Lee Peng Hong aposta no alargamento de mercados

A dimensão dos mercados da RAEM e de Portugal, têm sido por vezes vistas como entraves a uma mais intensa cooperação comercial, situação essa, que para o IPIM poderá ser ultrapassada com o alargamento do mercado aos países ou regiões vizinhas

Em declarações ao JTM, durante o encontro no Hotel da Lapa, o presidente do IPIM, Lee Peng Hong, afirmou estar satisfeito com os resultados desta “primeira etapa” de encontros, salientando que “esta visita começou bem”.

Reconhecendo o facto deste ter sido apenas o primeiro dia de trabalho da delegação de empresários de Macau, “estamos desde já a sentir e a prever que esta visita vai ser mais um passo muito importante, para estreitar as relações económicas entre Macau e Portugal, mas também para reforçar o papel de plataforma de serviços entre a China e os Países de Língua Portuguesa”.

Lee Peng Hong adiantou, por outro lado, que foram reforçados os contactos e os trabalhos com a comunidade empresarial de Portugal através das visitas que foram realizadas às associações empresariais portuguesas, sublinhando que “existiu também uma boa oportunidade de conhecer os instrumentos financeiros e oportunidades de negócios oferecidas pelas instituições portuguesas, para trabalhar não só em Portugal mas também nos PALOP’s”,  salientando que as empresas de Macau “estão a trabalhar muito” com as empresas da China Continental, para assim melhor aproveitarem as oportunidades que existem nos Países de Língua Portuguesa.

Numa economia global a concorrência é grande e o presidente do IPIM alertou para algumas situações que têm constituído entraves para uma cooperação com melhores resultados.

“Problemas de conhecimento mútuo, falta de divulgação de informação, barreiras linguísticas e a reduzida dimensão do mercado de Portugal, constituem algumas das principais fraquezas para a atracção do investimento de Macau, tal como também acontece na RAEM, pois o mercado doméstico é limitado”. Neste sentido a solução apresentada é a de “um maior esforço para alargar os mercados, por exemplo com as regiões vizinhas, e com Portugal, aproveitando-se para alargar novos horizontes para se trabalhar com a União Europeia (UE) e nos Países de Língua Portuguesa, oferecendo, no caso de Macau, oportunidades para se trabalhar com a China Continental”.

Lee Peng Hong defende assim que Portugal pode servir como ponte de ligação e de acesso a África e “evidentemente” à UE.

Neste momento em que se regista uma forte aposta no turismo de Macau, verificando-se um rápido crescimento no sector, o IPIM garante que se tem melhorado o nível das infra-estruturas, com hotéis de luxo, centro de convenções entre outras estruturas do sector turístico, quer ainda a nível de software ou de formação dos recursos humanos.

“No ano passado, o Centro Histórico de Macau foi classificado como Património Mundial, constituído pelas construções de arquitectura portuguesa e chinesa, só para explicar que Macau atingiu um nível de desenvolvimento elevado e importante na região e julgo que existem realmente condições para se estreitarem as relações a nível de turismo com Lisboa porque Portugal pode servir de plataforma para os mercados da UE e dos PLP” afirmou o presidente do IPIM sustentando também que Lisboa constitui um destino importante para o turismo, uma vez que a China já abriu as portas à saída dos cidadãos chineses para a Europa.

A análise que o IPIM faz da nova vaga de turistas chineses é, de um modo geral, “a que em todo o continente chinês, existe uma filosofia de saída para ir trabalhar e investir nos mercados estrangeiros, e neste aspecto Portugal aparece muito bem colocado, uma vez que o Governo Central quer utilizar ainda mais o papel de Macau para facilitar as relações com Portugal e outros países lusófonos”.

V.C