EDMUND HO RECEBIDO POR TODO O EXECUTIVO CAMARÁRIO DA CAPITAL
Lisboa atraída pela cooperação turística e cultural com a RAEM

Lisboa como porta de entrada para a Europa, será o lema do cartaz turístico, que será lançado para atrair turistas das Regiões Administrativas Especiais da República Popular da China e regiões circundantes, eis um dos pontos concretos da cooperação saída do encontro de Edmund Ho com o presidente da Câmara Municipal de Lisboa

VITÓRIO CARDOSO
Em Lisboa

“Tivémos a enorme honra de ao chegar a Portugal, sermos recebidos pelo Presidente da Câmara Municipal de Lisboa e respectivo executivo camarário, uma vez que  Macau e Lisboa têm desde sempre uma relação de cidades irmãs, que muito prezamos”, começou por afirmar Edmund Ho, o Chefe do Executivo da RAEM, salientando que “através desta visita esperamos reforçar ainda mais as relações económico-comerciais e culturais com a capital portuguesa”.

Pouco passava do meio dia e meia, quando Carmona Rodrigues, presidente da CML, Fontão de Carvalho, vice-presidente e vereador do Turismo e Actividades Económicas e Amaral Lopes, vereador da Cultura, receberam nos Paços do Concelho a comitiva governamental liderada por Edmund Ho.

Na presença de mais de meia centena de representantes governamentais e de instituições públicas portuguesas e chinesas, Carmona Rodrigues salientou que “vamos procurar formas de reforçar a cooperação entre Lisboa e Macau, nas áreas da cultura e económicas”, aproveitando o período da  estadia da Delegação, sublinhando que desde já “a receptividade é bastante grande e Edmund Ho, trouxe também essa abertura e vontade e é por isso que está aqui em Lisboa, mostrando interesse nas ligações a Lisboa”.

Instado pelos jornalistas portugueses sobre o cumprimento dos Direitos e Liberdades em Macau, o Chefe do Executivo da RAEM, salientou que “em cada país ou região, todos têm as suas próprias características e Macau, devido ao encontro das culturas oriental e ocidental, nomeadamente da chinesa e portuguesa, tem as suas próprias características, mas o mais importante é que a população quer ver o seu modo de vida mantida, portanto o Governo está empenhado em manter este estatuto, que aliás está previsto na Lei Básica”.

A par da descrição do cenário político de Macau, a evolução económica da RAEM foi outro dos temas que suscitou interesse, de modo que Edmund Ho, começou por enquadrar a evolução do crescimento económico, desde os conturbados anos da recessão económica na Ásia, reforçando depois a ideia que após a retoma e relançamento da economia apostada na diversificação, “o Governo da RAEM teve a iniciativa de incentivar os empresários de Lisboa e Macau de incentivar as relações económicas”.

Edmund Ho ressalvou, contudo, que “a margem de manobra do Governo é limitada pois tudo depende dos empresários mas em todo o caso é do interesse do Governo a de incentivar os empresários que reforcem as relações económicas e em termos de investimento”.

“MUITAS OPORTUNIDADES”. O executivo camarário da capital portuguesa, adiantou à comunicação social portuguesa, que com esta visita oficial das altas individualidades da RAEM, tanto ligadas à vida política ou  empresarial, surgiu desde já a oportunidade de se para abrir um escritório de representação do Banco Seng Heng em Lisboa e recordou-se que “há muitas oportunidades de reforçar a presença de Macau em Lisboa e de Lisboa em Macau”.

Após uma reunião à porta fechada entre a comitiva governamental da RAEM e o executivo da CML, Edmund Ho dirigiu-se aos jornalistas presentes e reafirmou que “é intenção de ambos os Governos da RAEM e de Portugal  de reforçar as relações económicas”, esperando que “após esta visita que é acompanhada por uma delegação empresarial, que consigamos mais oportunidades, incentivando esta cooperação a nível  empresarial”.

O primeiro ponto das visitas oficiais em Portugal culminou com um almoço oferecido pela Câmara Municipal de Lisboa, momento esse em que se discutiu com maior profundidade a materialização das linhas de cooperação nos sectores económicos e culturais com Macau.

Segundo o JTM soube, durante o almoço foi abordado o grande interesse da cidade de Lisboa em se geminar com Macau, entre outras cidades chinesas, e de se estabelecer uma maior cooperação a nível da promoção turística, colocando o foco nas oportunidades que representam ambas as cidades como plataformas de comunicação e acesso, respectivamente à Europa e à grande China e o lançamento de projectos na área da cultura.

ACÇÕES CONCRETAS NO DOMÍNIO CULTURAL. Em declarações exclusivas ao JTM, José Amaral Lopes, vereador da Cultura da CML, adiantou também que “é mais que evidente que as relações entre Macau e a CML têm muitas potencialidades que não foram totalmente aproveitadas”, uma vez que a convivência cultural e históricas que são conhecidas, “só por si justificariam que a relação entre as duas cidades fosse desenvolvida através de acções concretas”.

A Vereação da Cultura da CML, vai desde já propor às entidades da RAEM a deslocação e realização de eventos que visem mostrar as capacidades artísticas e criativas alfacinhas e portuguesas, sublinhando que “uma vez havendo condições cada vez melhores nos domínios do cinema e áudio-visual, com carácter regular pretendemos promover uma mostra de cinema português e incentivar a co-produção nesses sectores da sétima arte”.

O responsável pela cultura da autarquia lisboeta realçou ainda outras áreas de cooperação que designou pelos domínios da literatura, história de arte, exposições e espectáculos, uma vez que Macau foi recentemente reconhecido como Património Mundial da Humanidade da UNESCO, lembrando que Macau “é um paradigma do enriquecimento civilizacional, que resulta do encontro de culturas oriental e ocidental, um verdadeiro exemplo vivo na Ásia”.