À MARGEM

JACTO PRIVADO. A delegação oficial da RAEM aterrou na Portela pelas 12:15 horas locais, cerca de 30 minutos mais tarde do que o horário programado. A responsabilidade, plenamente assumida e motivo repetido de “mea culpa”, pertenceu à Comber Air, companhia aérea proprietária do jacto privado que o Governo fretou para transportar de Bruxelas até à capital portuguesa a comitiva de Macau. Exceptuando este contratempo, que parece não ter caído bem na comitiva oficial, a viagem de cerca de 2:30 horas decorreu sob o signo da tranquilidade e sem qualquer tipo de turbulência, para o que concorreram também as boas condições climatéricas que se fazem sentir no sul da Europa.

RECEPÇÃO DIGNA. À chegada à Portela, feita por uma das zonas de trânsito da infra-estrutura, Edmund Ho teve uma recepção no mínimo condigna com o estatuto de Chefe do Executivo da RAEM. Tendo sido os últimos a desembarcar, para os jornalistas não foi fácil descortinar as personalidades que receberam Edmund Ho mas sempre foi possível apurar que a comitiva de boas-vindas foi liderada pelo secretário de Estado para a Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Portugal, e integrava também o cônsul-geral de Portugal da RAEM, Pedro Moitinho de Almeida.

ESCOLTA POLICIAL. Distribuída por cerca de meia dúzia de viaturas, a delegação da RAEM prontamente deixou a pista do Aeroporto rumo à Câmara Municipal de Lisboa e não deixou de despertar a atenção dos lisboetas. Quatro batedores da Brigada de Trânsito e uma ambulância do INEM encarregaram-se de desbravar caminho pelas congestionadas estradas da capital o que, se nuns casos, levou muitos transeuntes a dirigirem olhares curiosos e intrigados para os “ilustres” visitantes, também originou uma ou outra reacção de desagrado de condutores pouco dados a tratamentos VIP.

E A “BUCHA”?. Depois da pacatez vivida em terras belgas, o atraso de meia-hora no programa do primeiro dia em Lisboa contribuiu para uma verdadeira “correria” entre os jornalistas que, além de uma agenda repleta, tiveram escassos minutos para efectuar o “check-in” no Hotel Holiday Inn - uma boa surpresa depois da estadia sofrível, em Bruxelas, na unidade proprietária do mesmo grupo - e para o primeiro primeiro momento de humor, ao bom estilo português. Os louros pertencem por inteiro ao motorista do autocarro da imprensa da RAEM que viu “a vida a andar para trás” quando soube que dispunha apenas de 15 minutos de intervalo antes de transportar os jornalistas para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, local de encontro entre Mariano Gago e Edmund Ho. “Então, hoje não há nada?”, apontava incrédulo para a barriga. Mais preocupado ficou quando olhou atentamente para o programa do dia - que, muito possivelmente, estaria até então bem guardado no porta-luvas - e, por coincidência ou não, só recuperaria o bom “astral” um pouco mais tarde quando Maniche e Simão puseram Lisboa e Portugal aos saltos.

DE OUVIDO NO RELATO. Por força de uma apertada agenda, o Chefe do Executivo não acompanhou naturalmente a transmissão televisiva do Portugal-México, mas nem por isso deixou de se ir informando sobre a evolução do marcador em Gelsenkirchen. Adepto assumido do desporto-rei, Edmund Ho teve tempo para ouvir na rádio os golos portugueses durante o trajecto entre o hotel e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, pelo que se mostrou pouco surpreendido quando os jornalistas portugueses supostamente o informavam dos 2-0 que se registavam após meia-hora de jogo. “Eu sei, eu sei”, retorquiu com um rasgado sorriso, enquanto entrava no edifício do Ministério.

SELECÇÃO DO CONTENTAMENTO. As prestações da selecção nacional no Mundial de Futebol têm criado em Portugal uma nova onda de euforia, que faz lembrar os momentos vividos durante o último Campeonato Europeu. Dificilmente se encontra um prédio ou um táxi sem uma bandeira nacional e, um pouco por todo o lado, podem ver-se pessoas vestidas de verde e vermelho e originais campanhas publicitárias alusivas à presença da equipa das quinas nos relvados germânicos. Enquanto portugueses e mexicanos mediam forças na Alemanha, as ruas da capital não estiveram desertas mas deixavam transparecer claramente que o dia não era propriamente o ideal para o trabalho. E, o melhor - ou pior - ainda está para vir...

