EDMUND HO SATISFEITO COM RESPOSTA “MUITO POSITIVA” DO Primeiro-Ministro PORTUGUÊS
Sócrates prometeu estudar pessoalmente continuidade de funcionários na RAEM

Edmund Ho manifestou-se ontem “muito satisfeito” com o facto de José Sócrates se ter disponibilizado para analisar “pessoalmente” o problema dos funcionários portugueses que estão a trabalhar em Macau ao abrigo do regime de licença especial

O Primeiro-Ministro português assegurou que “irá analisar pessoalmente a questão e tentar criar condições para que muitos dos funcionários portugueses continuem a trabalhar em Macau nas melhores condições possíveis”, disse o Chefe do Executivo da RAEM num breve encontro com os jornalistas do território que acompanham a sua visita oficial a Portugal.

Referindo-se aos casos conhecidos nas últimas semanas de funcionários portugueses que estão a receber cartas informando-os da possibilidade de não renovação das licenças especiais que lhes permitem trabalhar na Administração de Macau, especialmente no sector da Justiça, Edmund Ho ressalvou contudo que, apesar de ter abordado este problema com José Sócrates, o Executivo da RAEM “não quer ter qualquer interferência nas políticas internas do Governo português”.

A disponibilidade manifestada pelo Primeiro-Ministro de Portugal deixou Edmund Ho “muito satisfeito”, tendo o Chefe do Executivo feito questão de elogiar o trabalho dos funcionários portugueses em prol do desenvolvimento do território.

“Apreciamos sempre os funcionários portugueses em Macau, porque têm contribuído com um papel muito significativo para o crescimento de Macau”, afirmou o Chefe do Executivo.

Além de José Sócrates, Edmund Ho foi recebido ainda pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, num encontro que decorreu em “ambiente de amizade e abertura”.

A importância de Macau nas relações entre Portugal e a China foram uma das notas dominantes do encontro com Cavaco Silva, que também ouviu Edmund Ho sublinhar a vontade da RAEM em “incrementar ainda mais” o seu papel de plataforma entre o Continente chinês, Portugal, Europa e países lusófonos.

Como exemplo dessa estratégia, o Chefe do Executivo destacou a realização em 2007, na RAEM, de um grande evento de cooperação entre a China e a União Europeia - um projecto que tinha sido anunciado na véspera pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago - para sustentar que o lançamento de iniciativas similares permitirá reforçar a relevância de Macau como elo de ligação entre o Continente chinês e o Velho Continente.

MUDANÇA DA EPM SEM ATROPELOS. Durante a tarde de ontem (horário de Portugal), Edmund Ho encontrou-se ainda com a ministra da Educação para, fundamentalmente, discutir o processo de transferência da Escola Portuguesa de Macau para um terreno localizado na zona da Barra. Do encontro, que se prolongou por cerca de meia hora e que também contou com a presença do secretário Adjunto e da Educação, Jorge Pedreira, não saíram decisões definitivas embora Edmund Ho tenha deixado algumas pistas sobre o desfecho do processo.

Sublinhando que os Governos de Portugal e Macau “compreendem os problemas” em torno da mudança de instalações do estabelecimento de ensino, Edmund Ho garantiu que o Executivo que lidera irá, em conformidade com as suas políticas, “respeitar questões como o trânsito, cultura e Património Mundial”. A transferência da EPM “não irá afectar” nenhum desses pressupostos, assegurou.