o “amigo” Jorge Sampaio, seguindo-se uma reunião com Freitas do Amaral onde foi assinado um protocolo que confere maior importância à missão económica e comercial de Macau em Lisboa.

Já a parte da tarde, durante a recepção que ofereceu aos naturais e aos amigos de Macau e onde estiveram presentes vários membros do Governo de José Sócrates, foi o palco para o reencontro com Rocha Vieira, o último governador português, com quem trocou algumas palavras num clima bem mais descontraído do que há seis anos quando a Fundação Jorge Álvares dominava as notícias nos jornais portugueses e de Macau.

Ao longo dos quatro dias da visita, o líder do Governo de Macau renovou também o interesse de reforço das relações económicas e comerciais entre Portugal e Macau, uma missão que cabe aos empresários mas que tem apoio político bilateral.

Com a promessa do Primeiro-Ministro em averiguar pessoalmente o caso dos funcionários portugueses a trabalharem em Macau com licença especial e que podem não ver as licenças renovadas e com o ministro da Justiça a falar de responsabilidade portuguesa na manutenção do sistema de Macau, Edmund Ho tem agora garantias de que não haverá uma debandada de juristas ou outros trabalhadores da administração de Macau.

O líder do executivo de Macau também sublinhou o contributo dos portugueses e dos trabalhadores portugueses para o desenvolvimento de Macau, uma declaração que, apesar de não ser nova, não deixa de ter significado político.

Por outro lado, nos contactos feitos, ficou também sempre vincado o apoio de Portugal para que Macau reforce o seu papel de como plataforma chinesa para a lusofonia e para a União Europeia, um objectivo político traçado para a Região Administrativa Especial e que vai ao encontro da linha de desenvolvimento da área dos serviços que se pretende implementar.

No final da visita, Edmund Ho e a comitiva que o acompanha não levam uma série de acordos assinados para Macau (com excepção do assinado com Freitas do Amaral) mas reforçaram o entendimento entre Macau e Lisboa e preparam-se para iniciar um conjunto de projectos que serão mais visíveis aquando da presidência portuguesa da União Europeia no segundo semestre de 2007.

É nessa altura que, segundo o ministro Mariano Gago haverá em Macau um grande evento entre a União Europeia e a China, a par de outras realizações que ambos os Governos querem concretizar.

*Jornalista da Lusa