BOA FORMA. O empresário Stanley Ho encontra-se em boa forma física e com excelente humor. Ontem na cerimónia de abertura da sucursal do Banco Seng Heng, voltou a dar um ar da sua graça quando interrompeu o esforçado discurso que iniciara em Português para explicar que tinha de mudar de idioma, porque estava escuro demais para poder continuar a ler. Mesmno assim, voltou a utilizar a Língua Portuguesa para desejar o maior sucessso à Selecção de futebol portuguesa “no caminho da conquista do Mundial”, explicou. “Sinto-me feliz pelo facto da abertura do escritório coincidir com um período de triunfo nacional” concluiu, recebendo muitas palmas.

AMBIENTE DE ABERTURA. Os obstáculos colocados ao trabalho dos OCS em Bruxelas não estão a ter continuidade em Portugal, cujas autoridades têm revelado uma abertura digna de encómios não se furtando a prestar declarações aos jornalistas de Macau. Nesse aspecto, o ministro Mariano Gago merece um destaque especial pela total disponibilidade revelada que o levou, inclusive, a convidar para local mais reservado e condigno os jornalistas da agência Lusa, TDM/Rádio Macau e JTM que, à entrada do Ministério, o interpelavam sobre as matérias abordadas durante o encontro com Edmund Ho. Embora a conversa não tenha sido longa, decorreu num ambiente de grande abertura e assemelhou-se a uma “lufada de ar fresco”.

IMPRENSA PORTUGUESA. As relações de amizade entre a capital portuguesa e Macau serviram de mote à conversa entre Edmund Ho e Carmona Rodrigues - que obsequiou o Chefe do Executivo com um almoço - e levaram também à Câmara Municipal de Lisboa boa parte dos colegas da imprensa portuguesa que, salvo raras e honrosas excepções, se revelou tão interessada como desconhecedora da realidade da RAEM. Registada ficou pelo menos a presença de jornalistas da RTP, Antena 1, Rádio Renascença, Lusa/TV e jornal Público.

JUVENTUDE MACAENSE. A cerimónia de assinatura dos acordos de cooperação entre a Associação Comercial de Macau e um grupo de empresários macaenses estabelecidos em Portugal e a APIM e a Casa de Macau em Portugal serviu também para travarmos conhecimento com os novos dirigentes desta associação sediada em Lisboa que parece determinada em cativar a juventude macaense para a vida associativa. Espelho dessa filosofia é o presidente da direcção da Casa, Álvaro d’ Andrade, que encara o acordo com a APIM como um instrumento que “irá dar uma importância muito maior” ao núcleo da juventude que a associação está a constituir.

DIÁSPORA DE REFERÊNCIA. Rui Gomes do Amaral, presidente da Mesa da Assembleia-Geral da Casa de Macau em Portugal e um dos subscritores do protocolo firmado com a Associação Comercial de Macau, era também um homem satisfeito com um acordo que acredita poder fomentar o intercâmbio entre empresários e traduz a importância da diáspora macaense. “Os macaenses talvez representem uma das diásporas mais importantes do mundo”, disse o dirigente aos jornalistas, sustentando que “não temos um património linguístico - porque o macaense não é língua e o português não é falado por todos os macaenses - nem um património único religioso, mas temos o património cultural da terra que nos une”. Com indisfarçável orgulho, Rui Amaral ainda teve tempo de deixar mais um motivo de reflexão, ao realçar o facto de uma publicação com o peso do “Washington Post” ter dedicado, em duas ocasiões, atenção particular “a este fenómeno que considera único no mundo”.

AGRADÁVEL RECEPÇÃO. O encontro nas boas instalações da Delegação Económica e Comercial de Macau em Lisboa juntou várias dezenas de convidados em animado convívio que, para muitos, serviu também de reencontro de amigos. Na recepção às delegações oficial e empresarial da RAEM, os anfitriões Raimundo do Rosário e Gabriela César esmeraram-se para que tudo estivesse “au point” e, pelas reacções recolhidas, podem dar a missão por bem cumprida.